AGRONEGÓCIO
Produtores de Cana Reduzem Investimentos no Brasil com Queda do Açúcar e Custos Elevados, Aponta Orplana
Publicado em
23 de janeiro de 2026por
Da Redação
Produtores de Cana Enfrentam Queda na Rentabilidade
A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) alertou que os produtores de cana-de-açúcar estão reduzindo os investimentos na cultura em função da queda nos preços do açúcar e do aumento dos custos de produção.
De acordo com o presidente-executivo da entidade, José Guilherme Nogueira, a situação preocupa o setor, já que o movimento pode afetar o ritmo de renovação dos canaviais e o volume de moagem nos próximos anos.
“Estamos observando uma redução nos investimentos em plantações de cana-de-açúcar, principalmente devido ao aumento do custo de produção e à queda na receita líquida”, afirmou Nogueira.
A Orplana representa 35 associações de produtores, reunindo cerca de 12 mil agricultores na principal região canavieira do país, responsável por boa parte do abastecimento das usinas brasileiras.
Custos Elevados e Preços em Baixa Afetam Planejamento
Segundo Nogueira, o cenário atual levou muitos produtores a reduzir gastos com insumos essenciais, como fertilizantes, defensivos e manutenção de maquinário agrícola — medidas que podem afetar a produtividade das lavouras no médio prazo.
Os preços globais do açúcar, próximos das mínimas dos últimos cinco anos, refletem a alta oferta mundial, com safras recordes em países como Brasil e Índia, e a queda no consumo global do produto.
Esse quadro pressiona as margens de lucro do produtor e gera incertezas sobre a viabilidade econômica da cana-de-açúcar como principal cultura agrícola em diversas regiões.
Possível Migração para Outras Culturas
Caso os preços do açúcar permaneçam baixos, a Orplana estima que parte dos produtores poderá optar por migrar para culturas mais rentáveis, como soja e milho, além de não renovar contratos de fornecimento com usinas.
“Se o cenário atual continuar, muitos produtores deixarão de investir na cana até 2028, o que deve se refletir em menor área plantada e queda no processamento futuro”, destacou o executivo.
Embora os efeitos imediatos sobre a safra 2026/27 sejam limitados, o impacto do desinvestimento tende a ser sentido a partir da colheita seguinte, quando a redução da produtividade e da oferta de cana deve se tornar mais evidente.
Produção Atual Segue em Alta, Mas Futuro É de Atenção
Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) indicam que, até a segunda quinzena de dezembro de 2025, as usinas brasileiras haviam moído 600,4 milhões de toneladas de cana, resultando em uma produção de 40,2 milhões de toneladas de açúcar.
A Orplana projeta que a safra 2026/27 deverá ser ligeiramente maior ou semelhante à atual, dependendo das condições climáticas, especialmente do volume de chuvas nos próximos meses.
“Acreditamos que a próxima safra será um pouco maior ou muito parecida com a atual. A produtividade ainda está sendo construída e dependerá bastante do clima”, avaliou Nogueira.
Desinvestimento Pode Afetar Cadeia Sucroenergética
O possível desestímulo à renovação de canaviais preocupa o setor sucroenergético, já que a cana é base não apenas da produção de açúcar, mas também de etanol e bioenergia.
A redução de investimentos pode comprometer a sustentabilidade da cadeia produtiva e impactar o equilíbrio entre oferta de matéria-prima e capacidade industrial das usinas, que dependem de fluxo constante de cana para manter o nível de operação.
“O produtor precisa de previsibilidade e condições de rentabilidade para continuar investindo. Caso contrário, corremos o risco de ver uma retração significativa na oferta até o fim da década”, concluiu o presidente da Orplana.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Plano Safra 2026/27 confirma avanço do crédito privado e reduz dependência do financiamento oficial no agro
Published
2 horas agoon
1 de julho de 2026By
Da Redação
O anúncio do Plano Safra 2026/27 trouxe um novo recorde nominal para o crédito rural empresarial, com R$ 525,1 bilhões destinados a médios e grandes produtores. Apesar do volume expressivo, o crescimento de apenas 1,7% em relação à safra anterior ficou abaixo da inflação acumulada e do avanço esperado para o setor, gerando questionamentos sobre a capacidade do programa de sustentar sozinho a expansão do agronegócio brasileiro.
Mais do que o valor anunciado, o que chama a atenção é a mudança estrutural que vem ocorrendo no sistema de financiamento rural. O crédito privado, impulsionado por instrumentos como CPR, Fiagro, CRA e LCA, assume papel cada vez mais relevante, reduzindo a dependência histórica dos recursos subsidiados pelo governo.
Plano Safra cresce menos e reflete cenário de maior cautela
O novo ciclo do Plano Safra foi lançado em um contexto marcado por margens mais apertadas no campo, aumento da inadimplência em algumas cadeias produtivas e maior seletividade das instituições financeiras.
Dos R$ 525,1 bilhões anunciados, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e comercialização da produção, uma redução de 7,2% em relação à safra anterior. Já os recursos para investimentos somam R$ 140,2 bilhões, alta de 38,1%, sinalizando prioridade para projetos de modernização, tecnologia e infraestrutura.
Além disso, houve redução nas principais taxas de juros das linhas de financiamento, acompanhando o início do ciclo de queda da taxa Selic. O crédito de custeio empresarial passou de 14% para 12,5% ao ano, enquanto o Pronamp caiu de 10% para 9%.
Crédito privado ganha protagonismo no financiamento rural
Embora o Plano Safra continue sendo um importante instrumento de política agrícola, sua participação relativa no financiamento do setor vem diminuindo.
Nas últimas cinco safras, o crescimento do crédito rural ocorreu principalmente por meio de recursos livres, captados a mercado. Enquanto o crédito subsidiado permaneceu praticamente estável, as operações com recursos privados avançaram de forma consistente.
Esse movimento mostra que o agronegócio brasileiro está cada vez menos dependente dos subsídios governamentais e mais conectado ao sistema financeiro e ao mercado de capitais.
A participação dos recursos equalizados — aqueles em que o Tesouro Nacional subsidia parte dos juros — caiu significativamente nos últimos anos, representando atualmente cerca de 22% do total disponibilizado pelo Plano Safra.
Cooperativas ampliam presença no campo
Outro destaque da transformação do crédito rural é o avanço das cooperativas financeiras.
Nos últimos dez anos, a participação dessas instituições nas operações de crédito rural praticamente dobrou. Em diversas regiões do país, especialmente no interior, as cooperativas se tornaram a principal fonte de financiamento para produtores rurais.
Além da proximidade com o associado, essas instituições ampliaram sua capacidade de captação no mercado, fortalecendo sua atuação em um cenário de maior demanda por crédito e menor participação dos bancos tradicionais.
CPR alcança R$ 565 bilhões e lidera expansão do mercado privado
A principal evidência da mudança estrutural está no crescimento da Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento que se consolidou como a espinha dorsal do crédito privado no agronegócio.
O estoque de CPR saltou de aproximadamente R$ 170 bilhões para R$ 565 bilhões em apenas seis safras, crescimento superior a 230%. O avanço supera com folga a expansão registrada pelo próprio Plano Safra no mesmo período.
Paralelamente, outros instrumentos também ganharam espaço. O estoque de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) alcançou cerca de R$ 176 bilhões, enquanto os Fiagros já administram aproximadamente R$ 62 bilhões em ativos distribuídos em centenas de fundos.
Somados a operações de barter e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os mecanismos privados movimentam atualmente cerca de R$ 1,4 trilhão, consolidando uma nova realidade para o financiamento da produção agropecuária.
Desafio para produtores passa a ser gestão financeira
Especialistas apontam que o principal desafio para os próximos anos não será apenas acessar crédito, mas administrar diferentes fontes de financiamento de forma estratégica.
Ferramentas como CPR, barter, Fiagro e operações estruturadas passam a integrar cada vez mais o planejamento financeiro das propriedades rurais. Nesse cenário, gestão de risco, proteção de margem e eficiência operacional tornam-se fatores tão importantes quanto produtividade e tecnologia.
Nova fase do crédito rural já começou
O Plano Safra 2026/27 reforça uma tendência que vem se consolidando no agronegócio brasileiro: o financiamento da produção deixou de depender exclusivamente dos recursos oficiais.
Embora continue relevante, o programa governamental passa a atuar como parte de um sistema mais amplo, formado por cooperativas, mercado financeiro, investidores e instrumentos privados.
A mensagem para o setor é clara: o futuro do crédito rural será construído pela combinação entre recursos públicos e privados. Mais do que acompanhar o tamanho dos anúncios oficiais, produtores, empresas e investidores precisarão observar a qualidade do funding, a gestão dos riscos e a capacidade de execução dos projetos para garantir competitividade nos próximos ciclos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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