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Produtores de Acerola em Pérola, Paraná, Buscam Indicação Geográfica para o Produto

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Em Pérola, no noroeste do Paraná, famílias dedicadas ao cultivo de acerola iniciam um movimento em busca da Indicação Geográfica (IG), uma conquista que se soma à certificação orgânica internacional que possuem há mais de 20 anos. Para viabilizar essa iniciativa, os agricultores uniram esforços à Cooperativa Agrícola dos Fruticultores de Pérola (Frutipérola), ao Sebrae/PR, à prefeitura e ao Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), dando início a um trabalho coletivo em abril deste ano.

A IG é um reconhecimento concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a produtos ou serviços de regiões específicas que apresentam características únicas, diferenciando-os de outros similares.

Edson Pinguello, um fruticultor que aposta na acerola desde a década de 1990, ressalta a singularidade da fruta cultivada na região. “A fruta que nasce aqui é diferente”, afirma ele. Entre as particularidades da acerola de Pérola, destacam-se o elevado teor de vitamina C, que confere acidez ao paladar e valor nutricional, sabor levemente adocicado e coloração avermelhada. A acidez da acerola local é superior ao mínimo exigido pela indústria, que é de 1.000 mg de ácido ascórbico por 100 gramas.

A polpa da fruta apresenta uma coloração vermelha intensa, resultado do solo arenoso e bem drenado da região, que pertence à formação geológica do Arenito Caiuá. Apesar das históricas altas taxas de precipitação na localidade, os produtores estão considerando a implementação de sistemas de irrigação por gotejamento para lidar com os desafios climáticos.

Presidente da Frutipérola e membro da Associação Perolense de Fruticultores, Edson possui um pomar de 1,2 hectare, que garante o sustento de sua família. Ele comenta: “Nossa fruta é riquíssima em vitamina C. Meu negócio é praticamente só a acerola, então, o que ganhamos com a venda da fruta é essencial. Nossa cooperativa tem 75 membros, dos quais 35 plantam acerola e dependem dela para a renda. Quase todos nós comercializamos por meio da cooperativa.”

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Estima-se que há cerca de 30 hectares dedicados ao cultivo da acerola na cidade, com aproximadamente 10 mil pés da fruta. “Assistimos na televisão como a Indicação Geográfica é importante em diversos casos. Uma de nossas inspirações é o Queijo Canastra, de Minas Gerais. Quando o Sebrae nos apresentou a possibilidade de solicitar o registro, vimos uma oportunidade de expandir nossa atuação e ganhar notoriedade”, ressalta Edson.

A safra da acerola em Pérola ocorre entre setembro e maio, com cinco ciclos anuais, totalizando cerca de 300 toneladas colhidas manualmente. Os principais compradores estão em São Paulo, que recebem a fruta in natura, resfriada ou congelada, e em forma de polpa, preferencialmente ainda verde, pois apresenta maior teor de ácido ascórbico.

Uma vez transformada em pó, a acerola de Pérola é fornecida à indústria farmacêutica, com uma pequena parte destinada ao varejo e a compras governamentais. Atualmente, o quilo da acerola verde é comercializado a R$ 5, o que representa R$ 5 mil por tonelada. “Estamos também iniciando um projeto para a produção de geleia e a venda de suco pronto”, revela Edson.

Tradição e Economia Local

Luciano Lazarin, secretário de Agricultura de Pérola, enfatiza que a acerola é a estrela da fruticultura na região. As variedades cultivadas incluem a Pérola 24, Pérola 56 e outras, sendo que duas novas cultivares, ainda sem definição, foram identificadas pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e batizadas de Bruna e Letícia em homenagem a filhas de produtores. “A acerola movimenta entre R$ 4 milhões e R$ 5 milhões no município a cada safra, dinheiro que circula localmente e aquece a economia. A certificação internacional de orgânicos nos credencia a vender para mercados que desejamos alcançar, e a IG acrescentará valor ao nosso produto”, destaca Lazarin.

Caminhos para a Indicação Geográfica

Adriano Pereira da Silva, consultor do Sebrae/PR, que coordena o esforço para a obtenção da IG, explica que diversas etapas são necessárias até que o pedido de reconhecimento seja submetido ao INPI. Foram realizadas ações de sensibilização junto aos produtores, formação de um comitê gestor, engajamento em um plano de ação, planejamento de atividades para fortalecer o grupo envolvido no processo e visitas técnicas. Em agosto deste ano, por exemplo, produtores participaram do Fórum Origens Paraná, promovido pelo Sebrae/PR, com o objetivo de estimular a troca de conhecimentos, boas práticas e a abertura de novos mercados e parcerias.

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Os próximos passos envolvem levantamentos, avaliação e descrição do produto e do processo de produção, análise de documentos, adequação do estatuto social da cooperativa, comprovação do tipo de IG, delimitação geográfica, desenvolvimento do Caderno de Especificações Técnicas e do Plano de Controle, organização do processo e protocolo junto ao INPI — previsto para maio de 2025 — além de eventos que promovam a cultura da IG na comunidade.

“A IG destaca um produto graças às características únicas que possui, fortalece o vínculo entre o produto e a região, impulsiona o turismo, facilita investimentos, garante a autenticidade e qualidade do produto, abre novos mercados e pode resultar em uma valorização de até 50%, ou até mais em alguns casos. É um ganho social, cultural e econômico”, justifica o consultor.

Estudos adicionais serão realizados para determinar se a Indicação Geográfica será solicitada sob a forma de Indicação de Procedência (IP) ou Denominação de Origem (DO). Segundo o INPI, a DO é atribuída quando as características de um produto ou serviço são resultado exclusivo ou essencial do meio geográfico, enquanto a IP é conferida quando um local se destaca como centro de produção ou fabricação de um produto ou serviço.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações de café do Brasil devem bater recorde em 2026/27, projeta Eisa

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As exportações brasileiras de café devem atingir um novo recorde na safra 2026/27 (julho a junho), impulsionadas pela expectativa de uma colheita considerada a maior da história do país. A projeção é do diretor comercial da exportadora Eisa, uma das maiores do setor global.

O cenário positivo é sustentado pelo avanço da colheita atual e pela perspectiva de forte disponibilidade de grãos nos próximos meses, o que deve ampliar os embarques e reforçar a posição do Brasil como líder mundial na produção e exportação de café.

Safra recorde deve impulsionar volume exportado

Segundo o diretor comercial da Eisa, Carlos Santana, o país vive um momento de forte otimismo no setor.

“Estamos bastante otimistas. Muito provavelmente o Brasil vai ter a maior safra da história. E isso rapidamente a gente vai começar a ver nos embarques, talvez em julho ou agosto”, afirmou durante o Seminário Internacional do Café, em Santos.

A avaliação é de que o aumento da oferta deve se refletir de forma mais intensa ao longo da safra 2026/27, com potencial de recorde nas exportações brasileiras.

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Colheita avança e já sinaliza safra robusta

O Brasil, maior produtor e exportador global de café, já iniciou a colheita da safra 2026/27, com cerca de 5% da produção colhida até o momento.

O destaque inicial fica para o café canéfora (robusta e conilon), com avanço dos trabalhos principalmente em Rondônia e no Espírito Santo, regiões que tradicionalmente antecipam a colheita em relação ao café arábica.

Estoques globais baixos podem ampliar demanda por café brasileiro

De acordo com o setor exportador, a entrada da nova safra brasileira deve contribuir para a recomposição dos estoques globais, que atualmente se encontram em níveis reduzidos.

Esse movimento tende a favorecer a demanda pelo café brasileiro nos próximos meses, com expectativa de embarques mais fortes especialmente no segundo semestre de 2026.

A combinação entre alta produção, recomposição de estoques e demanda internacional aquecida deve sustentar um cenário positivo para as exportações, com possibilidade de “surpresas positivas” no desempenho do país no mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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