AGRONEGÓCIO

Produção de ervilha torta é alternativa rentável para agricultura familiar em Munhoz, no Sul de Minas

Publicado em

Com temperaturas mais amenas, o Sul de Minas é uma região onde a produção de ervilha se adaptou bem. Em Munhoz, por exemplo, são cerca de 180 hectares por ano dedicados à cultura, sendo que 100% dessas áreas são cultivadas por agricultores familiares, como o André Francisco das Chagas. “Há mais de 12 anos eu trabalho com a ervilha, e foi dando certo. É minha principal produção. Eu gosto de fazer o que eu faço, chegar na lavoura bem cuidada, sadia, é um dom de Deus”, comenta.

A ervilha vagem ou ervilha torta, como é mais conhecida na região, é originária do Oriente Médio, mas se adaptou bem em diversas regiões do Brasil. Em Munhoz, segundo o técnico local da Emater-MG, Juary José Moreira, os produtores conseguem colher a leguminosa o ano inteiro. “Aqui são regiões altas e a ervilha gosta de temperaturas mais amenas, menos de 23 graus. Então se consegue produzir durante todo o ano e o mercado principal é a grande São Paulo”, explica.

Vantagens e desvantagens

Uma vantagem da ervilha torta é ser uma planta rústica, de baixo custo, adequada à produção familiar. Mas também apresenta desafios. André Francisco conta que o período das chuvas é mais propício para o desenvolvimento de doenças, o que força o uso maior de defensivos agrícolas.

Leia Também:  Açúcar tem queda nas bolsas internacionais com expectativa de menor produção no fim de outubro

Outra questão é a necessidade de irrigação. “É uma cultura sensível à falta de água, em escassez hídrica ela corta a produção”, detalha Juary Moreira. O técnico também destaca que a maioria dos produtores em Munhoz cultiva em terras arrendadas, pela necessidade de se fazer um rodízio de culturas, com objetivo de evitar a infestação por doenças. “Então o produtor vai sendo nômade, vai mudando de lugar”. Para o cultivo é preciso ainda o investimento na preparação do solo, com aração, calagem e adubação rica em fósforo. Quando a planta vai crescendo ela deve ser conduzida por fitilhos, até chegar a altura de um 1,5 metro a 1,8 metro de altura, quando atinge seu pico de desenvolvimento. O ciclo da planta, conforme Juary Moreira, gira em torno de dois a dois meses e meio, ou seja, a colheita é possível em cerca de 45 dias.

Mão de obra

Um gargalo importante é a carência de mão de obra, na avaliação do técnico da Emater-MG. Mesmo sendo uma cultura adequada à produção familiar, muitos produtores precisam de ajuda na época de passar o fitilho e na colheita, “porque o trabalho é 100% manual”.

Leia Também:  Sistemas integrados de produção aumentam matéria orgânica em solos da Caatinga

André Francisco faz o máximo que pode das atividades sozinho, mas também recorre a mão de obra contratada em alguns períodos. “A maior parte eu faço sozinho, tem funcionário que trabalha comigo sim, mas dependendo do serviço eu faço sozinho, para reduzir o custo”, reforça.

André também conta com assistência técnica da Emater-MG, tanto na orientação para condução da cultura, quanto para elaboração de projetos de crédito rural. “A Emater é importante para nós porque sempre que a gente tá precisando de um apoio, um auxílio, a gente procura o Juary. Tem época do ano que o problema é a falta de dinheiro, aí a gente recorre a Emater para conseguir o recurso para poder plantar”, conta. Contudo, entre vantagens e desafios, o produtor está satisfeito com a cultura da ervilha. “É uma produção que compensa, tem dado lucro, tô satisfeito e gosto muito de trabalhar com ela”.

Fonte: Emater-MG

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Cúpula do agro liga inovação e rastreabilidade ao acesso a mercados

Published

on

Acesso a mercados, rastreabilidade e uso de tecnologia para reduzir riscos estão no centro da proposta da Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro, a Citagro 2026, marcada para 16 de novembro, em São Paulo. O encontro pretende aproximar empresas, investidores e pesquisadores em torno da competitividade da produção brasileira.

A questão chega à porteira por meio das exigências dos compradores. Para cadeias que abastecem mercados com regras ambientais específicas, comprovar a origem da mercadoria e as condições de produção passa a integrar o trabalho de comercialização. Sistemas digitais de rastreabilidade ajudam a organizar as informações necessárias para atender a esses critérios.

Um exemplo é o Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR), cuja aplicação começa em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores, segundo a Comissão Europeia. A norma abrange bovinos, soja, café, cacau, óleo de palma, borracha, madeira e determinados derivados. Para a maior parte dos micro e pequenos operadores, o prazo é 30 de junho de 2027.

As regras exigem comprovação de que os produtos foram obtidos conforme a legislação do país de origem e não estão associados a desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020. A verificação envolve informações sobre fornecedores e localização das áreas produtivas. Mesmo produtores brasileiros que vendem a uma cooperativa ou empresa intermediária recebem demandas por esses dados dos compradores.

Leia Também:  Conaq lança edital para estímulo à agricultura familiar quilombola

Outra mudança é o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira da União Europeia (CBAM), em sua fase definitiva desde janeiro de 2026. Seu alcance inclui determinados fertilizantes e outros produtos industriais. Nesses casos, as emissões da fabricação entram no cálculo das obrigações dos importadores europeus, acrescentando uma variável ambiental à relação comercial.

O material de apresentação da Citagro também destaca a inteligência de mercado como instrumento para antecipar cenários. A proposta associa competitividade à capacidade de acompanhar mudanças tarifárias, exigências regulatórias e movimentos da demanda, usando essas informações no planejamento das empresas e na diversificação de destinos para a produção.

Para o produtor, essa discussão envolve decisões concretas: quais informações manter sobre a propriedade, quais tecnologias adotar e quais requisitos serão necessários para vender a determinados compradores. A conexão entre pesquisa e produção, outro eixo da iniciativa, busca aproximar o desenvolvimento de soluções das necessidades das cadeias agropecuárias e das regiões produtoras.

A apresentação defende ainda maior articulação entre empresas, governos e instituições de pesquisa nas negociações internacionais. O objetivo anunciado é combinar inovação no campo com participação brasileira na definição de padrões comerciais e ambientais que influenciam o acesso a mercados.

Leia Também:  Nos últimos tempos, frango vêm obtendo seus melhores preços na segunda quinzena do mês

Serviço

  • Evento: Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro — Citagro 2026
  • Data: 16 de novembro de 2026
  • Horário: das 18h às 22h
  • Cidade: São Paulo (SP)

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA