AGRONEGÓCIO

Preços do café refletem outras commodities, enquanto mercado acompanha clima no Vietnã

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O mercado do café continua acompanhando atentamente a situação climática no Vietnã, onde as previsões de aumento das chuvas ainda não se concretizaram em uma recuperação significativa. As condições meteorológicas desfavoráveis, com chuvas abaixo do esperado e temperaturas mais altas do que a média, ameaçam o desenvolvimento da safra 2024/25.

Na última semana, os preços do café mantiveram uma tendência de queda, acompanhando o movimento de outras commodities softs. Essa correlação foi notada especialmente com o petróleo, cujo primeiro contrato do WTI caiu cerca de 8% desde meados de abril. O café, por sua vez, apresentou uma queda mais acentuada, de aproximadamente 15%, permanecendo entre o açúcar e o cacau, que caíram cerca de 10% e 30%, respectivamente, em relação aos picos anteriores.

Para Natália Gandolphi, analista de Café da Hedgepoint Global Markets, essa queda nos preços do café tem mais a ver com movimentos especulativos do que com fundamentos do mercado. “Na nossa análise mensal, temos observado uma vulnerabilidade implícita nas posições especulativas em níveis recorde”, ela explicou. A correlação entre os preços do café e as posições especulativas indica que havia espaço para uma correção adicional, chegando ao nível de 202-209 cents/libra-peso, que é o patamar testado atualmente pelo primeiro contrato.

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Outros fatores também têm influenciado o mercado, embora ainda não alterem o equilíbrio global de oferta e demanda. Um exemplo é a desaceleração observada nos resultados dos roasters no primeiro trimestre, especialmente no consumo doméstico de café. A Keurig Dr Pepper (KDP) registrou uma queda de 0,3% nas vendas de café nos EUA no primeiro trimestre de 2024, e uma redução de 1% em relação ao mesmo período do ano passado.

Entretanto, as preocupações com o desenvolvimento da safra no Vietnã continuam a ser o principal foco do mercado. As previsões sugerem um aumento das chuvas nas próximas semanas, com valores de 90% a 150% do normal, mas a recuperação ainda não foi claramente observada. Além disso, a região do Planalto Central no Vietnã tem registrado temperaturas médias de 29,9°C, significativamente acima da média esperada de 25°C, o que pode comprometer a umidade do solo e o desenvolvimento das lavouras.

Resumindo, os preços do café têm seguido uma tendência de queda, refletindo uma combinação de fatores especulativos e preocupações climáticas no Vietnã. Apesar de alguma perspectiva de recuperação devido ao aumento das chuvas previsto para as próximas semanas, as altas temperaturas e os padrões irregulares de chuva continuam a representar um risco significativo para a safra 2024/25. Com o mercado ainda enfrentando incertezas, os produtores e investidores devem continuar a acompanhar de perto as condições climáticas e a resposta do mercado para tomar decisões informadas.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Agronegócio lidera crescimento da economia com alta de 2,8% no segundo trimestre

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A agropecuária voltou a ocupar o centro do crescimento da economia brasileira no segundo trimestre de 2026. Dados divulgados nesta terça-feira (1º.09) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o setor avançou 2,8% entre abril e junho, mais de cinco vezes a alta de 0,5% registrada pelo Produto Interno Bruto (PIB) do País no mesmo período.

O desempenho foi o melhor entre os três grandes setores da economia. Enquanto a agropecuária cresceu 2,8% em relação aos três primeiros meses do ano, os serviços avançaram 0,2% e a indústria ficou praticamente estável, com alta de 0,1%. Em valores correntes, o PIB brasileiro alcançou R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre.

A diferença também aparece na comparação com o mesmo período do ano passado. A economia brasileira cresceu 2% frente ao segundo trimestre de 2025, enquanto a agropecuária avançou 6,8%. Indústria e serviços cresceram 1,5% cada.

Segundo o IBGE, o resultado do campo foi favorecido pelo desempenho da pecuária e por culturas que registraram aumento da produção e ganhos de produtividade. Entre os produtos agrícolas com peso relevante no período, a estimativa para a soja aumentou 5,3% em relação a 2025 e a do café avançou 15,1%.

Nem todas as culturas acompanharam o movimento. A produção de arroz apresentou queda de 11,3% e a de algodão recuou 6,7%, enquanto o milho permaneceu praticamente estável.

Essas variações das lavouras, porém, não podem ser comparadas diretamente com os 2,8% de crescimento trimestral da agropecuária. O IBGE explica que não dispõe de séries com ajuste sazonal para cada cultura, o que impede determinar exatamente quanto soja, café ou qualquer outro produto contribuiu para o avanço entre o primeiro e o segundo trimestre.

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O resultado divulgado nesta terça-feira ganha relevância também pelo comportamento do restante da economia. O crescimento do PIB perdeu velocidade em relação aos primeiros três meses do ano, quando havia avançado 1,1%. No segundo trimestre, indústria e serviços praticamente ficaram de lado, enquanto o consumo das famílias recuou.

Na indústria, a alta de apenas 0,1% foi garantida principalmente pelas atividades extrativas, que cresceram 3,4%, favorecidas pelo aumento da produção de petróleo e gás. A indústria de transformação caiu 0,4%, mesma retração registrada pela construção. Eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos recuaram 1,1%.

Os serviços, responsáveis pela maior parcela da economia brasileira, avançaram 0,2%. Informação e comunicação cresceu 2,1% e transporte, armazenagem e correio, atividade diretamente ligada ao escoamento da produção agropecuária, aumentou 1,1%. As atividades imobiliárias avançaram 0,2%, enquanto comércio e outras atividades de serviços ficaram estáveis.

Pelo lado da demanda, também houve sinais de perda de força da economia. O consumo das famílias caiu 0,4% em relação ao primeiro trimestre, apesar do aumento da massa salarial real e da disponibilidade de crédito. O consumo do governo avançou 0,4%.

Os investimentos apresentaram resultado melhor, com crescimento de 1,2%. Já no comércio exterior, as exportações de bens e serviços recuaram 0,8% no trimestre, enquanto as importações aumentaram 1,8%.

O desempenho da agropecuária também aparece nos números acumulados do ano. No primeiro semestre, o PIB brasileiro cresceu 1,9% em relação aos seis primeiros meses de 2025. O campo avançou 3,6%, praticamente o dobro da economia como um todo e acima dos serviços, com alta de 1,8%, e da indústria, com 1,6%.

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A comparação com 2025 mostra ainda uma mudança importante na dinâmica trimestral do setor. No segundo trimestre do ano passado, a agropecuária havia recuado 0,1% frente aos três primeiros meses. Agora, no mesmo tipo de comparação, registra expansão de 2,8%.

O crescimento ocorre depois de um 2025 excepcional para o campo. No ano passado, a agropecuária avançou 11,7%, resultado que teve peso importante para o crescimento de 2,3% do PIB brasileiro. A base elevada torna o avanço de 6,8% registrado no segundo trimestre deste ano ainda mais relevante.

Nos quatro trimestres encerrados em junho, a agropecuária acumula crescimento de 6,2%. É novamente o melhor resultado entre os grandes setores: os serviços avançam 1,7% e a indústria, 1,4%. A economia brasileira acumula alta de 1,9% nesse intervalo.

Os números divulgados pelo IBGE reforçam também uma diferença importante entre o desempenho da produção e o ambiente financeiro enfrentado pelo produtor. O crescimento ocorre em um período ainda marcado por juros elevados, crédito mais caro e pressão sobre as margens de algumas atividades.

Mesmo nesse cenário, o campo inicia a segunda metade de 2026 crescendo acima do restante da economia. O PIB perdeu velocidade entre o primeiro e o segundo trimestre, mas a agropecuária seguiu na direção contrária e apresentou a maior expansão entre os principais setores produtivos do País.

Fonte: Pensar Agro

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