AGRONEGÓCIO

Preço da carne de frango dispara e se aproxima do patamar pré-gripe aviária, aponta Cepea

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Os preços da carne de frango no Brasil seguem em forte alta, caminhando para níveis próximos aos registrados antes da gripe aviária, detectada em maio deste ano, segundo levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A retomada das cotações internas está diretamente ligada à recuperação dos embarques nacionais, somada ao aquecimento do mercado doméstico. Esse movimento de valorização tem sido consistente desde a segunda quinzena de setembro, quando a União Europeia voltou a adquirir carne brasileira.

Exportações ajudam a sustentar os preços

Entre os países que suspenderam a compra de frango brasileiro devido à gripe aviária, a China permanece como o único mercado ainda afastado. No entanto, a retomada das exportações para outros destinos contribui significativamente para o fortalecimento das cotações.

Segundo colaboradores consultados pelo Cepea, os preços devem manter-se firmes até o final de 2025, apoiados pelo ritmo de embarques internacionais e pelo aumento da procura interna.

Demanda interna impulsiona valorização

Além das exportações, a demanda doméstica também exerce papel importante na alta dos preços. Com a proximidade do período festivo, os consumidores estão pagando valores maiores pelas aves natalinas, o que reforça a expectativa de manutenção de preços elevados nos próximos meses.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Alta de insumos, frete e diesel com guerra aperta margem e preocupa safra 2026/27

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Isan Rezende

“O produtor rural brasileiro define agora, entre maio e agosto, o custo da safra 2026/27 — cujo plantio começa a partir de setembro no Centro-Oeste — com uma conta mais pesada e fora do seu controle. A ureia subiu mais de US$ 50 por tonelada, o diesel segue pressionado e o frete internacional acumula altas de até 20%. Isso aumenta o custo por hectare e exige mais dinheiro para plantar”. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), ao analisar os efeitos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o agronegócio brasileiro.

Segundo ele, o encarecimento não começou agora, mas se intensificou nas últimas semanas e pesa diretamente nas decisões do produtor. Em lavouras de soja e milho, o aumento dos insumos pode elevar o custo total entre 8% e 15%, dependendo do nível de investimento. “O produtor já vinha apertado. Agora, o custo sobe de novo e o preço de venda continua incerto”, afirma.

O avanço dos custos está ligado à tensão no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz levou o petróleo a superar US$ 111 o barril, mantendo o diesel em alta. Ao mesmo tempo, fertilizantes nitrogenados, que o Brasil importa em grande volume, ficaram mais caros e instáveis.

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Além do custo, há risco de perda de mercado. “O Irã comprou cerca de 9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025. Se esse volume diminui, sobra produto aqui dentro e o preço cai”, diz Rezende.

Na logística, o impacto já aparece nos números. O frete marítimo para a Ásia subiu entre 10% e 20%, com aumento do seguro e cobrança de prêmio de risco. Na prática, isso reduz o valor pago ao produtor. “Quando o custo de levar o produto sobe, alguém paga essa conta — e parte dela volta para quem está produzindo”, afirma.

O efeito mais forte deve aparecer nos próximos meses, quando o produtor for comprar fertilizantes e fechar custos da nova safra. Se os preços continuarem elevados, será necessário mais capital para plantar a mesma área.

Para Rezende, há medidas que podem reduzir esse impacto. “O governo pode ampliar o crédito rural com juros menores, reforçar o seguro rural e alongar dívidas em regiões mais pressionadas. Um aumento de alguns bilhões na equalização de juros já ajudaria a reduzir o custo financeiro da safra”, afirma.

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Ele também aponta que o Brasil começa a dar passos para diminuir a dependência externa de insumos, mas ainda de forma insuficiente. “A retomada da produção de nitrogenados com a reativação da unidade de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Araucária, no Paraná, ajuda, mas ainda não resolve o problema. O país continua dependente do mercado internacional, especialmente do Oriente Médio. Sem ampliar essa capacidade e melhorar a logística, o produtor segue exposto a choques externos”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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