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Plano Nacional de Rastreabilidade de Bovinos e Búfalos promete avanços na sanidade do rebanho

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O Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), lançado na última terça-feira (17) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), marca um novo patamar no controle sanitário do rebanho brasileiro. De acordo com José Mário Schreiner, vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a iniciativa representa um avanço significativo para a segurança sanitária do país, promovendo mais eficiência na identificação e resposta a possíveis doenças.

Objetivos e estrutura do plano

O PNIB prevê a implementação de um sistema de identificação individual para bovinos e búfalos com o objetivo principal de reforçar a capacidade de resposta em emergências sanitárias, especialmente em um cenário de retirada da vacinação contra febre aftosa. A proposta contempla o uso de elementos eletrônicos, como brincos ou bottons auriculares, que atribuem a cada animal uma numeração única de 15 dígitos no formato ISO 076.

A implementação ocorrerá ao longo de oito anos. Nos dois primeiros, será desenvolvido o sistema; nos três anos seguintes, a rastreabilidade será aplicada a bezerras vacinadas contra brucelose, expandindo-se nos três últimos anos para todos os animais movimentados fora das propriedades rurais.

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Participação do setor privado e adesão voluntária

Um dos destaques do plano é sua construção colaborativa, com a participação ativa do setor privado, liderado pelo Ministério da Agricultura. Schreiner enfatizou que o programa tem adesão voluntária e atende às necessidades de produtores, indústrias e consumidores.

“Esse é um programa que não impõe comandos ou controles excessivos. A CNA e o setor produtivo participaram intensamente da sua formulação, e agora temos um modelo único que beneficia todos os elos da cadeia, do produtor ao país”, afirmou Schreiner.

Facilidade para produtores e redução de burocracia

O coordenador de Produção Animal da CNA, João Paulo Franco, destacou que o novo sistema permitirá aos pecuaristas adquirir os brincos eletrônicos diretamente em lojas agropecuárias, eliminando a necessidade de contratação de certificadoras, o que reduz custos e simplifica o processo.

Outro benefício relevante é a flexibilização em casos de suspeita de doenças graves, como a encefalopatia espongiforme bovina (vaca louca). Com o novo sistema, eventuais embargos comerciais podem ser limitados ao município ou estado onde o caso for identificado, preservando a comercialização no restante do país.

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Reconhecimento e apoio ao plano

Durante o lançamento, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, ressaltou a importância do PNIB para a bovinocultura brasileira. O evento contou com a presença de autoridades como o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, e representantes de entidades como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e o Sistema Famasul, além de diversos representantes dos setores público e privado.

O plano consolida o Brasil como referência mundial em sanidade animal, reforçando a rastreabilidade como um elemento estratégico para a abertura de mercados e a gestão eficiente da pecuária.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Rastreabilidade será o “novo passaporte” da proteína animal brasileira, alerta especialista em segurança dos alimentos

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A recente decisão da União Europeia de endurecer as regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira acendeu um alerta no agronegócio e reforçou uma tendência já em curso: a rastreabilidade passa a ser o principal requisito de acesso aos mercados internacionais de proteína animal.

Mais do que uma barreira comercial pontual, a medida evidencia uma mudança estrutural nas exigências globais, com maior rigor sobre controle sanitário, transparência produtiva e comprovação de origem em toda a cadeia de alimentos.

Mercado internacional exige transparência total na produção animal

Para a médica veterinária e especialista em segurança dos alimentos, Paula Eloize, o cenário internacional está evoluindo rapidamente e deve impor padrões cada vez mais rígidos aos países exportadores.

“O mercado internacional não quer apenas o produto final. Ele quer entender como esse alimento foi produzido, quais medicamentos foram utilizados, qual foi o manejo sanitário e se existe rastreabilidade suficiente para comprovar tudo isso”, afirma a especialista.

Segundo ela, o uso de antimicrobianos na produção animal já é um tema sensível globalmente e ganhou ainda mais relevância diante do avanço da resistência bacteriana.

Resistência antimicrobiana amplia pressão sobre cadeias produtivas

A especialista explica que o debate sobre o uso de antimicrobianos não é recente, mas passou a ocupar posição central nas discussões sanitárias internacionais devido ao impacto direto na saúde pública.

“O uso inadequado ou excessivo de antimicrobianos preocupa autoridades sanitárias do mundo inteiro. A resistência antimicrobiana é considerada uma das maiores ameaças globais pela comunidade científica”, destaca Paula Eloize.

Esse cenário tem levado países importadores a reforçarem mecanismos de controle, fiscalização e exigências documentais mais rigorosas para produtos de origem animal.

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Rastreabilidade se torna diferencial competitivo no comércio global

De acordo com a especialista, o desafio do Brasil não está restrito à adequação regulatória, mas envolve transformação estrutural nas práticas de produção e gestão sanitária.

“O Brasil possui um sistema robusto de produção e fiscalização, mas o mercado internacional é extremamente sensível a riscos sanitários. Qualquer falha de rastreabilidade ou ausência de comprovação técnica pode gerar barreiras comerciais importantes”, explica.

Ela ressalta que, em muitos mercados, especialmente o europeu, os critérios sanitários deixaram de ser apenas medidas de proteção à saúde e passaram a funcionar como diferencial competitivo.

“O consumidor europeu está mais exigente. Há uma pressão crescente por sustentabilidade, bem-estar animal, redução do uso de medicamentos e transparência. Isso influencia diretamente as regras impostas aos países exportadores”, afirma.

Exigências internacionais devem impactar também o mercado interno

Para Paula Eloize, as mudanças no comércio global também funcionam como sinal de alerta para empresas que atuam exclusivamente no mercado doméstico.

“Muitas empresas ainda tratam segurança dos alimentos como algo distante da operação diária. Mas as exigências internacionais antecipam tendências que, mais cedo ou mais tarde, chegam ao mercado interno”, avalia.

Segundo ela, práticas como rastreabilidade estruturada, controle documental e monitoramento sanitário devem deixar de ser diferenciais e passar a integrar o padrão mínimo de operação no setor.

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Gestão sanitária e controle de processos ganham protagonismo

A especialista reforça que o futuro da competitividade na proteína animal dependerá diretamente da capacidade de organização das empresas em toda a cadeia produtiva.

“Quem investir em controle de processos, documentação viva, treinamento de equipe e monitoramento técnico terá muito mais capacidade de adaptação às mudanças regulatórias que já estão em curso no mundo inteiro”, afirma.

União Europeia revisa autorizações de exportação do Brasil

Nesta semana, a União Europeia anunciou alterações na lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco europeu, citando preocupações relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária brasileira.

A medida pode impactar exportações de carnes, ovos, pescado, mel e outros produtos caso as exigências sanitárias não sejam plenamente atendidas até setembro, ampliando a pressão sobre o setor produtivo brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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