AGRONEGÓCIO
Pesquisadores validam técnica que viabiliza semear pastagens na lavoura de soja
Publicado em
5 de abril de 2024por
Da RedaçãoPesquisadores da Embrapa acabam de validar o Antecipasto, um sistema de consorciação soja e forrageira para ser adotado em sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP). Com apoio da Fundação Agricultura Sustentável (Agrisus) e da Jarbas Barbosa Agricultura e Pecuária (JBAPec), a tecnologia foi testada em propriedades rurais de Mato Grosso do Sul com bons resultados.
No Antecipasto, parte do período do plantio da forrageira ocorre em cultivo consorciado na entrelinha da soja, antecipando a formação de pastagem, sem causar redução da produtividade de grãos da oleaginosa. Pesquisadores veem oportunidades de validação do Antecipasto nos estados de Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Roraima, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Bahia.
Para os pecuaristas, a solução pode amenizar a falta de pasto na estação seca, o atraso no estabelecimento de pastagens e o insucesso na sua formação. Já para os agricultores, é uma possibilidade real para abrir novas áreas com sistemas integrados de produção, assim como aquisição de terras a valores acessíveis e potencial agrícola, além de melhorias nas condições do solo. “É uma tecnologia que não compromete o rendimento de grãos da soja, intensifica a produção e antecipa a formação de pastagem e o pastejo”, define o pesquisador Luís Armando Zago, da Embrapa Agropecuária Oeste.
O sistema ainda é recomendado para os produtores rurais que já utilizam ILP, nos biomas Cerrado e Mata Atlântica, e necessitam de produção de forragem na época mais crítica do ano: a estação seca/inverno, para alimentação animal.
Vídeo Antecipasto
Zago explica que entre o fim dos anos 1990 e início dos 2000, a pesquisa buscou o estabelecimento de forrageiras em consórcio com soja, mas a dificuldade imposta pelo porte da soja, semelhante ao das forrageiras, dificultou o avanço nos estudos, dada a perda de produtividade da oleaginosa ao redor de 12% e a dificuldade no controle de plantas daninhas. Além disso, ele conta que houve outros entraves como a semeadura simultânea da soja e da forrageira, o aumento da profundidade de semeadura da gramínea, a escolha pelos capins Marandu e Xaraés, e a sobressemeadura da forrageira no fim do ciclo da soja.
“Com o Antecipasto essas dificuldades foram superadas com a defasagem na semeadura do capim em relação à soja, além da utilização de forrageiras de menor porte e com crescimento inicial mais lento”, declara o pesquisador. Com a tecnologia, as culturas anuais se estabelecem mais rápido que as forrageiras perenes; desse modo, a capacidade de competição do capim em relação à soja, principal cultura, é minimizada.
Sistema Antecipasto
- Não compromete o rendimento de grãos da soja.
- Antecipação da entrada de bovinos na área (entre 30-60 dias).
- Aumento no período de pastejo.
- Aumento da produção de carne (+3 a 5 arrobas por hectare).
- Redução de plantas daninhas: na soja e na pastagem.
- Menor risco na formação de pastagem: época que antecede a convencional.
- Não compete por área com o milho: últimos talhões do “circuito” de semeadura.
- Semeadura do capim em época menos tumultuada.
O velho embate capim X soja
Uma das estratégias para aumentar a capacidade de competição da soja é escolher capins de pequeno porte e de lento estabelecimento. No mercado, há opções como a BRS Tamani, Massai e BRS Paiaguás, cultivares desenvolvidas pela Embrapa Gado de Corte (MS) e parceiros. Nos experimentos conduzidos, o Panicum maximum cv. BRS Tamani foi o mais adequado, com desenvolvimento e crescimento paralisado por falta de luz logo após o fechamento das entrelinhas pela soja, retomando o crescimento quando o processo de amarelecimento das folhas da planta é intensificado e quando elas começam a cair. Para as cultivares de soja, as precoces costumam ter crescimento vegetativo vigoroso e fechamento rápido das entrelinhas, impedindo o desenvolvimento acentuado do capim.
Outra medida é o planejamento da semeadura. A soja é semeada e, posteriormente, a forrageira na entrelinha. O tempo ideal de defasagem de semeadura da forrageira é de 14 a 21 dias após a emergência da leguminosa. Defasagem inferior aumenta o risco de competição e, superior, pode causar a morte das plantas de capim por excesso de sombreamento.
O especialista ainda lembra que o momento da semeadura do capim deve estar alinhado às condições climáticas. Também é recomendado observar o espaçamento das entrelinhas do grão, que deve ser de 50 cm a 60 cm, para possibilitar a semeadura da forrageira com semeadora leve acoplada ao terceiro ponto do trator, equipado com rodas finas. “É necessária uma semeadora específica para grãos miúdos ligada ao terceiro ponto do trator.
Na falta desse implemento, montar uma semeadora é relativamente simples. É preciso um chassi de plantadeira, caixa para sementes miúdas e linhas de plantio”, recomenda.
Para facilitar, Zago que trabalhou ao lado dos pesquisadores Rodrigo Arroyo Garcia e Germani Concenço no desenvolvimento da solução, preparou um guia com possíveis causas e soluções para a adoção:
Os experimentos
Propriedades rurais de Maracaju, Dourados, Nova Andradina, Anaurilândia, Rio Brilhante e Nova Alvorada do Sul, municípios localizados no sul de Mato Grosso do Sul, foram escolhidas para validar o sistema Antecipasto por sua diversidade e aptidão agrícola.
Uma das propriedades participantes é a Rosa Branca em Rio Brilhante, que produz soja em solos argilosos. Em 2019, dois hectares de soja foram semeados, seguindo o protocolo da pesquisa; o capim BRS Tamani veio depois, com semeadora para grãos miúdos, com taxa de 4 kg por hectare de sementes puras viáveis. O panicum foi semeado em outros dois momentos, um em sobressemeadura, antes da queda das folhas de soja (janeiro de 2020) e, outro, logo após a colheita da soja.
O produtor Carlos Eduardo Barbosa detalha que, para a semeadura do capim, o espaçamento na entrelinha da soja foi entre 50 a 60 cm, e em áreas onde as plantas daninhas estavam sob controle. Mesmo nesse espaçamento foi detectado alto volume de palhada e boa distribuição. Ele conta que não houve problemas operacionais, como o comprometimento da separação de impurezas dos grãos de soja.
Video – Pesquisador e produtor explicam como funciona o Antecipasto
Fonte: Embrapa Gado de Corte
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
IGP-DI dispara em abril com pressão do petróleo e inflação se espalha pela economia, aponta FGV
Published
24 minutos agoon
11 de maio de 2026By
Da Redação
A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) acelerou fortemente em abril e registrou alta de 2,41%, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). Em março, o indicador havia avançado 1,14%.
Com o novo resultado, o IGP-DI acumula alta de 2,92% no ano e avanço de 0,78% nos últimos 12 meses. Em abril de 2025, o índice havia subido apenas 0,30%, acumulando elevação de 8,11% em 12 meses.
De acordo com a FGV, o principal fator de pressão inflacionária foi a escalada dos preços do petróleo no mercado internacional, que passou a impactar de maneira mais ampla diferentes setores da economia brasileira.
Petróleo pressiona indústria, logística e construção civil
Segundo o economista Matheus Dias, do FGV IBRE, o choque nos preços dos combustíveis deixou de afetar apenas os derivados de petróleo e passou a contaminar toda a cadeia produtiva.
“O aumento do preço do petróleo no mercado internacional começou a contaminar de forma mais ampla a estrutura dos índices de preços em abril. O choque deixou de atingir apenas combustíveis e passou a pressionar insumos industriais, custos logísticos, materiais de construção e parte da cadeia de alimentos”, destacou o economista.
A avaliação do mercado é de que a inflação pode ganhar caráter mais disseminado e persistente nos próximos meses, elevando a preocupação sobre custos de produção, transporte e consumo.
IPA acelera e mostra pressão forte no atacado
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa o atacado e possui maior peso dentro do IGP-DI, avançou 3,09% em abril, acima da taxa de 1,38% registrada em março.
Entre os estágios de processamento, os destaques foram:
- Bens Finais
- Alta de 0,79% em abril
- Em março, a variação havia sido de 1,04%
Já o índice de Bens Finais “ex”, que exclui alimentos in natura e combustíveis para consumo, acelerou de 0,21% para 0,86%.
Bens Intermediários
O grupo registrou forte aceleração:
- Março: 0,69%
- Abril: 3,27%
O indicador de Bens Intermediários “ex”, sem combustíveis e lubrificantes para produção, passou de 0,65% para 2,78%.
Matérias-Primas Brutas
As matérias-primas apresentaram uma das maiores pressões inflacionárias:
- Março: 2,11%
- Abril: 4,57%
O resultado reforça o aumento dos custos ao longo da cadeia produtiva, especialmente em setores ligados ao agronegócio, indústria e construção civil.
Inflação ao consumidor também ganha força
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,88% em abril, acelerando frente à alta de 0,67% observada em março.
Entre as oito classes de despesas analisadas, três grupos apresentaram avanço relevante:
- Saúde e Cuidados Pessoais: de 0,05% para 1,33%
- Educação, Leitura e Recreação: de -0,97% para 0,32%
- Habitação: de 0,36% para 0,46%
Por outro lado, cinco grupos registraram desaceleração:
- Despesas Diversas: de 1,70% para 0,10%
- Vestuário: de 0,48% para 0,02%
- Alimentação: de 1,31% para 1,19%
- Comunicação: de 0,10% para 0,00%
- Transportes: de 1,51% para 1,47%
Mesmo com desaceleração em alguns segmentos, o índice segue mostrando inflação disseminada no consumo das famílias.
Núcleo da inflação indica persistência dos preços
O Núcleo do IPC, considerado um dos principais termômetros da inflação estrutural, avançou 0,42% em abril, acima dos 0,37% registrados em março.
O Índice de Difusão — indicador que mede a proporção de itens com aumento de preços — ficou em 64,19%, ligeiramente abaixo dos 65,48% registrados no mês anterior.
Na prática, isso significa que mais da metade dos produtos e serviços pesquisados continua registrando alta de preços, reforçando a percepção de inflação espalhada pela economia.
Impactos no agronegócio preocupam produtores
Para o agronegócio, o avanço do IGP-DI acende alerta sobre aumento nos custos de produção, especialmente em:
- fertilizantes;
- combustíveis;
- defensivos;
- fretes;
- energia;
- materiais de construção rural;
- e insumos industriais.
A pressão sobre combustíveis e logística pode afetar diretamente margens do produtor rural, principalmente em cadeias dependentes de transporte de longa distância, como soja, milho, carnes e café.
Além disso, a alta das matérias-primas e dos bens intermediários tende a elevar os custos industriais ligados ao processamento de alimentos e à agroindústria nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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