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Pescadores recebem formação em condução de pesca esportiva e fortalecem turismo sustentável

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Pescadores e profissionais ligados ao turismo participam, em Cuiabá, de um curso de capacitação voltado à condução de pesca esportiva, iniciativa que reforça a profissionalização do setor e prepara a cidade para novos eventos e oportunidades econômicas. A formação oferece 20 vagas e é realizada por meio de parceria entre a Secretaria de Turismo do Estado de Mato Grosso e a Prefeitura de Cuiabá, com aulas ministradas pela empresa Igarapé.

A capacitação iniciou nesta segunda-feira (19) e segue até sexta-feira (23), com encontros no período da manhã, das 8h às 12h. O curso atende às novas exigências estabelecidas pelo Ministério da Pesca, que atualizou a nomenclatura e as atribuições da profissão, antes conhecida como guia ou piloteiro. Para atuar legalmente como condutor de pesca esportiva, agora é necessário cumprir requisitos específicos de formação e qualificação.

Segundo o diretor de Turismo, Fernando Sato, o conteúdo foi estruturado para atender às demandas atuais do mercado e às normas de sustentabilidade. “O curso aborda desde manutenção de embarcações e noções de primeiros socorros até o manejo correto das iscas e dos peixes. Um dos pilares centrais é a preservação ambiental, com orientações práticas sobre o tempo adequado de exposição do peixe fora da água e técnicas que aumentam suas chances de sobrevivência após a soltura”, destacou.

A programação inclui ainda mecânica náutica, legislação, funcionamento de torneios de pesca e, de forma especial, o relacionamento com o cliente. O objetivo é preparar os participantes para compreender as expectativas do turista e oferecer um atendimento profissional, seguro e acolhedor, reforçando a imagem de Cuiabá como destino de pesca esportiva responsável.

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O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo e Agricultura, Fernando Medeiros, ressaltou que a capacitação ocorre em um momento estratégico de transição econômica. Para ele, o turismo, especialmente a pesca esportiva, já se consolidou como um dos segmentos que mais movimentam a economia regional. “Os condutores de pesca esportiva atuam como verdadeiros embaixadores de Cuiabá e da região. Investir na qualificação dessas pessoas é essencial para fortalecer o setor e ampliar o mercado”, afirmou.

Medeiros enfatizou que o desenvolvimento do turismo precisa ser integrado. “Não basta capacitar o guia se não houver infraestrutura adequada e promoção do destino. O equilíbrio entre pessoas preparadas, estrutura e divulgação é o que garante resultados duradouros. Muitos condutores locais já trazem da pesca artesanal uma consciência ambiental sólida e sabem que o peixe vivo gera riqueza contínua, sendo pescado diversas vezes ao longo do tempo”, pontuou.

O curso é ministrado pelo engenheiro de aquicultura Marcos Vinícius Barros, coordenador da Igarapesca, e possui carga horária de 30 horas. A formação contempla desde noções de biologia dos peixes até atendimento ao cliente, primeiros socorros e introdução ao inglês básico, ampliando as possibilidades de atuação dos participantes. Ao final, os alunos recebem certificado que os habilita a exercer a atividade conforme a Classificação Brasileira de Ocupações.

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Além de qualificar profissionais, a iniciativa integra um projeto mais amplo que prevê a realização do 1º Festival de Pesca Urbana do Rio Cuiabá, programado para abril. Os participantes do curso estarão aptos a competir no evento e também a colaborar na organização e fiscalização, compondo uma equipe técnica preparada para garantir o sucesso da iniciativa.

Entre os alunos, a avaliação é positiva. Edmilson Muniz da Costa, de 58 anos, com mais de três décadas de experiência na pesca, afirma que buscou o curso para aprimorar o atendimento aos clientes e otimizar o trabalho. Para ele, a formação técnica é fundamental e a experiência tem sido proveitosa e enriquecedora.

Já Hélio Norberto da Cruz, conhecido como Tuyuyu, destaca que a capacitação surge como alternativa importante diante das mudanças no setor, como a implementação da cota zero, que impede a pesca predatória para venda. “O curso ajuda o pescador a se reinventar, melhorar o atendimento ao turista e diversificar a renda, garantindo a sustentabilidade da atividade”, avaliou.

A capacitação reafirma o compromisso das instituições envolvidas com o desenvolvimento econômico aliado à preservação ambiental, preparando Cuiabá para se consolidar como referência em pesca esportiva sustentável e de qualidade.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno

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O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.

A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.

No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.

O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.

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Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.

No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.

No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.

O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.

A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.

A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.

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Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.

A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.

No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.

O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.

Fonte: Pensar Agro

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