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Pecuária de Minas mostra sua força

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Minas Gerais tem mais reses – animais que são abatidos para alimentação humana – do que gente. Quem pensa que Belo Horizonte, com sua “selva de pedra”, não tem criação alguma, engana-se. A cidade conta com 269 cabeças de gado. Embora Uberaba, no Triângulo, seja a “capital do zebu”, o município do estado com mais bovinos é Prata, na mesma região. Essas informações estão na Pesquisa da Pecuária Municipal 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mais do que as curiosidades, o destaque do resultado do estudo, divulgado recentemente, é o potencial da produção pecuária do estado. Minas tem o quarto maior rebanho bovino nacional, sendo o maior produtor de leite do país, responsável por 27% do volume nacional. Também ocupa o quarto lugar na criação de suínos e o quinto na de galináceos, exportando frangos para mais de 80 países.

As potencialidades do estado no setor são enaltecidas pelo presidente da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Sistema Faemg/Senar), Antônio de Salvo. “As cadeias da pecuária são bastante importantes para a economia e o agronegócio mineiro. Assim como as cadeias agrícolas, que tiveram avanço tecnológico voltados para a agricultura de precisão, esperamos que essa intensificação também ocorra nas cadeias de pecuária, uma vez que já são bastante desenvolvidas”, afirma Salvo. “Pontualmente, a pecuária de corte vem conquistando novos mercados considerando a qualidade e sanidade do nosso rebanho; a gripe aviária não nos atingiu nesse 2023, justamente pelas ações rápidas e alinhamento produtivo, possibilitando o atendimento às demandas internacionais e sendo enviadas para 86 países (no período de janeiro a outubro/2023)”. Ele ressalta que, da mesma forma, a produção de carne suína avança em Minas, com a exportação para 30 país, atingindo 17,8 mil toneladas e US$ 39 milhões comercializados anualmente.

De acordo com o levantamento do IBGE, Minas Gerais conta com um rebanho bovino de 22,993 milhões de cabeças. O número é 2,455 milhões a mais do que a população do estado, que é de 20,538 milhões de habitantes, segundo o Censo 2022, divulgado pelo instituto em 28 de junho deste ano. O rebanho bovino mineiro mensurado em 2022 apresentou um crescimento de 3,7% em relação à criação mineira em 2020, que era de 22,165 milhões. Com isso, o estado se tornou o quarto maior criador de gado do país, atrás de Mato Grosso, Pará e Goiás.

Minas Gerais segue como uma potência na criação de gado zebu. O presidente da Associação Brasileira de Gado Zebu (ABCZ), Gabriel Garcia Cid, ressalta que o estado é o “berço” das raças zebuínas, nas quais avança com o melhoramento genético. Sediada em Uberaba, cidade do Triângulo que promove anualmente a tradicional Exposição Nacional de Gado Zebu (Expozebu), a ABCZ implementou o Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMCZ), que já atingiu 400 mil matrizes.

“O rebanho bovino de Minas Gerais sempre foi e sempre será uma grande referência tanto em quantidade de animais quanto na qualidade de sua produção de carne e leiteira. Faz parte da filosofia do criador mineiro criar bem no sentido peculiar e de tradição na seleção das raças bovinas e em especial as zebuínas”, afirma o gerente de Fomento a Programas de Melhoramento Genético da ABCZ, Ricardo Abreu. Ele lembra que Minas Gerais é o estado brasileiro com maior quantidade de animais das raças zebuínas registradas (mais de 100 mil por ano) e salienta que o melhoramento genético do gado zebu é contínuo, otimizando os resultados para os pecuaristas. “A evolução genética que observamos nos melhores índices de produtividade nas características econômicas selecionadas pelos criadores das raças zebuínas de corte e de leite comprova que os criadores continuam investindo na melhoria do seu negócio através do melhoramento genético”, afirma.

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PRATA, CAPITAL DO GADO

Uberaba, de 337,83 mil habitantes, no Triângulo Mineiro, é conhecida nacionalmente como a “capital do zebu”. Mas, a cidade mineira que é a “capital do gado” é Prata, de 28,34 mil habitantes, na mesma região. Prata é o município mineiro maior criador de bovinos, com 392.390 cabeças, enquanto Uberaba ocupa a 14ª posição no estado, com 172.629 animais.

Na outra ponta, está Raposos, na Região Metropolitana de BH, como o município mineiro com menor quantidade de bovinos: 52 cabeças.O Triângulo é a macrorregião do estado com maior quantidade de bovinos (5.437.061 cabeças). Em segundo lugar, figura o Norte de Minas (2.834.992 cabeças), que, em 2023, enfrentou a pior seca da sua história e teve, como uma das consequências mais drásticas, as mortes de animais por falta de comida e sede. O Sul/Sudoeste é a terceira macrorregião com mais reses no estado (2.480.775 cabeças)

A POTÊNCIA DA SUINOCULTURA

Minas Gerais também mostra a sua força na produção de carne suína. Com 5,63 milhões de cabeças, o estado é o quarto maior criador de suínos do país, sendo superado apenas por Santa Catarina (9,82 milhões), Paraná e pelo Rio Grande do Sul (6,17 milhões de cabeças), aponta a pesquisa da Pecuária Municipal 2022, do IBGE. “Somos responsáveis por 13% do plantel brasileiro e levamos à mesa da população brasileira o melhor da proteína suína. Este lugar no ranking de produção demonstra a aptidão da produção da proteína em Minas, bem como a preferência do mineiro por esta carne”, frisa João Carlos Bretas Leite, presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg).

Ele lembra que Minas Gerais também é o estado brasileiro que mais consome carne de porco, em média 27,1 quilos por pessoa ao ano. O número está acima da média nacional, de 20 quilos per capita/ano. A carne suína é o ingrediente de diversos pratos tradicionais da culinária mineira, como feijão tropeiro, torresminho e barriga à pururuca. O presidente da Asemg destaca que o setor gera 160 mil empregos no estado, onde alcançou um faturamento de R$ 5,46 bilhões em 2022, segundo o IBGE.

“A suinocultura é uma cadeia produtiva que tem uma enorme capacidade de realização no que tange a produção de proteína de altíssima qualidade, comercializada a preços interessantes à população estando em primeiro lugar no quesito preço ao consumidor”, assegura. “Somos geradores de tecnologias, espelhadas por diversas partes do mundo. Produzimos energia limpa capaz de abastecer sozinha cidades inteiras, ou seja, somos um setor imprescindível para o estado de Minas Gerais e para o Brasil como um todo”, enfatiza Bretas Leite, lembrando que o território mineiro conta com cerca de 1,2 mil suinocultores, divididos entre os de subsistência e os produtores de menor porte e os que atuam com granjas industriais.

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UBERLÂNDIA NA LIDERANÇA

Uberlândia, com 713,2 mil habitantes, a segunda cidade mais populosa do estado, é o município mineiro com maior quantidade de suínos (635.885 cabeças), segundo a pesquisa do IBGE. No outro extremo estão os municípios de Santa Cruz de Minas, Confins e Bela Vista de Minas, onde não houve registro da criação de suínos; e Rochedo de Minas, com a ocorrência de apenas 21 porcos. O Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba é a macrorregião mineira com maior quantidade de suínos (2.057.451 cabeças), seguida da Zona da Mata (1.212.638 cabeças) e da Região Metropolitana de BH (604.884).

FRANGOS PARA 80 PAÍSES

Minas Gerais é o quinto maior produtor de galináceos do país, com 119,37 milhões de cabeças, revela a pesquisa Pecuária Municipal do IBGE. O estado é superado pelo Paraná (470,324 milhões cabeças), São Paulo (201,44 milhões), Rio Grande do Sul (178,7 milhões) e Santa Catarina (132,64 milhões cabeças). A Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig) destaca que, atualmente, o estado responde por 7,24% da produção nacional da carne de frango. Minas é o sexto maior estado brasileiro em número de alojamentos (granjas) de frango.

Em 2022, relatório da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), mostra que as exportações de frango em Minas Gerais alcançaram US$ 335,8 milhões, com um acréscimo de 40% em relação ao ano anterior. O volume embarcado foi de 159,1 mil toneladas, com um aumento de 9% em relação a 2021.

De acordo com a Avimig, a avicultura mineira gera cerca de 26,7 mil empregos diretos e aproximadamente 270 mil empregos indiretos. “Os galináceos constituem uma ordem de aves muito abrangente, essa ordem integra cerca de 70 gêneros e mais de 250 espécies. Os frangos e galinhas de produção comercial, como também faisões e perus, todos fazem parte da ordem dos galináceos. Em se tratando das aves de produção, frango de corte e galinha de postura, Minas Gerais tem grande relevância na produção dessas aves e de seus produtos”, enfatiza a Avimig.

De acordo com a pesquisa do IBGE, Uberlândia é a cidade mineira com mais galináceos (frangos e perus), com 12,440 milhões de cabeças; seguida de Pará de Minas (7,84 milhões) e São Sebastião do Oeste (5,69 milhões de cabeças). A pesquisa aponta que os municípios que têm mais galinhas de postura são Itanhandu (2,816 milhões de cabeças), Passa Quatro (2,27 milhões) e Montes Claros (2,244 milhões de cabeças).

PRODUÇÃO DE OVOS

Minas Gerais tem um plantel estimado em 20 milhões de galinhas de postura, com uma produção estimada em 5,8 bilhões de ovos por ano. Minas Gerais é o segundo maior produtor de ovos do Brasil, representando 10,24% da produção, atrás apenas do Estado de São Paulo, que possui 29,38% da produção nacional. O estado é o terceiro maior exportador de ovos do Brasil, respondendo por 19,33% das vendas para o mercado externo. Em 2022, as exportações de ovos foram de US$ 2,4 milhões, com a venda de 1,8 mil toneladas do produto, informou a Avimig, baseada em dados da Seapa.

Fonte: Estado de Minas

Fonte: Portal do Agronegócio

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El Niño pode ganhar força em 2026 e elevar risco climático para o café no Brasil e no mundo

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O mercado global de café já começa a monitorar com atenção o possível fortalecimento do fenômeno El Niño ao longo de 2026. Projeções de centros climáticos internacionais indicam aumento relevante na probabilidade de ocorrência do evento, o que pode elevar os riscos climáticos para a produção agrícola em diversas regiões do mundo.

De acordo com a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), há cerca de 60% de chance de formação do El Niño entre maio e julho. Já modelos do IRI (International Research Institute for Climate and Society), ligado à Universidade de Columbia, indicam cenário semelhante no curto prazo e sugerem que o fenômeno pode se estender até o fim de 2026 e início de 2027.

Oceano Pacífico mais quente pode intensificar evento climático

As projeções não apontam necessariamente aumento da temperatura média global, mas indicam aquecimento acima da média da superfície do Oceano Pacífico equatorial — característica típica de um El Niño mais intenso.

Esse padrão tende a influenciar o regime de chuvas e temperaturas em várias regiões produtoras, ampliando riscos para culturas agrícolas sensíveis ao clima, como o café.

Segundo análises de mercado, o cenário reforça atenção especial para o desenvolvimento da safra 2026/27 em regiões como América Central, América do Sul, Sudeste Asiático e África Oriental.

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Café entra no radar de risco climático global

Especialistas alertam que um El Niño ativo e prolongado pode trazer temperaturas acima da média, além de períodos de seca ou chuvas excessivas, afetando diretamente o ciclo produtivo do café.

A avaliação de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets destaca que o fenômeno pode representar desafios relevantes para o setor. A principal preocupação está no impacto sobre o florescimento, enchimento dos grãos e desenvolvimento das lavouras.

Na América Central, países como Guatemala, Honduras e El Salvador podem enfrentar redução de chuvas e temperaturas mais elevadas durante fases críticas da produção.

Na Colômbia, o risco envolve impactos na safra principal de 2026/27 e possível prejuízo à chamada safra “mitaca”, caso o evento se prolongue.

África, Ásia e Brasil também podem ser afetados

Na África Oriental, o El Niño costuma provocar efeitos climáticos variados. Na Etiópia, pode haver redução de chuvas em períodos importantes e excesso hídrico na colheita, enquanto em Uganda aumenta o risco de enchentes e deslizamentos.

No Sudeste Asiático e na Índia, o fenômeno tende a favorecer condições mais secas e quentes, com possível enfraquecimento das monções e ondas de calor mais frequentes. Indonésia e Vietnã também podem ser impactados no ciclo das próximas safras.

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No Brasil, o efeito inicial pode reduzir o risco de geadas durante o inverno de 2026. No entanto, especialistas alertam para possíveis impactos no regime de chuvas durante a florada e desenvolvimento da safra 2027/28, especialmente se o fenômeno se prolongar.

Mercado do café pode sentir reflexos nos preços

Mesmo com expectativa de uma safra brasileira volumosa em 2026/27, que tende a pressionar cotações no curto prazo, o risco climático pode atuar como fator de sustentação dos preços.

Projeções indicam que o comportamento das temperaturas no Pacífico será determinante para o grau de impacto do fenômeno. Em alguns modelos, a anomalia pode superar 1,5°C entre outubro e novembro de 2026, caracterizando um evento mais intenso.

Nesse contexto, analistas destacam que o clima passa a ser variável central de atenção para o mercado global de café, podendo limitar movimentos mais acentuados de queda nas cotações ao longo do período.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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