AGRONEGÓCIO
Paraná acelera produção de etanol de milho e surge como novo polo energético do agronegócio brasileiro
Publicado em
18 de maio de 2026por
Da Redação
O Paraná avança rapidamente para se consolidar como um dos principais polos de etanol de milho do Brasil. Dados divulgados pelo Departamento de Economia Rural Deral, ligado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, mostram que a produção estadual do biocombustível deverá crescer 71,1% na safra 2026/27.
A produção paranaense de etanol de milho está estimada em 31,54 milhões de litros, ante 18,43 milhões de litros registrados no ciclo anterior. O crescimento acompanha a forte expansão nacional do setor, impulsionada pelo aumento da demanda por combustíveis renováveis e pela ampliação da industrialização do milho no Brasil.
Etanol de milho ganha força e já representa 28% da oferta nacional
Segundo o boletim conjuntural do Deral, a produção total de etanol no Brasil — considerando cana-de-açúcar e milho — deverá atingir 40,69 bilhões de litros na safra 2026/27, avanço de 8,5% sobre o ciclo anterior.
O principal motor dessa expansão é justamente o etanol de milho, que já responde por 28% da oferta nacional. O crescimento chama atenção porque, na safra 2020/21, a participação do cereal era de apenas 9%.
O avanço do setor reforça a mudança estrutural da matriz energética do agronegócio brasileiro, especialmente nas regiões produtoras de grãos.
Embora o Paraná ainda não possua um polo consolidado de etanol de milho como Mato Grosso e Goiás, o Estado vem atraindo investimentos relevantes em novas plantas industriais e ampliação da capacidade produtiva.
A expectativa do setor é que o Paraná passe a ocupar posição de destaque no mercado nacional nos próximos anos, aproveitando a elevada produção de milho e a logística estratégica da região Sul.
Produção de etanol de cana recua no Paraná
Enquanto o milho avança, a produção de etanol derivado da cana-de-açúcar no Paraná apresenta leve retração.
A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, volume 2,2% inferior ao registrado no período anterior.
Ainda assim, o segmento sucroenergético segue relevante para a economia estadual, principalmente nas regiões Norte e Noroeste do Paraná.
Leite registra valorização e melhora margem do produtor
Outro destaque do boletim do Deral é o mercado leiteiro paranaense, que atravessa um período de preços mais elevados ao produtor.
Na primeira semana de maio, o litro do leite registrou alta de 5,2%, atingindo R$ 2,56. O movimento é impulsionado pela redução sazonal da captação e pelo aumento dos custos de alimentação do rebanho.
Com menor oferta disponível para as indústrias, os preços seguem sustentados, melhorando a rentabilidade das propriedades leiteiras.
Apesar do cenário positivo, o setor mantém preocupação com o avanço das importações de lácteos. No primeiro trimestre de 2026, as compras externas cresceram 26,5%, elevando a concorrência de produtos importados no mercado interno.
Milho resiste às geadas no Paraná
As lavouras de milho segunda safra no Paraná também seguem no radar do mercado. Segundo o Deral, as geadas isoladas registradas recentemente no Sul do Estado não provocaram impactos relevantes nas áreas cultivadas.
Atualmente, 96% das lavouras permanecem em desenvolvimento, enquanto a previsão climática indica chuvas e temperaturas acima de 8°C na segunda quinzena de maio, reduzindo o risco de perdas mais severas.
O desempenho da safrinha é considerado estratégico tanto para o abastecimento interno quanto para o crescimento da cadeia de etanol de milho no Estado.
Exportações de ovos ganham novos mercados
No setor avícola, o mercado de ovos passa por uma reestruturação global após as mudanças tarifárias impostas pelos Estados Unidos, um dos maiores importadores mundiais.
Diante desse cenário, a avicultura brasileira ampliou sua presença em mercados de maior valor agregado. O Japão foi um dos principais destaques, com crescimento de 122,9% no faturamento das compras de ovos brasileiros.
Mesmo com queda de 5% no volume exportado pelo Brasil no primeiro trimestre, a receita avançou 16,4%, totalizando US$ 53,9 milhões.
Além do Japão, mercados como Chile, Emirados Árabes e Senegal também ampliaram significativamente as compras.
Nesse contexto, o Paraná consolidou sua posição como o segundo maior exportador brasileiro de ovoprodutos, com faturamento de US$ 13,7 milhões no primeiro trimestre de 2026.
O desempenho reforça a diversificação e a força do agronegócio paranaense, que amplia sua participação em cadeias estratégicas ligadas à energia renovável, proteínas animais e produção de grãos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Estudo aponta que revisão das regras pode reduzir piso do frete de grãos em até 11%
Published
20 horas agoon
27 de agosto de 2026By
Da Redação
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ampliou a pressão por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete rodoviário após um estudo da Universidade de São Paulo (USP) apontar que a metodologia atual pode superestimar os custos do transporte. No caso dos grãos, alterações em apenas um dos parâmetros poderiam reduzir os valores calculados entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância e da configuração do caminhão.
A discussão ocorre poucas semanas depois da sanção da Lei 15.485/2026, que modificou as regras da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC). A bancada ruralista participou das negociações no Congresso para construir um texto que preservasse a remuneração dos caminhoneiros sem impor custos considerados excessivos aos produtores e demais contratantes de frete.
Parte desse acordo, porém, foi vetada na sanção presidencial. Os vetos ainda aguardam análise do Congresso. Paralelamente, entidades do setor produtivo apresentaram à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) 15 sugestões para a regulamentação das novas regras.
A principal reivindicação é que o piso reflita com maior precisão o custo efetivamente necessário para realizar cada operação. A própria legislação sancionada determina que a metodologia seja técnica, transparente e aderente aos custos operacionais do transporte.
O debate ganhou respaldo de um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Os pesquisadores identificaram pelo menos 17 pontos que poderiam ser aperfeiçoados na metodologia utilizada para calcular o piso.
Um dos principais questionamentos está na quantidade de horas mensais atribuídas à utilização do caminhão. O cálculo atual considera 181 horas por mês. O estudo propõe elevar a referência para 220 horas, mais próxima da disponibilidade efetiva do veículo e do motorista.
A diferença é importante porque os custos fixos do caminhão são divididos pelo número de horas de operação. Quanto menor a utilização considerada na fórmula, maior tende a ser o custo atribuído a cada viagem.
Nas simulações realizadas pelos pesquisadores, a adoção de 220 horas reduziria em média 7,6% os pisos calculados. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, conforme o número de eixos e a distância percorrida.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre produtores e caminhoneiros, mas como uma correção necessária da forma de calcular o custo do transporte.
“Não interessa ao produtor rural ter um frete artificialmente barato que inviabilize o transportador. Caminhão parado também significa soja, milho, algodão e insumos parados. O que precisamos é de uma metodologia que remunere corretamente quem transporta, mas que seja baseada no custo real da operação. Se a fórmula parte de premissas que não correspondem à realidade, alguém acaba pagando uma conta maior do que deveria”, afirma Rezende.
Segundo Rezende, a diferença ganha importância porque o Brasil depende fortemente das rodovias para escoar a produção agrícola. “Uma diferença de 6%, 8% ou 10% no frete pode parecer pequena quando se olha apenas uma viagem. Quando isso é multiplicado por milhares de toneladas transportadas por centenas ou até mais de mil quilômetros, estamos falando de um impacto muito grande sobre a margem do produtor e sobre a competitividade do produto brasileiro”.
Rezende acrescenta que o custo logístico começa antes da venda da safra. “O caminhão não leva apenas o grão para o armazém, para o porto ou para a indústria. Ele também traz fertilizante, sementes, defensivos, máquinas e outros insumos até a propriedade. Uma metodologia distorcida pode pesar nas duas pontas: aumenta o custo para produzir e volta a pesar quando chega a hora de comercializar a safra”.
Outro parâmetro questionado pela pesquisa é a vida econômica utilizada para calcular depreciação e remuneração do capital investido no caminhão. A metodologia considera sete anos, enquanto dados da própria ANTT indicam idade média de 16,4 anos para os veículos de tração que circulam no País.
Ao simular uma vida útil próxima de 16 anos e fazer outros ajustes relacionados a esse parâmetro, o estudo encontrou possibilidade de redução entre 6% e 10% no custo calculado para determinadas operações de transporte de grãos.
As propostas não se limitam a esses dois pontos. Os pesquisadores analisaram consumo de combustível, configuração e número de eixos dos veículos, retorno vazio, operações de maior produtividade e diferentes modalidades de contratação. A conclusão é que uma fórmula única pode não representar adequadamente a diversidade das operações realizadas nas rodovias brasileiras.
Entre as 15 contribuições apresentadas pelo setor produtivo à ANTT está justamente a adoção do custo operacional efetivo como referência. As entidades defendem que despesas que não representem desembolso necessário para a realização do transporte não sejam incorporadas artificialmente ao piso.
Outra discussão envolve o prazo para pagamento. A nova lei estabelece limite máximo de 30 dias úteis. O setor produtivo defende que a contagem comece na entrega da carga ao destino, evitando que parte do prazo seja consumida enquanto a mercadoria ainda está em trânsito.
A Lei 15.485 também tornou mais rígida a fiscalização. Toda operação de transporte rodoviário remunerado deverá ser registrada por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), conforme cronograma a ser estabelecido pela ANTT. A legislação prevê ainda multa de R$ 10,5 mil para determinadas infrações relacionadas à oferta ou contratação abaixo do piso e permite medidas contra reincidentes.
A FPA agora trabalha em duas frentes: tenta influenciar a regulamentação da ANTT para que a nova metodologia considere os custos efetivamente observados nas operações e articula no Congresso a análise dos vetos presidenciais.
Para o produtor rural, o resultado dessa discussão terá efeito direto sobre uma das principais despesas para colocar a safra no mercado. Em um País no qual boa parte dos grãos percorre centenas de quilômetros de caminhão entre a fazenda, os armazéns, as indústrias e os portos, alguns pontos percentuais no frete podem representar uma diferença relevante no resultado final da produção.
Fonte: Pensar Agro
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