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Os biocombustíveis representam uma contribuição valiosa e imediata da agroindústria da América Latina ao combate global à mudança do clima, revelam em COP28

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Os biocombustíveis líquidos são uma ferramenta que já está disponível nos países da América Latina e com a qual a região pode fazer uma contribuição muito valiosa ao enfrentamento da mudança do clima, revelaram representantes da agroindústria na COP28, foro de negociação ambiental que acontece nos Emirados Árabes Unidos e que atrai a atenção mundial.

O tema foi debatido em um painel realizado na Casa da Agricultura Sustentável das Américas, o pavilhão que o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) instalou com seus Estados Membros na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que este ano ocorre na cidade de Dubai com a presença de mais de 70.000 participantes, entre líderes políticos e climáticos mundiais, representantes do setor privado, ONGs e organizações sociais e de jovens.

Participaram do evento no pavilhão do IICA: Evandro Gussi, Presidente da UNICA (Associação Brasileira da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia); Carolina Rojas Hayes, Presidente da FEDEBIOCOMBUSTIBLES (Federação de Biocombustíveis da Colômbia); Gustavo Idígoras, Presidente da CIARA-CEC (Câmara da Indústria de Óleo da República Argentina-Centro de Exportadores de Cereais); e Julio Minelli, Presidente da APROBIO (Associação de Produtores de Biocombustíveis do Brasil).

O evento foi moderado por Flávio Castellari, Presidente do Arranjo Produtivo Local de Álcool (APLA) do Brasil.

Por sua vasta produção agropecuária sustentável e seu valioso desenvolvimento agroindustrial, a América Latina tem nos biocombustíveis um recurso muito mais eficaz do que a eletromobilidade para alcançar o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor de transporte, concordaram os expositores.

Assim, os biocombustíveis já demonstraram nos últimos anos que permitem avançar na transição para uma matriz energética mais limpa e contribuir para as metas globais de descarbonização acordadas pela comunidade internacional por meio do Acordo de Paris. São uma contribuição essencial que está disponível hoje mesmo para a América Latina e para todo o Sul global.

“Devemos abandonar os mitos e nos ater aos fatos. Em uma visão realista, a mobilidade sustentável depende de dois fatores, que são a redução de emissões de gases de efeito estufa por veículo e a intensidade de carbono da energia. E os biocombustíveis são muito eficientes nesse último aspecto. Por exemplo, o bioetanol de cana-de-açúcar reduz até 90% das emissões da gasolina”, disse Gussi.

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O Presidente da UNICA antecipou que, no Brasil, o setor se propõe a alcançar um fator de emissão negativo dentro de alguns anos. “Só conseguiremos isso com um aumento da produtividade. Hoje produzimos 70 toneladas de cana por hectare, mas chegaremos a 100”, afirmou o representante do setor agroindustrial brasileiro, que ponderou o papel do IICA na promoção do desenvolvimento da agroindústria sustentável desde a América para o mundo.

Na Colômbia, os biocombustíveis já têm uma tradição de quase 20 anos, disse Carolina Rojas, que especificou que a norma local hoje impõe um corte do combustível fóssil com 7% de bioetanol de cana-de-açúcar e 10% de biodiesel de óleo de palma.

“Assim, os colombianos contribuem para a mitigação da mudança do clima. O biodiesel reduz 84% das emissões do diesel; e o bioetanol, 73% as da gasolina. Estamos falando de 3 milhões de toneladas de CO2 que são retiradas da atmosfera com o consumo de combustíveis que temos, hoje, na Colômbia. É como se circulassem um milhão de veículos a menos, em um país que tem um parque automotor de um total de 6 milhões”, afirmou Rojas.

“Além disso, os biocombustíveis geram outros benefícios, uma vez que melhoram a qualidade do ar, criam empregos na agroindústria e colaboram com a soberania energética. O objetivo da Colômbia é reduzir em 50% suas emissões de gases efeito estufa até 2030, e os biocombustíveis podem contribuir com 15% para alcançar essa meta, aumentando as misturas obrigatórias e voluntárias”, acrescentou.

O IICA coordenou, juntamente com o setor privado, a criação da Coalizão Pan-Americana para Biocombustíveis Líquidos (CPBIO), formada pelas principais associações empresariais e industriais das Américas dedicadas à produção e ao processamento de açúcar, álcool, milho, sorgo, soja, óleo vegetal e grãos, entre outros produtos do setor agropecuário.

Como principais objetivos dessa nova entidade regional, destacam-se os de coordenar a elaboração, a promoção e o consumo sustentáveis dessas energias limpas no hemisfério.

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A criação do grupo ocorreu na Cúpula Pan-Americana de Biocombustíveis Líquidos, organizada em São José pelo IICA, que atua como Secretaria Técnica da coalizão.

Solução para a descarbonização

Julio Minelli ressaltou que os biocombustíveis são uma solução já disponível para a descarbonização, uma vez que não precisam de uma nova infraestrutura, mas apenas de aumentar as proporções em que se misturam com os combustíveis de origem fóssil.

“No Brasil, o biodiesel tem um mandato que começou em 2008, com um corte de 2%. Hoje temos 13%, e a perspectiva é chegar a 15% em 2026, mas podemos ampliar até 25%. Nesses 15 anos de biocombustíveis, evitamos emissões equivalentes à plantação de 1 bilhão de árvores. Digamos que é como se houvéssemos reflorestado toda a superfície dos estados brasileiros de Alagoas e Sergipe”, na região Nordeste do país, afirmou Minelli.

Idígoras deu detalhes sobre a indústria na Argentina, que realizou fortes investimentos nos últimos 20 anos e hoje tem seu ponto forte na produção de biodiesel de soja, tanto para consumo interno como para a exportação.

“A nossa capacidade de produção instalada é de 3.900.000 toneladas, mas hoje se produzem anualmente 1.900.000 toneladas, por questões regulatórias, de modo que possuímos dois milhões de toneladas de capacidade de produção ociosa”, precisou.

Idígoras enfatizou que a soja com a qual se fabrica o biodiesel na Argentina é produzida de maneira sustentável, uma vez que 97% são cultivadas com o pacote de plantio direto, que inclui a redução do uso de agroquímicos e favorece uma menor erosão do solo.

“Estamos em condições de continuar crescendo — concluiu —, com uma grande capacidade agroindustrial que não está sendo utilizada e que nos permitiria fazer uma contribuição ainda maior à redução da mudança do clima. A transição energética em nossos países não deve se basear tanto na eletromobilidade, que requer grandes investimentos, mas nos recursos naturais que temos hoje e que já estão disponíveis”.

Fonte: IICA

Fonte: Portal do Agronegócio

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Preço do milho recua no Brasil com avanço da safrinha e demanda fraca; exportações seguem em ritmo positivo em junho

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O mercado brasileiro de milho encerrou a semana com viés de baixa nas cotações, refletindo um ambiente de demanda mais cautelosa e expectativas de aumento da oferta com o avanço da colheita da segunda safra (safrinha). Segundo a consultoria Safras & Mercado, os compradores seguem atuando de forma pontual, priorizando aquisições imediatas e aguardando maior disponibilidade do cereal nas próximas semanas.

O cenário combina pressão de preços no mercado interno com fundamentos externos relativamente mais estáveis, ainda que sem força suficiente para sustentar altas no curto prazo.

Demanda interna segue lenta e compradores aguardam safra avançar

A movimentação no mercado físico do milho segue limitada, com consumidores adotando postura mais defensiva. As negociações são pontuais e o foco está na expectativa de entrada mais expressiva da safrinha no mercado ao longo das próximas semanas.

Apesar da colheita ainda estar em fase inicial em grande parte das regiões produtoras, produtores já começam a aumentar a oferta disponível, ajustando preços diante da necessidade de escoamento da produção.

Esse movimento de maior flexibilidade nas pedidas reforça o viés de baixa no curto prazo, em um ambiente de liquidez reduzida e compradores aguardando melhores oportunidades.

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Paridade de exportação perde força com Chicago fraca e dólar estável

No mercado externo, a paridade de exportação teve pouca variação ao longo da semana. O dólar apresentou movimentos moderados, enquanto a Bolsa de Chicago permaneceu próxima das mínimas recentes, pressionada pelo bom desenvolvimento das lavouras de milho nos Estados Unidos.

Esse cenário reduziu o suporte para os preços internos, limitando qualquer reação mais consistente no mercado físico brasileiro.

Milho recua no Brasil e preços variam entre regiões produtoras

O preço médio da saca de milho no Brasil foi cotado a R$ 60,08 no dia 18 de junho, queda de 1,71% frente aos R$ 61,12 registrados na semana anterior.

Entre as principais praças acompanhadas, os preços foram os seguintes:

  • Cascavel (PR): R$ 58,00/saca (-3,33%)
  • Campinas (SP – CIF): R$ 65,00/saca (estável)
  • Mogiana (SP): R$ 60,00/saca (estável)
  • Rondonópolis (MT): R$ 51,00/saca (estável)
  • Erechim (RS): R$ 68,00/saca (-1,45%)
  • Uberlândia (MG): R$ 60,00/saca (estável)
  • Rio Verde (GO): R$ 56,00/saca (-3,45%)

O comportamento regional reforça um mercado heterogêneo, com pressão mais intensa em áreas próximas à colheita e maior estabilidade em polos consumidores.

Exportações de milho crescem em volume e receita em junho

Mesmo com a pressão no mercado interno, as exportações brasileiras de milho seguem em crescimento no início de junho.

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Até o momento (9 dias úteis), os dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam:

  • Receita total: US$ 61,626 milhões
  • Média diária: US$ 6,847 milhões
  • Volume exportado: 265,162 mil toneladas
  • Média diária: 29,462 mil toneladas
  • Preço médio: US$ 232,40 por tonelada

Na comparação com junho de 2025, houve:

  • Alta de 46,9% na receita média diária
  • Crescimento de 59,5% no volume exportado
  • Queda de 7,9% no preço médio por tonelada

O desempenho indica maior competitividade do milho brasileiro no mercado internacional, ainda que com preços médios mais pressionados.

Mercado do milho entra em fase decisiva com avanço da safrinha

Com a colheita da safrinha ganhando ritmo nas próximas semanas, o mercado de milho no Brasil tende a permanecer sob pressão no curto prazo. A combinação entre maior oferta, demanda interna contida e fundamentos externos mais fracos sustenta o viés de baixa, enquanto o desempenho das exportações segue como principal fator de equilíbrio para o setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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