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O desafio da cintilação ionosférica na agricultura de precisão

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Trabalhar com agricultura é também enfrentar uma diversidade de desafios impostos pela natureza. Condições climáticas desfavoráveis, como chuvas irregulares, ventos fortes e granizo, são obstáculos comuns para produtores e empresas envolvidas com o setor. Neste ano, no entanto, a entrada em um novo pico de explosões solares tem causado dor de cabeça para quem depende da agricultura de precisão, como as tecnologias de posicionamento via satélite, para operar as máquinas agrícolas.

A cintilação ionosférica é um fenômeno que envolve variações rápidas e irregulares na intensidade dos sinais de radiofrequência que viajam através da ionosfera, região da atmosfera terrestre que contém partículas ionizadas, o que a torna capaz de refletir e refratar sinais de rádio, como os utilizados em comunicações via satélite e sistemas de navegação GNSS (Global Navigation Satellite System).

Essas variações na intensidade dos sinais de rádio ocorrem devido a perturbações nas concentrações de elétrons livres na ionosfera, que podem ser influenciadas por diversos fatores, incluindo a atividade solar, eventos geomagnéticos e condições meteorológicas na alta atmosfera. As flutuações na densidade eletrônica da ionosfera causam distorções nos sinais de rádio, levando a flutuações na intensidade, fase e frequência dos sinais. Algumas consequências desse fenômeno são quase imperceptíveis, como um pequeno desvio, de 1 ou 2 metros, no GPS do seu celular. Quando se trata de agricultura de precisão, no entanto, poucos centímetros de erro no posicionamento das máquinas podem afetar a qualidade das operações.

Muitos agricultores, especialmente no Brasil, plantam e colhem duas safras por ano, e dependem da tecnologia de agricultura de precisão para semear e colher com rapidez e exatidão. Com uma estimativa de produção de 317,5 milhões de toneladas para a safra 2023/24, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), esses produtores não têm brechas para permanecer com as máquinas paradas. Durante os períodos de plantio e colheita, as fazendas costumam operar 24 horas por dia, 7 dias por semana, e o posicionamento preciso via GNSS é essencial para o uso de soluções como piloto automático e o controle de tráfego, por exemplo. Quando a cintilação ionosférica afeta o desempenho dos sistemas de localização, isso causa atrasos e imprecisões, impactando diretamente a produtividade das propriedades agrícolas, prejudicando a eficiência e a rentabilidade das operações.

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Para mitigar os impactos causados pela cintilação ionosférica, e também por outros problemas que possam afetar os receptores, os agricultores têm à disposição diversas opções de correção GNSS, como PPP (Precise Point Positioning) e RTK (Real-Time Kinematic). Essas alternativas visam aumentar a precisão do posicionamento para aplicações de alta precisão e criar níveis diferentes de resiliência contra a interferência ionosférica. No entanto, mesmo assim ela pode afetar esses serviços, causando erros nos cálculos de posição do receptor. Nos sistemas RTK, que dependem de medições de carrier phase, a cintilação pode prejudicar drasticamente a precisão do posicionamento, especialmente em distâncias maiores da estação base

Para superar esses desafios, o posicionamento PPP é uma opção mais confiável. Diferentemente do RTK, o PPP estima os erros ionosféricos no local do receptor e não depende de correções de uma estação-base local. Isso permite que os usuários alcancem alta precisão em qualquer lugar dentro da área de cobertura global. Além disso, o PPP leva em consideração o ambiente ionosférico imediato, tornando-se menos sensível às mudanças na atividade atmosférica.

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Em um estudo de caso realizado pela Hexagon | NovAtel em 2020, analisamos a atividade ionosférica na região centro-oeste do Brasil, comparando uma solução de posicionamento RTK padrão e uma solução de posicionamento PPP TerraStar-C PRO (TSC PRO), desenvolvido pela NovAtel. Uma coleta de dados em 24 horas capturou os impactos noturnos da atividade ionosférica e trouxe alguns insights: enquanto o desempenho da posição de RTK a 10 km da base é degradado por muitas horas, apresentando erros de até 25 centímetros, o receptor que usa correções TSC PRO continua a experimentar precisão em nível de centímetro, com desvios máximos mais curtos de até 10 centímetros.

Em resumo, a cintilação ionosférica é um desafio crescente para a agricultura de precisão, afetando a produtividade e a eficiência das operações agrícolas. Para minimizar seus impactos, a adoção de serviços de correção como o TerraStar-C PRO tem se mostrado uma solução resiliente e confiável, permitindo que os agricultores continuem suas operações de forma precisa e eficaz, mesmo em condições desafiadoras. O desenvolvimento de soluções de precisão cada vez mais avançadas nos detalhes é crucial para garantir o sucesso da agricultura.

Fonte: Dialetto

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Agronegócio prioriza eficiência e retorno rápido em meio a juros altos e desaceleração do setor

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Agro adota postura mais conservadora diante de cenário de juros elevados e crédito restrito

O agronegócio brasileiro vive um momento de maior cautela na tomada de decisões de investimento. Em um ambiente marcado por juros elevados, restrição de crédito e maior incerteza econômica, empresas do setor têm priorizado projetos com retorno financeiro mais rápido e previsibilidade de resultados.

A mudança ocorre após um ciclo de forte desempenho em 2025, quando o agro teve papel relevante na expansão da economia. Para 2026, no entanto, a expectativa é de desaceleração, com impacto direto sobre margens e ritmo de investimentos.

Esse novo cenário reforça uma tendência de maior disciplina na alocação de capital, com foco em eficiência operacional e sustentabilidade financeira no longo prazo.

Plano Safra revela retração em linhas de investimento e mudança no perfil do crédito rural

Dados do Plano Safra 2025/2026, divulgados pelo Ministério da Agricultura com base em informações do Banco Central, mostram que o crédito rural mantém crescimento no volume total, mas com forte retração nas linhas de investimento.

Entre os principais recuos estão:

  • Moderfrota: queda de 49%
  • Proirriga: redução de 48%
  • Inovagro: retração de 33%
  • Pronamp: queda de 34%

O movimento indica uma mudança de comportamento no campo: produtores estão priorizando o custeio da operação imediata e adiando decisões relacionadas à modernização e expansão das atividades.

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Na prática, o setor passa por uma reorganização de prioridades, com maior foco na manutenção da liquidez e menor apetite por projetos de longo prazo.

Juros altos e incerteza reduzem apetite por investimentos de longo prazo no agro

Para o economista Alexandre Schwartsman, o ambiente atual combina custo elevado de capital e menor previsibilidade, fatores que influenciam diretamente a estratégia de investimento das empresas.

“Com crédito mais caro e maior incerteza, as empresas passam a priorizar caixa e previsibilidade, reduzindo o apetite por projetos com retorno mais longo”, avalia.

Esse movimento tem levado companhias do agronegócio a revisar portfólios de projetos, elevar critérios de aprovação e reforçar análises de retorno financeiro, especialmente em iniciativas ligadas à expansão e modernização.

Eficiência operacional e tecnologia ganham protagonismo nas decisões do setor

Com maior pressão sobre resultados, cresce a prioridade por projetos voltados à eficiência operacional, redução de custos e ganho de produtividade. A lógica é clara: em um cenário de margens mais apertadas, apenas iniciativas com impacto direto no resultado ganham espaço.

Empresas que atuam na modernização de sistemas e processos, como a MIGNOW, observam aumento na participação de áreas financeiras — especialmente CFOs — na avaliação de investimentos, com foco em previsibilidade e retorno mais rápido.

Segundo o CEO da companhia, Paulo Secco, há uma mudança clara no perfil de aprovação de projetos no setor.

“O que vemos na prática é uma mudança clara de comportamento. Empresas que antes aprovavam projetos com mais flexibilidade hoje exigem retorno muito mais rápido e previsível”, afirma.

De acordo com ele, iniciativas são cada vez mais reavaliadas não pela falta de necessidade, mas pela exigência de maior visibilidade sobre impacto financeiro.

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Automação e controle de riscos se tornam estratégicos no agronegócio moderno

Além da revisão de prioridades, cresce a demanda por maior controle de prazos, custos e execução em projetos de transformação digital e operacional.

A adoção de abordagens mais estruturadas e automatizadas tem sido apontada como fator de redução de riscos e aumento de eficiência. Em projetos de atualização e conversão de sistemas, por exemplo, há casos de automação que chegam a até 97%, contribuindo para menor incidência de falhas e maior previsibilidade de resultados.

Nesse contexto, o agronegócio passa a incorporar práticas mais rigorosas de governança e gestão de projetos, alinhadas ao ambiente de maior pressão financeira.

Eficiência se torna fator central de competitividade no agro

O atual cenário reforça uma mudança estrutural no comportamento do agronegócio brasileiro. Com crédito mais caro e menor espaço para erro, a eficiência operacional, a disciplina financeira e a priorização de investimentos com retorno claro passam a ser determinantes para a competitividade do setor nos próximos ciclos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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