AGRONEGÓCIO

G20: Negociações Desequilibradas Comprometem a Agricultura Brasileira

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Apesar de sua relevância no cenário econômico global, as discussões do G20 têm apresentado resultados pouco expressivos para a agricultura brasileira. As negociações frequentemente ignoram as particularidades do setor no Brasil, expondo um desequilíbrio de interesses e uma falta de isonomia que prejudicam o país na consolidação de seu papel como líder estratégico e sustentável no agronegócio mundial.

Um dos maiores desafios enfrentados pelo Brasil é competir com subsídios destinados a outros grandes players, como a França. Este país, que critica a sustentabilidade da produção brasileira, financia sua própria agricultura em larga escala, frequentemente questionada em termos ambientais. Esse cenário ressalta a discrepância entre a imagem projetada da produção brasileira e os avanços reais conquistados pelo país em produtividade e sustentabilidade.

Embora o Brasil seja reconhecido como um dos maiores exportadores agrícolas globais, a narrativa internacional muitas vezes ignora os investimentos em tecnologia e inovação que tornam sua produção uma das mais sustentáveis do mundo. Paradoxalmente, as reuniões do G20, em vez de apoiar a agricultura nacional, frequentemente servem de palco para discursos que a colocam em posição desfavorável.

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Internamente, desafios como o aumento do desmatamento e das queimadas evidenciam a necessidade de políticas públicas mais robustas, que promovam uma avaliação justa das práticas sustentáveis já implementadas no país. A falta de suporte financeiro adequado e de segurança jurídica enfraquece o posicionamento brasileiro no cenário internacional, mesmo diante do uso crescente de tecnologias avançadas no campo.

A expansão do mercado de fertilizantes especiais é um exemplo positivo. Em 2023, o setor registrou crescimento de 2%, atingindo R$ 22,642 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo). Tecnologias inovadoras, como biofertilizantes e produtos biológicos, têm garantido maior eficiência com menor impacto ambiental, alinhando o país às melhores práticas internacionais.

Além disso, um estudo da consultoria McKinsey, intitulado Global Farming, aponta perspectivas promissoras para o crescimento sustentável da agricultura brasileira. Entre 2022 e 2024, o uso de produtos biológicos cresceu 35%, e 70% dos produtores pretendem manter ou ampliar investimentos nessa área, independentemente das flutuações nos preços dos insumos convencionais.

Porém, os avanços tecnológicos enfrentam entraves, como o difícil acesso ao financiamento verde e a ausência de regulamentações eficazes que garantam estabilidade ao setor. O Brasil possui recursos naturais, tecnologia e vontade para liderar a agricultura sustentável mundial, mas carece de políticas públicas consistentes e de reconhecimento internacional para alavancar esse potencial.

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O G20 poderia ser uma plataforma estratégica para promover o agronegócio brasileiro, mas as negociações continuam reféns de interesses protecionistas que ignoram a contribuição do país para a segurança alimentar global. Para que o Brasil se consolide como referência em agricultura sustentável, é fundamental que governos e instituições atuem com transparência, baseados na ciência e em práticas éticas, oferecendo suporte robusto ao setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Exportação recorde de soja pressiona portos e expõe falta de armazéns

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O Brasil deverá exportar o volume recorde de 114 milhões de toneladas de soja em 2026, quase 5% acima da maior marca já registrada, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O avanço dos embarques aumenta a pressão sobre armazéns, estradas, ferrovias e terminais portuários em um ano de produção elevada.

Entre janeiro e julho, o País exportou 84,8 milhões de toneladas da oleaginosa, cerca de 5 milhões a mais que no mesmo período de 2025. Com as 9,74 milhões de toneladas previstas para agosto, o volume acumulado poderá chegar a 94,5 milhões antes do início do último quadrimestre.

A movimentação já aparece nos portos. Santos encerrou o primeiro semestre com 92,8 milhões de toneladas de cargas, crescimento de 5,05% em relação ao mesmo período do ano passado. A soja liderou as exportações do complexo, com 25,61 milhões de toneladas embarcadas.

O desafio começa antes da chegada aos terminais. A estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma produção de 347,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026. A capacidade estática de armazenagem era de 233,8 milhões de toneladas no fim de 2025.

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A diferença chega a 113,6 milhões de toneladas. Isso não significa que todo esse volume ficará sem espaço, porque os armazéns são esvaziados e reutilizados ao longo do ano. O descompasso, porém, obriga produtores e comercializadoras a movimentar rapidamente a safra, principalmente quando a colheita de soja coincide com a retirada do milho armazenado.

Sem estrutura suficiente nas propriedades e nas regiões produtoras, parte dos grãos precisa seguir para os portos mesmo quando o momento de venda não é o mais favorável. O resultado pode ser aumento do frete, formação de filas, ocupação dos pátios e menor poder de escolha para o produtor.

Nos terminais, o crescimento do volume exige controle sobre temperatura, umidade e tempo de permanência dos grãos. Atrasos na chegada dos navios ou interrupções no embarque podem provocar perda de peso, aquecimento da massa armazenada e deterioração da qualidade.

Segundo Franklin Oliveira, responsável pelo setor de indústria e portos da AGI Brasil, os terminais precisam funcionar com maior precisão para evitar que o acúmulo de carga provoque perdas ou paralise a operação. Sistemas de aeração, medição de temperatura e acompanhamento dos estoques permitem identificar problemas antes que o produto seja embarcado.

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Outro ponto crítico é a mistura de lotes, conhecida como blending. O procedimento combina grãos com características diferentes para alcançar o padrão definido no contrato de exportação. Quando a operação é mal executada, o exportador pode entregar soja de qualidade superior sem receber remuneração adicional ou sofrer desconto por enviar um produto abaixo da especificação.

A rastreabilidade também ganhou importância. Terminais e armazéns precisam comprovar a origem, o volume e a qualidade dos estoques, sobretudo quando os grãos servem de garantia para operações de crédito ou investimentos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).

O avanço das exportações mostra que os portos brasileiros vêm aumentando sua movimentação. O risco está na falta de crescimento equivalente da armazenagem e dos acessos terrestres. Para o produtor, gargalos nessa cadeia significam frete mais caro, espera para descarga e pressão para vender a produção em momentos de maior oferta.

Fonte: Pensar Agro

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