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Urgência e Retribuição: A Necessidade de Compensação Ambiental na Agricultura Brasileira

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O Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC), José Zeferino Pedrozo, destaca a crescente urgência de proteger os recursos naturais em meio à crise climática global. O aquecimento global, as secas prolongadas e os incêndios em diferentes biomas brasileiros acentuam a necessidade de uma abordagem sustentável para a agricultura, que é diretamente impactada pelos recursos naturais.

Para garantir a sustentabilidade econômica e ecológica, é essencial encontrar formas alternativas de compensação para os produtores que desempenham um papel crucial na proteção ambiental. A agricultura não pode arcar sozinha com os custos associados à recomposição florestal e outras medidas conservacionistas. A implementação dessas medidas deve considerar os riscos de desestruturação social e econômica para o setor agropecuário.

Em resposta a essa necessidade, foi criada em 2021 a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA), por meio da Lei Federal nº 14.119/2021, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro. A PNPSA visa incentivar a conservação de ecossistemas, recursos hídricos, solo, biodiversidade e patrimônio genético, ao mesmo tempo em que valoriza os serviços ecossistêmicos em termos econômicos, sociais e culturais. A lei também estabelece um cadastro nacional para beneficiários do pagamento por serviços ambientais, que inclui proprietários de terras que preservam florestas, realizam reflorestamento ou promovem a restauração de áreas degradadas.

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A PNPSA prevê a remuneração de produtores rurais, comunidades tradicionais, povos indígenas e agricultores familiares que atuam na preservação ambiental. Contudo, a lei ainda não foi regulamentada de forma a reconhecer adequadamente os esforços de preservação e recuperação ambiental realizados por esses grupos. A regulamentação deve incluir mecanismos de monitoramento e transparência para criar um ambiente favorável à atração de investimentos no setor.

A Faesc, o Senar e os Sindicatos Rurais estão alinhados com os esforços de proteção e preservação, promovendo tecnologias do Plano Setorial de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas para uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC+), com execução prevista entre 2020 e 2030. Entre as iniciativas bem-sucedidas estão a recuperação de pastagens degradadas, a promoção de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta e técnicas como plantio direto e fixação biológica de nitrogênio.

Os produtores rurais também desempenham um papel vital no tratamento de dejetos animais e resíduos agroindustriais, contribuindo para a redução da emissão de metano, a produção de adubo orgânico e a geração de energia limpa a partir da biomassa. Essas ações auxiliam o Brasil a cumprir o compromisso assumido na COP26 de reduzir as emissões de metano em 30% até 2030.

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A criação de uma política nacional de pagamento por serviços ambientais é um consenso entre produtores rurais e ambientalistas. Resta agora a implementação prática dessa política, essencial para assegurar a retribuição justa pelos serviços ambientais prestados.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Escassez de carne força recuo de Trump e abre nova oportunidade ao Brasil

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A escassez de gado e a disparada do preço da carne nos Estados Unidos levaram Donald Trump a recuar temporariamente na política de proteção ao mercado interno. O presidente anunciou a abertura de uma cota adicional para a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina, sem a tarifa aplicada aos volumes que excedem os limites atuais, pelo prazo de 90 dias.

O volume equivale a mais do que toda a carne bovina vendida pelo Brasil aos Estados Unidos em 2025. A medida, porém, ainda não representa uma venda garantida ao setor brasileiro. Trump não informou quais países fornecerão o produto e a ordem executiva que regulamentará a operação deverá ser assinada nas próximas duas semanas.

O Brasil aparece entre os principais candidatos a ocupar parte relevante dessa cota. O País tem escala de produção, frigoríficos habilitados e já é o segundo maior fornecedor externo de carne bovina ao mercado americano.

Em 2025, os Estados Unidos compraram 271,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, com receita equivalente a aproximadamente R$ 8,5 bilhões, considerando a cotação atual de R$ 5,18. O mercado americano ficou atrás apenas da China entre os destinos do produto brasileiro.

O ritmo aumentou em 2026. Somente no primeiro semestre, o Brasil embarcou 205 mil toneladas para os Estados Unidos, alta de 13% sobre o mesmo período do ano passado. A receita avançou 29,8% e chegou ao equivalente a cerca de R$ 7 bilhões.

A importância da carne brasileira para os Estados Unidos não está apenas no volume. Grande parte dos embarques é formada por recortes bovinos magros e congelados usados pela indústria americana na produção de hambúrgueres e carne moída.

Os frigoríficos dos Estados Unidos misturam esses recortes importados com carne de maior teor de gordura obtida de animais terminados em confinamento. A combinação permite padronizar o percentual de gordura e aproveitar melhor a matéria-prima produzida no país.

Quando diminui o abate de vacas, também cai a oferta americana de carne magra destinada à moagem. É justamente nesse ponto que fornecedores como Brasil, Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Uruguai se tornam necessários para a indústria.

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O problema se agravou depois de anos de seca, aumento do custo da alimentação e redução do rebanho. Os Estados Unidos iniciaram 2026 com 86,2 milhões de bovinos e bezerros, o menor contingente em aproximadamente 75 anos. A recomposição não ocorre rapidamente, porque o pecuarista precisa reter fêmeas e esperar o nascimento e o desenvolvimento dos animais.

A oferta ficou ainda mais apertada com as restrições à entrada de gado mexicano por razões sanitárias e com o fechamento de unidades frigoríficas americanas. Ao mesmo tempo, o consumo permaneceu firme.

Em julho, o preço médio da carne moída nos Estados Unidos chegou ao equivalente a aproximadamente R$ 78,70 por quilo, alta de 10% em um ano. A inflação da proteína passou a pressionar o orçamento das famílias e ganhou peso político às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Trump afirmou que os fornecedores assumiram o compromisso de vender a carne abrangida pela medida com desconto de 25% sobre os preços de mercado. Ainda não está claro, porém, como essa redução será controlada nem quanto chegará efetivamente ao consumidor.

As 300 mil toneladas representam pouco mais de 2% do consumo anual de carne bovina dos Estados Unidos e cerca de 12% das importações projetadas para 2026. O volume pode aliviar a oferta de matéria-prima para a indústria, mas dificilmente resolverá sozinho o problema estrutural provocado pela redução do rebanho.

Para o produtor brasileiro, a abertura representa possibilidade de aumento da demanda por vacas, dianteiros e recortes destinados ao processamento. Se o Brasil conquistar parcela expressiva da cota, o movimento poderá melhorar o aproveitamento da carcaça, ampliar a procura dos frigoríficos habilitados e ajudar a sustentar o preço da arroba.

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O benefício não será automático nem uniforme. O reflexo dependerá da participação reservada ao Brasil, das condições de venda, do número de plantas autorizadas e da margem dos frigoríficos. O compromisso de oferecer a carne com desconto também pode limitar o ganho obtido com a retirada da tarifa.

A oportunidade surge em momento importante para o setor. A China, maior compradora da carne brasileira, estabeleceu uma cota anual de cerca de 1,1 milhão de toneladas, com sobretaxa de 55% para os volumes excedentes. A redução dos embarques chineses no segundo semestre aumentou a necessidade de encontrar destinos para parte da produção brasileira.

Os Estados Unidos podem absorver parte desse volume, mas o Brasil enfrentará concorrência de fornecedores que também produzem carne magra para processamento. A ausência de uma cota específica significa que preço, disponibilidade, logística e habilitação sanitária determinarão quem aproveitará a abertura.

A decisão também reforça a esperança de novos recuos sobre produtos brasileiros necessários à economia americana. O governo dos Estados Unidos já retirou ou reduziu tarifas de alimentos cuja produção doméstica é insuficiente, como café, sucos de frutas tropicais, cacau e especiarias, além de determinados fertilizantes.

O caso da carne mostra que, quando a tarifa encarece um produto indispensável e a oferta americana não consegue atender ao consumo, a proteção ao produtor local pode ceder lugar à necessidade de controlar a inflação. Esse argumento poderá fortalecer as negociações de outros setores brasileiros, embora cada redução dependa de uma decisão específica do governo americano.

Mais do que uma mudança definitiva na política comercial de Trump, o anúncio é uma resposta emergencial à falta de carne nos Estados Unidos. Para a pecuária brasileira, representa uma janela relevante de 90 dias, capaz de compensar parcialmente as restrições impostas pela China e ampliar a presença no segundo maior mercado comprador do País.

Fonte: Pensar Agro

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