AGRONEGÓCIO
O ano de 2023 foi marcado por superar desafios no mercado de milho e alcançar estabilidade
Publicado em
29 de dezembro de 2023por
Da RedaçãoO ano de 2023 foi marcado por uma significativa superação dos desafios enfrentados no mercado de milho, resultantes das perturbações causadas pela pandemia de covid-19. O analista de SAFRAS & Mercado, Paulo Molinari, destaca que o excesso de preços nas commodities ao longo de 2022 proporcionou um ambiente propício para uma reacomodação, mesmo que os valores permanecessem em patamares elevados.
Com a regularização da distribuição internacional, mesmo em meio à continuidade da guerra na Ucrânia, o fluxo de mercadorias foi restaurado, restabelecendo o abastecimento global. Insumos e grãos voltaram a fluir mais rapidamente para atender à demanda, conforme explica Molinari.
O analista ressalta que, mesmo diante de perdas recordes na safra de milho na Argentina e de uma leve redução na produção dos EUA, os preços internacionais se acomodaram. Fatores como a difícil situação econômica da China, o dólar forte e uma demanda realinhada com juros altos também influenciaram o mercado de commodities.
Primeiro Semestre: Ajuste de Preços diante de Safras Recordes e Condições Climáticas
O início de 2023 testemunhou preços do milho em níveis elevados no cenário internacional, com a Bolsa de Chicago operando acima de US$ 6,00 por bushel e o mercado interno brasileiro registrando valores entre R$ 85,00 e R$ 90,00 por saca. No entanto, uma safra recorde de soja no Brasil resultou na busca por espaço na logística, pressionando as cotações do milho devido ao movimento de venda por parte dos produtores.
Esse movimento de baixa interna no milho foi intensificado com a entrada de uma safrinha recorde e pressões adicionais de venda por questões logísticas. O cenário climático nos Estados Unidos também teve impacto nos preços, com a Bolsa de Chicago cedendo à medida que a colheita norte-americana avançava.
Segundo Semestre: Exportação como Estratégia e Recuperação nos EUA
Com uma colheita recorde de milho safrinha no Brasil, atingindo quase 100 milhões de toneladas, o país concentrou esforços na exportação para escoar excedentes. A reacomodação dos preços da Bolsa de Chicago para US$ 4,50 por bushel, aliada a uma safra positiva nos Estados Unidos, resultou em uma redução nos preços nos portos brasileiros e, consequentemente, em uma pressão nas cotações internas.
Após embarques modestos no primeiro semestre, o Brasil aproveitou a oportunidade deixada pela quebra na safra argentina para atender a uma demanda adicional. Apesar das dificuldades iniciais nos embarques dos EUA devido a problemas no Rio Mississippi, as vendas norte-americanas começaram a se recuperar, especialmente com a redução nos embarques brasileiros no fechamento do ano.
Mesmo com a manutenção da guerra na Ucrânia, o país buscou alternativas de escoamento para suas produções, exportando volumes consideráveis de milho e trigo. Paulo Molinari antecipa que o Brasil encerrará o ano com exportações elevadas, alcançando 53,945 milhões de toneladas, principalmente destinadas à China, mesmo com previsões de uma safra recorde no país asiático.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
EUA ampliam exportações de etanol e acirram concorrência com o Brasil
Published
20 horas agoon
6 de outubro de 2026By
Da Redação
Os Estados Unidos exportaram aproximadamente 5,34 bilhões de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, avanço de 13% sobre igual período do ano anterior, segundo a Renewable Fuels Association (RFA). O crescimento dos embarques amplia a concorrência para o Brasil e mostra a força de uma indústria sustentada por um mercado doméstico de grande escala, apesar de uma mistura menor do biocombustível na gasolina.
Nos EUA, a produção de etanol foi de aproximadamente 160 milhões de litros por dia, conforme dados da agência de energia americana, a EIA, publicados no dia 30 de setembro. O número representa o ritmo registrado naquela semana, sem equivaler a um balanço anual.
A aparente contradição está nas bombas. Enquanto a gasolina comum brasileira contém 32% de etanol, a mistura predominante no mercado americano é o E10, com 10%. O percentual menor, contudo, incide sobre uma quantidade muito maior de combustível comercializado.
Na mesma semana de setembro, o volume de gasolina fornecido ao mercado americano, usado pela EIA como referência de consumo, foi de aproximadamente 1,38 bilhão de litros por dia. Essa quantidade já inclui o etanol misturado ao combustível. É a dimensão desse abastecimento que permite absorver uma produção elevada do biocombustível.
Uma conta ilustrativa ajuda a entender: 10% de um mercado de 400 bilhões de litros representam 40 bilhões de litros de etanol. Já 32% de um mercado de 100 bilhões correspondem a 32 bilhões. A comparação dos percentuais, isoladamente, não mostra quantos litros chegam aos consumidores.
Enquanto ampliam as exportações, os EUA importaram menos de 1,9 milhão de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, segundo a RFA. O contraste reforça o peso da produção doméstica no abastecimento americano.
Esses números mostram que uma expansão do consumo nos EUA encontra uma indústria doméstica capaz de disputar o fornecimento. Para o exportador brasileiro, uma mistura maior abre oportunidades, mas os embarques dependem dos preços, dos custos de transporte, das condições de acesso e da disponibilidade do produto americano.
Os dois países também organizam o abastecimento de maneiras diferentes. No Brasil, a mistura obrigatória de 32% vale para a gasolina comum e a comum aditivada desde 1º de agosto de 2026. A medida tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período. Na gasolina premium, o teor permanece em 25%.
Além disso, o motorista brasileiro dispõe do etanol hidratado para abastecer veículos flex. Esse mercado depende da relação entre o preço dos combustíveis e o rendimento do automóvel. A demanda nacional, portanto, reúne tanto o etanol adicionado à gasolina quanto o vendido diretamente ao consumidor.
Nos EUA, o E10 convive com o E15, de até 15%, e com misturas mais elevadas para veículos compatíveis. Os postos não são obrigados a oferecer E15. A ampliação das vendas envolve equipamentos adequados, disponibilidade de combustível e regras de comercialização.
Restrições relacionadas às emissões evaporativas afetam a venda de E15 durante o verão em partes do país. Em 2026, a agência ambiental americana, a EPA, concedeu uma autorização excepcional para permitir sua comercialização nessa estação. A previsibilidade das regras continua relevante para os investimentos na distribuição.
O Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, aumento de 11,7% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expansão reforça a importância de ampliar o consumo nas bombas e conquistar compradores externos. Nessa disputa, os Estados Unidos combinam uma indústria de grande escala com um mercado que absorve volumes elevados mesmo usando uma mistura menor de etanol na gasolina.
O levantamento brasileiro, divulgado em agosto, estima 29,98 bilhões de litros de etanol de cana e 11,91 bilhões de litros do combustível produzido a partir do milho. O crescimento previsto é de 9,7% e 17%, respectivamente. São projeções para a safra em andamento, que inclui parte de 2027.
A safra de cana está na segunda metade da colheita e da moagem no Centro-Sul, onde as chuvas de setembro reduziram o ritmo dos trabalhos. No Nordeste, a temporada começou mais recentemente. A fabricação de etanol de milho segue outro calendário, com usinas que operam ao longo do ano.
Para o campo brasileiro, o avanço do etanol tem efeitos distintos. A expansão das usinas de milho amplia as alternativas de venda do cereal. Uma demanda maior também pressiona o custo da matéria-prima para quem fabrica o combustível, conforme a oferta da safra e os estoques disponíveis.
O etanol de cana conta ainda com rotas de produção reconhecidas pela EPA na categoria de biocombustíveis avançados, sujeitas a requisitos ambientais. Esse enquadramento permite disputar mercados que valorizam a redução de emissões.
Com a oferta brasileira em crescimento, o resultado para a cadeia dependerá da capacidade de transformar produção em consumo. A mistura na gasolina, a escolha dos motoristas e as exportações precisam acompanhar os novos volumes para sustentar a remuneração das usinas e dos produtores de matéria-prima.
Fonte: Pensar Agro
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