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Novo padrão de emissão da Nota Fiscal Eletrônica impõe regras mais rígidas a produtores rurais

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A versão 1.04 da Nota Técnica 2024/003, divulgada pela Receita Federal, trará mudanças significativas na emissão da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) para operações envolvendo produtos agropecuários. As novas regras passam a valer a partir de 1º de outubro de 2025 e impactam diretamente produtores rurais, transportadoras, indústrias agroflorestais e fornecedores de insumos.

Preenchimento obrigatório de novos campos na NF-e

Com a atualização, será obrigatório o preenchimento de campos específicos da NF-e para operações que envolvam produtos de origem animal, vegetal ou florestal. O objetivo da medida é reforçar o controle fiscal, sanitário e ambiental no transporte e comercialização de mercadorias agropecuárias.

Guia de trânsito e documentação exigida variam por estado

Entre as principais mudanças, destaca-se a obrigatoriedade de informar dados das guias de trânsito, como:

  • GTA (Guia de Trânsito Animal)
  • GTV (Guia de Trânsito Vegetal)
  • PTV (Permissão de Trânsito de Vegetais)
  • DOF (Documento de Origem Florestal)

Entretanto, a aplicação dessa exigência dependerá da decisão de cada Secretaria da Fazenda estadual, que definirá quais produtos estarão sujeitos à exigência e quais guias deverão ser preenchidas.

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Defensivos agrícolas exigirão dados técnicos

No caso de operações com defensivos agrícolas, a nova norma exige o preenchimento de:

  • Número do receituário agronômico
  • CPF do responsável técnico

Caso essas informações não sejam fornecidas, a emissão da NF-e poderá ser automaticamente rejeitada pelos sistemas da Secretaria da Fazenda (Sefaz).

Controle florestal será mantido por sistemas estaduais

Mesmo com a exigência de preenchimento do DOF via NF-e, alguns estados — como Pará, Mato Grosso e Minas Gerais — continuarão utilizando sistemas próprios de controle florestal, como o Sisflora e o SIAM.

Regra rígida para operações com gado bovino

Estados como Bahia, Goiás, Maranhão e Mato Grosso já adotam regras específicas para o transporte de gado bovino. Com a nova regra, a ausência da Guia de Trânsito Animal poderá impedir a emissão da nota fiscal eletrônica, o que reforça a importância da regularização documental prévia.

Exceções para Microempreendedores Individuais (MEIs)

A Nota Técnica também contempla exceções para o MEI, que passam a contar com maior flexibilidade para emissão de NF-e em:

Remessas

Operações com bens próprios

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Será permitido o uso do CSOSN 900, código genérico aplicável quando não há um código específico disponível. Anteriormente, esses casos resultavam em rejeição automática da nota.

Especialista critica burocratização

O tributarista João Eduardo Diamantino, do escritório Diamantino Advogados Associados, alertou para a complexidade das novas regras e para a falta de uniformidade entre os estados. Segundo ele, as exigências representam um custo adicional para o produtor rural.

“Por mais bem intencionada que seja, a nova regra é, acima de tudo, uma burocracia extra para os produtores rurais. O Estado tem meios próprios de fiscalizar sem precisar onerar ainda quem produz. É uma terceirização da responsabilidade estatal”, afirmou o advogado, especialista em agronegócio.

Prazo para adaptação

Apesar das críticas, os produtores e empresas do setor terão até outubro de 2025 para se adequar às novas exigências. Especialistas recomendam que os envolvidos iniciem o processo de atualização o quanto antes, para evitar entraves nas operações futuras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Preços do trigo sobem no Brasil com oferta restrita e ajuste no mercado em abril

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O mercado brasileiro de trigo encerrou abril com valorização nas principais regiões produtoras, sustentado pela oferta restrita, firmeza dos vendedores e necessidade de recomposição de estoques por parte dos moinhos. O movimento reflete um ajuste no mercado interno, especialmente diante da menor disponibilidade no Sul e da crescente exigência por qualidade do grão.

Mercado interno: escassez e qualidade sustentam preços

A baixa oferta disponível nas regiões produtoras foi determinante para a sustentação das cotações ao longo do mês. A comercialização mais seletiva, com foco em lotes de melhor qualidade, também contribuiu para o cenário de valorização.

No Paraná, a média FOB interior avançou 3% em abril, alcançando R$ 1.407 por tonelada. Já no Rio Grande do Sul, o movimento foi mais expressivo, com alta de 8%, elevando a referência para R$ 1.295 por tonelada.

O comportamento reforça um mercado mais ajustado, com menor volume disponível e maior rigor na negociação, principalmente em relação ao padrão do produto.

Acumulado de 2026 mostra recuperação relevante

No primeiro quadrimestre de 2026, a alta acumulada dos preços é significativa, indicando uma mudança importante na dinâmica do mercado desde o início do ano:

  • Paraná: +20%
  • Rio Grande do Sul: +25%
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Apesar da recuperação no curto prazo, na comparação anual as cotações ainda permanecem abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano anterior, com recuos de 9% no Paraná e 10% no Rio Grande do Sul.

Esse cenário evidencia que o mercado doméstico reage aos fundamentos internos, mas ainda enfrenta limitações impostas pelo ambiente externo.

Mercado externo: referência argentina e incertezas de qualidade

A Argentina segue como principal referência para a formação de preços do trigo no Brasil. Em abril, as indicações nominais para o produto com teor de proteína acima de 11,5% permaneceram estáveis, ao redor de US$ 240 por tonelada.

No entanto, o cenário internacional aponta para possíveis ajustes. O trigo hard norte-americano registrou valorização de 7,8% no mês e acumula alta de 27% em 2026, sinalizando pressão altista global.

Além disso, persistem incertezas quanto ao padrão de qualidade do trigo argentino disponível para exportação, o que pode influenciar diretamente a competitividade e os preços no mercado regional.

Câmbio limita repasse da alta internacional

Apesar do viés altista nos fundamentos domésticos e da pressão externa, o câmbio tem atuado como principal fator de contenção para os preços no Brasil.

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A valorização do real frente ao dólar reduz a paridade de importação, limitando o repasse das altas internacionais para o mercado interno. Com isso, mesmo diante de um cenário global mais firme, os avanços nas cotações domésticas ocorrem de forma mais moderada.

Tendência: mercado segue sensível à oferta e ao câmbio

A perspectiva para o curto prazo é de manutenção de um mercado ajustado, com preços sustentados pela oferta restrita e pela demanda pontual dos moinhos.

No entanto, a evolução do câmbio e o comportamento das cotações internacionais seguirão sendo determinantes para a intensidade dos movimentos no Brasil, especialmente em um cenário de integração crescente com o mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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