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Mundo está ávido por açúcar do Brasil; Entenda efeito do congestionamento em portos do país na escassez global do produto

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Mais de uma década depois dos gargalos nos portos que puxaram uma alta do açúcar, a logística volta a ficar sobrecarregada. Aproximadamente 70 navios aguardam há cerca de 20 dias para carregar mais de 3 milhões de toneladas de açúcar brasileiro, informou a agência marítima SA Commodities. Isso equivale a um mês de exportações.

Para piorar a situação, um fogo no Porto de Paranaguá fechou um terminal e impactou as operações em outra instalação. E tudo isto acontece no momento em que a seca na região Amazônica desvia carregamentos de grãos dos portos do Norte, aumentando a concorrência com o açúcar no Sudeste.

“É a primeira vez em anos que o Brasil testa sua capacidade logística máxima”, disse Ricardo Carvalho, diretor comercial da BP Bunge Bioenergia.

As safras gigantes de soja e milho coincidiram com uma produção de açúcar que deve atingir novo recorde este ano. Embora a produção maior deveria, em tese, ajudar a aliviar a escassez global de açúcar que já puxou os preços para o nível mais elevado desde 2011, uma repetição dos gargalos da última década deixa o mundo subabastecido.

Safras fracas e ameaças de restrições às exportações na Índia e na Tailândia já colocaram os futuros de açúcar bruto em Nova York a caminho de um quinto ano consecutivo de alta, a sequência mais longa desde 1989. Os estoques globais devem cair para o nível mais baixo em 13 anos, e o mundo está novamente contando com o Brasil para atender à demanda crescente.

“A dependência que o mundo está criando do açúcar brasileiro é assustadora”, disse Mauro Angelo, CEO da Alvean, maior trading de açúcar do mundo, em entrevista em São Paulo na semana passada. A empresa é controlada pela brasileira Copersucar.

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Para muitos operadores de açúcar, parece que estamos no início da década de 2010 novamente, quando o Brasil enfrentou graves gargalos, seguidos por um fogo no Porto de Santos que atrapalhou os carregamentos. A concorrência com as exportações de grãos também foi forte na época, e só diminuiu quando vários projetos logísticos no norte do país começaram a operar.

Mas agora o futuro é incerto. Com juros altos e custos de construção crescentes, o alívio para os mercados de açúcar só poderá vir com um novo terminal em Santos. A Cofco Internacional deve começar a operar a instalação em 2025, disse Marcelo de Andrade, diretor-gerente de commodities agrícolas da unidade comercial da maior empresa de alimentos da China.

“O mundo precisa de açúcar. O Brasil tem açúcar, mas não pode exportar, então os preços têm que subir”, disse Andrade em São Paulo na semana passada. “Quanto tempo vai durar a festa? Até o terminal da Cofco começar.”

Mas mesmo assim, a pressão só diminuiria por cerca de dois a três anos, antes que a produção agrícola total do país cresça novamente para um nível que sobrecarregue a capacidade, disse Angelo, da Alvean.

Por enquanto, a logística apertada colocou os mercados de açúcar em estado de alerta.

O Brasil começará a colher a nova safra de soja ainda este ano, e muitos terminais que agora transportam açúcar passarão para a oleaginosa no próximo ano. Outros passarão por manutenção anual.

Muitos já enfrentam fortes chuvas, que impedem os terminais de carregar açúcar, sob risco de estragar o produto.

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“A atual safra recorde de açúcar está testando os limites da logística portuária apertada, especialmente em Santos”, disse Thierry Songeur, gerente geral da trading francesa Sucres et Denrées. “O mercado está vulnerável às notícias meteorológicas, e eventuais chuvas fortes e duradouras que provavelmente desencadearão um movimento de alta.”

O incêndio de sábado em uma esteira transportadora que atende o Terminal CAP em Paranaguá aumentou a pressão sobre um mercado já tenso. Embora se espere que a instalação vizinha da Bunge retorne às operações normais esta semana ou no início da próxima, no mais tardar, não está claro por quanto tempo o da CAP ficará offline.

Os terminais armazenavam principalmente grãos, que os terminais e operadores ferroviários normalmente preferem devido à maior lucratividade. Isso provavelmente significa que a concorrência para embarcar aumentará em outros portos.

Impasses nos portos já forçaram os usineiros a serem criativos e buscar armazéns terceirizados para armazenar açúcar. A Água Bonita foi uma das usinas que alugou espaço extra.

“É um problema com certeza”, disse o diretor-gerente Flavio Ribeiro. “Mesmo que ter muita produção para vender seja o tipo de problema que gostamos de ter.”

A seca na Amazônia faz com que cerca de 1 milhão de toneladas de grãos que normalmente viajariam em barcaças pela região sejam direcionados para portos do Sudeste, segundo Carvalho, da BP Bunge. Embora os níveis de água tenham melhorado após atingir mínimas históricos, a logística do açúcar deve continuar sob pressão.

Fonte: Bloomberg

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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