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Mercado de trigo no Sul segue travado e sob pressão, com incertezas na nova safra

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O mercado de trigo no Sul do Brasil continua pressionado, com pouca movimentação e incertezas em relação à nova safra, segundo levantamento da TF Agroeconômica divulgado nesta terça-feira (20/08). No Rio Grande do Sul, os produtores reduziram as fixações de preço, o que trouxe um alívio momentâneo nas cotações.

O início do plantio da safra 2025 ocorre de forma incerta. Agentes privados estimam que a área cultivada deve alcançar 1,15 milhão de hectares, com uma redução média de 40% no uso de fertilizantes de base.

No mercado disponível, os negócios são pontuais, com preços variando entre R$ 1.300,00 e R$ 1.400,00 por tonelada no interior do estado. Já os preços da pedra em Panambi recuaram para R$ 70,00 por saca.

Santa Catarina: vendas de farinha travam o mercado, mas preços seguem estáveis

Em Santa Catarina, a comercialização do trigo permanece travada devido à dificuldade de escoamento da farinha. Apesar disso, os preços pagos aos produtores mantêm estabilidade há cinco meses consecutivos nas principais regiões produtoras.

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Confira os preços por praça:

  • Canoinhas: R$ 78,00/saca
  • Chapecó: R$ 75,00/saca
  • Joaçaba: R$ 79,00/saca
  • Rio do Sul e Xanxerê: R$ 80,00/saca

As negociações continuam pontuais, inclusive com trigo vindo do Rio Grande do Sul, negociado a R$ 1.330,00 FOB, dependendo da demanda das indústrias locais.

Paraná: preços próximos da paridade de importação e pressão externa

No Paraná, os preços internos do trigo estão se aproximando da paridade de importação. Os moinhos vêm indicando valores de R$ 1.550,00 FOB para os bem comprados, podendo chegar a R$ 1.600,00 para entregas programadas até junho.

A concorrência com o trigo argentino é significativa: há oferta no porto a R$ 1.520,00 por tonelada, e a chegada de quatro navios com o cereal importado está prevista ainda para este mês.

Para a nova safra, os compradores estão indicando preços entre R$ 1.450,00 e R$ 1.500,00 CIF — patamares semelhantes aos registrados no início da safra passada.

Queda nos preços da pedra no Paraná, mas margem ainda positiva

Os preços da pedra no estado caíram 0,44% na semana, com a média estadual fechando em R$ 79,74 por saca, de acordo com o Deral. Apesar da leve queda, a rentabilidade do triticultor ainda é considerada positiva, com margem média de 8,44%. O custo de produção estimado no Paraná é de R$ 73,53 por saca.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar

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A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.

Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.

A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.

Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.

Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.

Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.

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A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.

O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.

Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.

A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.

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Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.

A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.

A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.

Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.

Fonte: Pensar Agro

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