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Mercado de Fertilizantes: Nitrogenados em queda e MAP atinge maior valor desde 2022, aponta relatório da Itaú BBA

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Análise do mercado de fertilizantes: Nitrogenados, fosfatados e potássicos

O relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, aponta uma significativa oscilação no mercado de fertilizantes, com destaque para o comportamento dos nitrogenados, fosfatados e potássicos. Em março, o mercado de nitrogenados seguiu sua tendência de queda, com a ureia apresentando uma redução de 14,8% nos portos brasileiros. Contudo, já nas primeiras semanas de abril, a ureia se recuperou, sendo cotada a USD 380 por tonelada. Em contrapartida, os potássicos continuam a trajetória de alta desde o início do ano, com o KCl subindo 4,7% em março e mais 3,7% em abril, atingindo a cotação de USD 350 por tonelada.

Nos fosfatados, a tendência também foi de valorização em março e no começo de abril, com destaque para o MAP, que chegou a USD 685 por tonelada, o maior valor desde maio de 2022.

Volatilidade nos nitrogenados impulsionada por preços do gás natural

O mercado de nitrogenados tem demonstrado forte volatilidade em 2025, principalmente devido à variação dos preços do gás natural liquefeito, que, após uma alta considerável no início do ano, retornou aos níveis anteriores. Este comportamento dos preços do gás natural tem impulsionado os produtores a acelerar as compras de fertilizantes nitrogenados, especialmente para a cultura do milho, em que a relação de troca com a ureia melhorou nos últimos meses. Além disso, o aumento nas compras de sulfato de amônio, que oferece dois macronutrientes essenciais — nitrogênio e enxofre — tem sido impulsionado pelos altos preços destes nutrientes.

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Cenário de oferta restrita para fosfatados e impacto das altas de preço

No caso dos fosfatados, o mercado continua enfrentando um cenário de restrição de oferta, o que tem sido uma constante nos últimos meses. As recentes altas de preço geraram preocupações adicionais quanto à possibilidade de uma oferta ainda mais restrita nos próximos meses. Um fator relevante para essa escassez é o aumento nos subsídios concedidos pela Índia para a compra de fertilizantes fosfatados pelas empresas indianas. Esse movimento tem gerado um efeito cascata, com outros compradores antecipando suas compras para evitar maiores custos no futuro. Como resultado, os preços do MAP atingiram os níveis mais altos desde maio de 2022, refletindo a tensão no mercado.

Potássicos: Alta continua, mas mercado pode esfriar

No segmento dos potássicos, a tendência de alta dos preços segue firme, com o KCl alcançando o maior valor desde outubro de 2023. Contudo, dado que o período de compras nos Estados Unidos já chegou ao fim — quando houve um esforço extra para adquirir fertilizantes antes da implementação das tarifas de importação canadenses — é possível que o mercado comece a arrefecer nos próximos meses.

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Com esses movimentos nos diferentes segmentos do mercado de fertilizantes, os produtores se encontram em um cenário de preços elevados e incertezas quanto à oferta, o que tem levado à antecipação de compras para garantir abastecimento.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro

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A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.

Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.

A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.

Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.

O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.

O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.

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No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.

Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.

Combustível entra na mesma pressão

A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.

Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.

Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.

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A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.

O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.

Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.

O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.

Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.

Fonte: Pensar Agro

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