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Mercado de café enfrenta pressão global com maior oferta e queda nas exportações brasileiras

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Mercado Global de Café Segue Pressionado por Excesso de Oferta

O mercado internacional de café continua enfrentando pressão, impulsionado pela expectativa de superávit global. De acordo com o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, mesmo com fatores pontuais de sustentação, o avanço da produção em grandes países produtores mantém o cenário de oferta elevada.

A recente quebra de safra na Colômbia, causada por excesso de chuvas, trouxe algum suporte às cotações. No entanto, esse efeito é considerado limitado e insuficiente para alterar o equilíbrio global, já que o aumento da produção em outras regiões compensa essas perdas.

Produção Brasileira Deve Crescer Mais de 10% na Próxima Safra

No Brasil, o cenário é mais positivo para a produção. As condições climáticas, especialmente o regime de chuvas, têm favorecido o desenvolvimento das lavouras, elevando as perspectivas para a safra 2026/27.

As estimativas indicam:

  • Produção total de 69,3 milhões de sacas, alta de 10,1%;
  • Crescimento de 18% no café arábica, com 44,8 milhões de sacas;
  • Leve recuo de 2% no conilon, com 24,5 milhões de sacas.

Esse aumento na oferta brasileira reforça a tendência de pressão sobre os preços, especialmente com a aproximação da colheita.

Exportações Brasileiras Recuam em Fevereiro

As exportações de café do Brasil apresentaram queda significativa em fevereiro de 2026, refletindo um cenário de preços mais baixos e maior cautela dos produtores.

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Segundo dados do Cecafé:

  • Foram embarcadas 2,6 milhões de sacas, queda de 23% em relação a fevereiro de 2025;
  • A receita cambial somou US$ 1,06 bilhão, recuo de 14% na mesma comparação.

A retração foi mais intensa no café arábica e está associada à queda das cotações internacionais, ao câmbio menos favorável e à estratégia dos produtores de segurar vendas.

Preços do Café Caem em Fevereiro e Reagem em Março

O comportamento dos preços apresentou forte volatilidade entre fevereiro e março.

  • Em fevereiro, o café arábica em Nova York caiu 14%, encerrando o mês em 284,6 cents de dólar por libra-peso;
  • O robusta também recuou, com queda de 10%, para US$ 3.699 por tonelada.

Já em março, houve reação parcial:

  • O arábica subiu cerca de 2%, alcançando 290,3 cents/lb;
  • O robusta seguiu em queda, com recuo de 4,5%.

A recuperação do arábica está ligada principalmente aos efeitos indiretos da escalada dos conflitos no Oriente Médio, que impactam energia e câmbio, além das notícias sobre menor produção na Colômbia.

Mercado Físico Mais Ajustado e Produtores Reticentes

No mercado físico, houve redução do diferencial entre os preços internacionais e domésticos, com ajuste no chamado “basis”. Esse movimento aproximou o mercado físico das cotações externas e exigiu adaptação por parte de exportadores.

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A oferta disponível segue limitada, com produtores mais capitalizados e menos dispostos a vender, o que contribui para um ambiente de maior rigidez na negociação e necessidade de ajustes por parte das tradings.

Fundos Reduzem Posições e Reforçam Viés Baixista

Outro fator relevante é o comportamento dos investidores no mercado financeiro. O relatório aponta redução da posição líquida comprada por fundos não comerciais, sinalizando menor apetite por apostas na alta dos preços.

Esse movimento reforça o viés mais cauteloso e contribui para a volatilidade, deixando o mercado mais sensível a revisões de safra ou a choques externos.

Perspectivas: Volatilidade Deve Persistir

O cenário para o mercado de café segue marcado por incertezas, com destaque para:

  • Expectativa de superávit global;
  • Avanço da produção brasileira;
  • Oscilações cambiais e geopolíticas;
  • Comportamento dos fundos e investidores;
  • Riscos climáticos, especialmente com excesso de chuvas durante a colheita.

Com a aproximação da safra, o mercado tende a permanecer volátil, com preços pressionados pela oferta, mas ainda sensíveis a fatores externos que possam alterar o equilíbrio global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Açúcar: USDA reduz superávit global em 57% e cenário climático reforça expectativa de alta nos preços internacionais

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O mercado global de açúcar recebeu um importante sinal de sustentação para os preços com a divulgação do primeiro relatório semestral do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2026/27. Os novos números apontam uma redução expressiva do superávit mundial, reforçando a percepção de um mercado mais ajustado entre oferta e demanda nos próximos meses.

Segundo análise da SAFRAS & Mercado, o USDA reduziu a projeção de superávit global da safra 2026/27 para 4,8 milhões de toneladas, volume 57% menor em relação à estimativa anterior de 11,4 milhões de toneladas. Além disso, a entidade também revisou para baixo os números da safra 2025/26, cujo excedente foi reduzido de 11,4 milhões para 6,13 milhões de toneladas.

A combinação entre menor oferta global e condições climáticas adversas em importantes regiões produtoras fortalece a expectativa de valorização dos contratos futuros do açúcar negociados em Nova York ao longo do segundo semestre.

USDA promove forte ajuste na oferta global

O principal destaque do relatório está na magnitude das revisões realizadas pelo USDA.

A safra 2025/26 teve seu superávit reduzido em mais de 5 milhões de toneladas, uma revisão equivalente a 46% em relação à projeção anterior. Já para a temporada 2026/27, o excedente global foi estimado em apenas 4,8 milhões de toneladas, representando uma queda adicional de 20% frente ao volume revisado da safra passada.

Somando os dois movimentos, os cortes acumulados alcançam aproximadamente 6,55 milhões de toneladas, alterando significativamente a percepção do mercado sobre a disponibilidade global de açúcar.

Na avaliação da SAFRAS & Mercado, esse ajuste representa um dos principais fatores de sustentação para os preços internacionais nos próximos meses.

El Niño e monções ampliam preocupação com a produção asiática

Além da redução da oferta apontada pelo USDA, o mercado acompanha com atenção a evolução das condições climáticas na Ásia.

O Departamento de Climatologia da Índia elevou sua projeção de déficit de chuvas durante a temporada de monções de 2026, passando de 8% para 10% abaixo da média histórica.

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A preocupação aumenta diante da previsão de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte a muito forte intensidade, conforme projeções internacionais.

Em 2023, quando a região enfrentou um episódio de El Niño de intensidade moderada, o déficit pluviométrico na Índia ficou entre 12% e 14% abaixo da média. Caso as previsões atuais se confirmem, o impacto climático sobre a produção agrícola asiática poderá ser ainda mais severo.

Índia e Tailândia figuram entre os maiores produtores e exportadores de açúcar do mundo, tornando qualquer redução produtiva um fator relevante para a formação dos preços globais.

Brasil também pode enfrentar impactos na produção

Enquanto a Ásia sofre com a perspectiva de chuvas abaixo da média, o cenário brasileiro aponta para o movimento oposto.

As projeções climáticas indicam aumento significativo das precipitações sobre os canaviais do Centro-Sul do Brasil a partir de agosto, com intensificação entre setembro e outubro e possibilidade de persistência até o início de 2027.

O excesso de chuvas pode comprometer o ritmo da colheita e da moagem da cana-de-açúcar, reduzindo a eficiência operacional das usinas e encurtando o período de processamento em algumas regiões produtoras.

Segundo a análise da SAFRAS & Mercado, dezenas de unidades industriais poderão encerrar suas atividades de moagem antecipadamente, reduzindo a disponibilidade de açúcar para exportação.

Produção mundial deve recuar em 2026/27

Os dados do USDA mostram que a produção global de açúcar deverá atingir 184,85 milhões de toneladas na safra 2026/27, abaixo das 186,05 milhões registradas na temporada anterior.

A redução de 1,2 milhão de toneladas representa queda de 0,65% na comparação anual.

Os cortes de produção esperados para Brasil, União Europeia e Tailândia mais do que compensam o crescimento previsto para a Índia, contribuindo para o aperto na oferta mundial.

Além disso, o relatório aponta redução das exportações globais, principalmente por parte do Brasil, União Europeia, Marrocos e Paquistão.

Consumo mundial segue em trajetória recorde

Pelo lado da demanda, o consumo global continua avançando.

O USDA estima que o consumo mundial alcance 179,99 milhões de toneladas em 2026/27, praticamente atingindo a marca histórica de 180 milhões de toneladas.

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Embora o crescimento seja modesto, o avanço da demanda ocorre em um momento de oferta mais restrita, contribuindo para sustentar os preços internacionais.

As exportações globais, por outro lado, deverão recuar de 62,64 milhões para 62,32 milhões de toneladas, reforçando o cenário de menor disponibilidade no mercado internacional.

Estoques crescem, mas não anulam tendência de alta

O único fator com potencial de limitar parcialmente a valorização do açúcar é o aumento dos estoques globais.

A relação estoque/consumo deverá avançar de 24,19% para 24,67% entre as safras 2025/26 e 2026/27.

Os estoques iniciais foram estimados em 43,52 milhões de toneladas, crescimento de 3% sobre a temporada anterior. Já os estoques finais devem alcançar 44,10 milhões de toneladas, avanço de 2%.

Apesar desse aumento, a SAFRAS & Mercado avalia que o crescimento dos estoques será insuficiente para neutralizar os efeitos combinados da menor oferta global, da demanda aquecida e dos riscos climáticos nas principais regiões produtoras.

Mercado mira patamares mais altos em Nova York

Diante desse cenário, a consultoria projeta continuidade do movimento de recuperação dos preços do açúcar bruto negociado na Bolsa de Nova York.

Os contratos futuros já demonstram fortalecimento ao longo da curva para os vencimentos do final de 2026 e início de 2027, com preços orbitando entre 16 e 17 cents por libra-peso.

A expectativa predominante é de avanço para a faixa dos 18 cents ainda neste ano, enquanto o patamar de 20 cents passa a ser considerado uma possibilidade crescente caso os riscos climáticos se confirmem e a oferta mundial continue sendo revisada para baixo.

A combinação entre menor superávit global, incertezas climáticas na Ásia e possíveis impactos do El Niño sobre a safra brasileira coloca o mercado internacional de açúcar em uma trajetória de maior firmeza para os preços ao longo do segundo semestre de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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