AGRONEGÓCIO

Mercado brasileiro de trigo encerra abril sob pressão e com mudança no sentimento dos agentes

Publicado em

Mudança de cenário marca o mercado de trigo em abril

O mês de abril representou um ponto de inflexão para o mercado brasileiro de trigo. Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Elcio Bento, o período iniciou com um viés altista, sustentado por fatores como escassez de produto no mercado interno e valorização do dólar. Contudo, os últimos dias do mês trouxeram uma reviravolta: o otimismo cedeu lugar à pressão baixista, impulsionada pela queda nas cotações internacionais e pela crescente competitividade do trigo argentino.

Expectativa positiva deu vantagem ao vendedor no início do mês

No início de abril, predominava entre os vendedores uma expectativa de valorização. De acordo com Bento, o cenário parecia promissor para os produtores, uma vez que o mercado apresentava oferta limitada, o câmbio havia alcançado R$ 6,10 e os preços internacionais ainda ofereciam certo suporte. Esses elementos favoreciam o lado vendedor na definição dos preços.

Competitividade do trigo argentino alterou o equilíbrio de forças

O otimismo inicial, porém, foi desfeito com a entrada de ofertas mais competitivas do trigo argentino. A região Sul, especialmente o Rio Grande do Sul — principal detentora dos estoques internos —, passou a registrar as primeiras indicações de importação com valores próximos à viabilidade econômica. “Essas ofertas começaram a mudar o sentimento do mercado, porque traziam uma alternativa concreta à compra no mercado doméstico”, explica Bento.

Leia Também:  Projeções do USDA apontam redução nas safras de café do Brasil e Vietnã para 2023/24
Queda nas cotações internacionais intensifica pressão

Outro fator determinante para a mudança de humor no mercado foi o forte recuo das cotações internacionais, especialmente nos Estados Unidos, que impactaram diretamente os preços argentinos. Embora o Brasil compre majoritariamente da Argentina, a concorrência com o trigo norte-americano força os argentinos a ajustarem seus valores. “Com a queda de lá, a Argentina precisou acompanhar, e isso afetou diretamente nossa paridade de importação”, detalha o analista.

Valorização do real reduz custo de importação

A valorização do real ao longo de abril também colaborou para baratear as importações. Embora o câmbio continue volátil, a moeda brasileira mais forte contribuiu para a perda de competitividade do trigo doméstico. “O que vimos foi uma transição de um mercado em que o vendedor ditava o ritmo, para um cenário onde o comprador passou a ter mais argumentos para pressionar os preços para baixo”, resume Bento.

Mudança de postura entre compradores e vendedores

A mudança de percepção também se refletiu no comportamento dos agentes. O produtor, antes resistente à venda, passou a demonstrar maior disposição para negociar. Em contrapartida, a ponta compradora adotou uma postura mais cautelosa. “Agora é o comprador que está na defensiva, exigindo preços mais baixos e empurrando o mercado para baixo”, complementa o analista.

Leia Também:  Cuiabá atualiza legislação de regularização fundiária e amplia áreas atendidas
Tendência aponta para enfraquecimento das cotações

Apesar de os preços ainda acumularem certa alta em relação a março, o que se observa é uma tendência de enfraquecimento, especialmente nas cotações do final do mês. Para Bento, mais do que os valores em si, o sentimento dos agentes é o principal indicador do novo rumo do mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Santa Catarina bate recorde histórico nas exportações de carnes no 1º trimestre de 2026

Published

on

Exportações de carnes atingem maior nível da história em SC

Santa Catarina registrou o melhor desempenho da série histórica nas exportações de carnes no primeiro trimestre de 2026, tanto em volume quanto em faturamento.

De janeiro a março, o estado embarcou 518,4 mil toneladas, com receita de US$ 1,17 bilhão — crescimento de 4% em volume e de 9,6% em valor na comparação com o mesmo período de 2025.

Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e foram sistematizados pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa).

Carne suína lidera avanço e amplia participação internacional

A carne suína foi o principal destaque das exportações catarinenses no período. O estado embarcou 182,4 mil toneladas, gerando receita de US$ 454,3 milhões.

Os números representam alta de 4% em volume e de 7,5% em faturamento, configurando também o melhor resultado histórico para um primeiro trimestre.

No cenário nacional, Santa Catarina consolidou sua liderança ao concentrar:

  • 47,8% do volume exportado de carne suína do Brasil
  • 50,1% da receita total do segmento
Leia Também:  Preços Futuros do Milho Iniciam a Quinta-feira em Estabilidade
Japão impulsiona demanda por carne suína catarinense

O Japão foi o principal destino da carne suína de Santa Catarina, responsável por 31,7% da receita total no período.

O mercado japonês apresentou forte expansão, com aumento de 59,8% no volume embarcado e de 53,7% no faturamento, refletindo o aquecimento da demanda asiática.

Outros destinos relevantes incluem Filipinas e China, que seguem como importantes parceiros comerciais do estado.

Exportações de frango crescem e batem recorde de receita

As exportações de carne de frango também apresentaram desempenho positivo. Foram embarcadas 316,7 mil toneladas, com faturamento de US$ 664,3 milhões.

O resultado representa:

  • Alta de 3,2% em volume
  • Crescimento de 7,7% em receita

O faturamento alcançado é o maior da série histórica para o período, enquanto o volume embarcado figura como o segundo maior já registrado.

Tensões no Oriente Médio impactam embarques em março

Apesar do desempenho geral positivo, houve recuo nas exportações para o Oriente Médio ao longo de março.

Segundo análise da Epagri/Cepa, o movimento está relacionado a tensões geopolíticas na região, que afetaram a logística e elevaram custos operacionais.

Leia Também:  Queimadas estão proibidas no Pantanal até o fim do mês

Ainda assim, o crescimento das vendas para mercados como Japão, China e Chile compensou a retração observada naquele destino.

Santa Catarina mantém protagonismo nas exportações brasileiras

No consolidado nacional, Santa Catarina respondeu por:

  • 24,5% da receita das exportações brasileiras de carne de frango
  • 22,3% do volume total embarcado

Os números reforçam a relevância do estado no cenário agroindustrial brasileiro, com destaque para competitividade, sanidade e acesso a mercados internacionais.

Setor segue como pilar do agronegócio catarinense

O desempenho recorde no início de 2026 consolida o setor de carnes como um dos principais motores da economia de Santa Catarina.

A expectativa do mercado é de manutenção do ritmo positivo ao longo do ano, sustentado pela demanda externa aquecida e pela competitividade da produção brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA