AGRONEGÓCIO

Mercado aquecido e custo estável animam o setor

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As cotações do suíno vivo vinham relativamente estáveis no Brasil até maio (gráfico1), com pequenas oscilações de uma semana para outra. A partir de junho os preços pagos aos produtores mudaram de patamar, mostrando que o cenário anterior de oferta e demanda ajustada, agora mostra tendência de escassez de suínos para atender a forte procura.

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Gráfico 1. Cotação mensal do suíno vivo (R$/kg) em 5 estado (MG, SP, PR, RS, SC e RS) nos últimos 12 meses (dados de julho até dia 15).

Fonte: CEPEA

O comportamento da bolsa de suínos de Belo Horizonte (BSEMG), uma das referências para definição de preços no Brasil, pode ser usado como parâmetro para comprovar esta mudança no mercado iniciada em junho e que se mantém no mês de julho, conforme a tabela 1, a seguir.

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Tabela 1. Preço da Bolsa de suínos Belo Horizonte (BSEMG) em cada semana do ano de 2024 (R$/kg vivo). Na legenda (cores) é possível verificar o destaque para alguns movimentos relevantes do mercado de suíno vivo

Elaborado por Iuri Pinheiro Machado com dados da BSEMG

No acumulado do ano as exportações continuam superando os volumes do ano passado, apesar da redução significativa dos embarques para a China (tabela 2).

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Tabela 2. Volumes exportados de carne suína brasileira in natura (em toneladas), total e para a China, mês a mês, em 2021, 2022, 2023 e 2024 e comparativo percentual de 2024 (de janeiro a junho) com o mesmo período do ano passado.

Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Comparando as destinações deste ano em relação ao mesmo período de 2023 (tabela 3), observa-se uma redução significativa do preço médio em dólar (-9,2%). Por outro lado, a redução dos embarques para a China e Hong Kong, foi mais que compensada pelo aumento das compras por parte das Filipinas, Chile, Japão, Coreia do Sul, Singapura e até mesmo o México.

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Tabela 3. Principais destinos da carne suína brasileira in natura exportada entre JANEIRO E JUNHO de 2024, comparado com o mesmo período de 2023, com valor em dólar (FOB).

Ordem estabelecida sobre volumes de 2024.

Elaborado por Iuri P. Machado com dados da Secex

Quando se analisa o último mês fechado (junho/24), observa-se que as Filipinas se aproximam cada vez mais de assumir a liderança nas importações da carne suína brasileira, inclusive com preços melhores do que a China (tabela 4); o Japão aparece como terceiro e o México já ocupa a sétima colocação. Esta maior pulverização dos destinos determina maior segurança no escoamento de nossa carne pelos canais de exportação, além de permitir buscar melhores preços no mercado internacional, visto que a China reduziu também o valor pago por tonelada.

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Tabela 4. Principais destinos da carne suína brasileira in natura exportada em JUNHO de 2024, com valor em dólar (FOB).

Elaborado por Iuri P. Machado com dados da Secex

Dados preliminares da Secex indicam que o mês de julho/24 deve fechar com mais de 100 mil toneladas de carne in natura embarcada, superando as 94 mil toneladas de julho de 2023, confirmando que, apesar da menor demanda chinesa, devemos terminar o ano com novo recorde de exportações.

A pergunta que muitas vezes se apresenta é: “qual o limite para a alta das cotações do suíno?”

A resposta envolve vários fatores, como renda da população, oferta x demanda da carne suína, dentre outros, sendo que a concorrência com outras carnes, em especial a bovina, é também um fator bastante relevante. É fato que, depois de uma sequência de queda nas cotações, o preço do boi gordo começou a reagir em julho, conforme demostra o gráfico 2, a seguir.

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Gráfico 2. Cotação do BOI GORDO CEPEA/B3, EM, em arroba, nos últimos 6 meses. Dados de julho/24 até dia 15/07.

Fonte: CEPEA

Esta alta recente de preço da carcaça bovina coincide com a desaceleração do abate nos últimos meses. Segundo o MBagro, dados preliminares dos abates nacionais de bovinos no SIF indicam uma desaceleração nos abates em maio (+7,3%) e junho (+6,9%) em relação ao mesmo período do ano passado (gráfico 3), sugerindo que a virada no ciclo pecuário está cada vez mais próxima.

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Gráfico 3. Crescimento percentual mensal do abate de BOVINOS (cabeças) em 2024, mês a mês, de janeiro a junho, comparado com 2023.

Elaborado pelo MBagro, com dados oficiais de janeiro a março (IBGE) e extraoficiais de abril a junho (SIF e MBagro).

Caso a redução do abate de bovinos continue, com reação das cotações desta proteína, este fator pode dar mais espaço para altas da carne suína, principalmente a medida que nos aproximamos do último trimestre do ano.

Com muita área de segunda safra a ser colhida, cotações do milho se mantém em queda

Segundo o MBagro a colheita do milho safrinha no Brasil, na primeira semana de julho, chegou a 42% das áreas no Centro-Sul, bem acima da média de 5 anos de 17%, sendo puxada pelo estado do Mato Grosso que já colheu metade de suas áreas. Minas Gerias é o estado mais atrasado na colheita, com 10%, mas acima de sua média de 4,5% para o período. No MATOPIBA a colheita também está avançada, com quase 31% já colhido até o dia 5 de julho, contra 17% na média histórica da região.

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A CONAB em seu nono levantamento da safra 2023/24, publicado em 11 de julho, trouxe mais um aumento nas expectativas de colheita da segunda safra, com um incremento de quase 2 milhões de toneladas de milho a serem colhidos, totalizando 90 milhões. Já é o terceiro levantamento que traz aumento em relação ao anterior. Alguns analistas privados estimam que o volume colhido será ainda maior que o estimado pela CONAB. É o caso do Rally das safras que publicou há duas semanas uma estimativa de mais de 100 milhões de toneladas de milho para esta segunda safra.

Com a safra estadunidense em excelentes condições de cultivo, aliado a grandes volumes a serem colhidos no Brasil, o preço do milho se mantém com viés de baixa (gráfico 4).

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Gráfico 4. Preço do milho (R$/SC 60kg) em CAMPINAS-SP, nos últimos 6 meses, até dia 15/07/24.

Fonte: CEPEA

Segundo o MBagro esta tendência de queda de preços no milho pode ser interrompida pela forte demanda para produção de etanol e do setor de carnes, associada à possível manutenção de um câmbio mais desvalorizado, trazendo pressão de preços nos meses vindouros. À medida que o ano avança os produtores vão acumulando resultados financeiros positivos em todas as regiões pesquisadas, conforme a tabela 5, a seguir.

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Tabela 5. Custos totais (ciclo completo), preço de venda e lucro/prejuízo estimados nos três estados do Sul (R$/kg suíno vivo vendido) e em Goiás (trimestral), em 2023 e 2024 (até junho).

OBS: custo de Goiás levantado trimestralmente pela Embrapa.

Elaborado por Iuri P. Machado com dados: Embrapa (custos) e Cepea (preço).

Considerações finais

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que o balanço do primeiro semestre, com pequenas oscilações nos custos e preço de venda reagindo nos últimos meses, se apresenta como um período de rara estabilidade financeira do setor, que ainda contabiliza dívidas da crise passada, mas que enxerga um horizonte de curto e médio prazo bastante favorável. “Numa atividade marcada pela grande oscilação de margens, é preciso que o produtor destine parte dos lucros para investir na modernização de sua granja, buscando a sustentabilidade em sintonia com as novas exigências do mercado. Melhorar antes de crescer deve ser o foco quando o mercado está favorável”, conclui.

Fonte: ABCS

Fonte: Portal do Agronegócio

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UE descarta mudar regras e carne brasileira pode perder mercado em setembro

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A União Europeia não pretende reduzir suas exigências sobre o uso de antimicrobianos para manter a entrada de produtos brasileiros. Sem um acordo técnico, carnes e outros alimentos de origem animal produzidos no Brasil deixarão de ser aceitos no bloco a partir de 3 de setembro.

A posição foi reforçada pelo embaixador da Irlanda no Brasil, Martin Gallagher. O país ocupa até dezembro a presidência rotativa do Conselho da União Europeia, responsável por coordenar os trabalhos dos governos do bloco.

A restrição não decorre da descoberta de contaminação em carregamentos brasileiros. O problema está na comprovação de que o sistema de produção nacional atende às regras europeias, especialmente a proibição de antimicrobianos usados para acelerar o crescimento dos animais e de medicamentos reservados ao tratamento de infecções humanas.

Em junho, a Comissão Europeia retirou o Brasil da relação de países considerados aptos a cumprir essas normas. A mudança alcança carne bovina, de frango e de cavalo, além de pescado, mel, tripas e outros produtos antes habilitados.

As exigências já estavam previstas na legislação europeia e passam a ser aplicadas integralmente em setembro. Segundo o embaixador, o Brasil conhecia as condições e vinha discutindo sua implementação com autoridades do bloco havia anos.

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Para retornar à lista, o governo brasileiro terá de demonstrar que possui controles capazes de acompanhar o uso dos medicamentos ao longo da cadeia produtiva. Não basta uma empresa ou fazenda declarar que atende às regras: a União Europeia exige garantias oficiais, fiscalização e certificação.

Essa necessidade ajuda a explicar a dificuldade de uma solução rápida. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que a adaptação completa da pecuária bovina poderá levar cerca de 30 meses, considerando o ciclo de produção dos animais.

Argentina, Paraguai e Uruguai permaneceram habilitados, o que enfraquece o argumento de que a decisão tenha sido uma barreira dirigida ao Mercosul. Para o bloco europeu, a retirada do Brasil foi resultado da análise técnica da documentação apresentada.

A suspensão não fecha todos os mercados para a carne brasileira nem afeta a comercialização no país. Seu efeito ficará concentrado nas empresas e propriedades que abastecem a União Europeia, destino menor em volume do que a China, mas relevante pela compra de cortes de maior valor e pela diversificação das exportações.

O impasse ocorre justamente nos primeiros meses de aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Assinado em janeiro, o tratado começou a produzir efeitos em 1º de maio e prevê a redução gradual de tarifas em mais de 90% do comércio entre os blocos. A aplicação provisória está confirmada pela Comissão Europeia.

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O acordo, contudo, não elimina exigências sanitárias. A redução de tarifas pode facilitar o comércio, mas cada produto continuará obrigado a cumprir os padrões do mercado importador. Na prática, a carne brasileira poderá ter condições tarifárias melhores e, ao mesmo tempo, permanecer impedida de entrar no bloco por falta de habilitação sanitária.

Brasil e Comissão Europeia ainda negociam uma solução. Gallagher afirmou que o bloco está aberto ao diálogo, mas não trabalha com a possibilidade de flexibilizar suas normas. Também não há indicação de que o país conseguirá recuperar a autorização antes de 3 de setembro.

Até lá, frigoríficos habilitados precisam acompanhar o destino das cargas e as orientações do governo. Caso o Brasil não seja reincluído na lista, produtos que chegarem ao mercado europeu depois da entrada em vigor da regra poderão não ser aceitos, mesmo que tenham sido embarcados anteriormente.

Fonte: Pensar Agro

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