AGRONEGÓCIO

MCT: produtores rurais lançam movimento para defender propriedades rurais produtivas

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Lançado oficialmente nesta quarta-feira (30.04), em Ribeirão Preto (SP), o Movimento dos Trabalhadores com Terra (MCT). A proposta é proteger propriedades produtivas e se posicionar contra invasões de terra.

O movimento surgiu em março, em Santa Catarina, mas já ganhou força e apoio em diversos estados. O idealizador do MCT é Marcelo Parison, agricultor e advogado catarinense. “A ideia veio após uma conversa em família, quando comentei que, diante de tantas invasões, deveríamos criar um movimento dos trabalhadores com terra. A proposta pegou e, em poucos dias, já estávamos com uma bandeira e apoio pelo país inteiro”, contou.

O caso que motivou Parison ocorreu em Zortéa (SC), onde uma fazenda foi alvo de quatro invasões e estaria na mira de uma quinta tentativa, segundo ele. Isso acendeu um alerta não só em sua região, mas também entre produtores de outros estados que enfrentam preocupações semelhantes.

Parison esclarece que o MCT não é contra a reforma agrária em si, mas defende que propriedades que estejam em plena atividade produtiva não sejam invadidas ou ameaçadas. “Não podemos permitir que uma fazenda que emprega, produz e paga seus impostos seja tratada como terra improdutiva. O foco é defender quem está produzindo”, explica.

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O movimento também se articula juridicamente. Um estatuto está em fase de elaboração, e há planos para o lançamento de uma cartilha com orientações sobre como agir em casos de ameaças ou invasões. A ideia é oferecer um suporte prático e legal aos produtores.

Outro ponto que tem gerado tensão entre os produtores é o programa federal Terra da Gente, que prevê a desapropriação por adjudicação compulsória em casos de inadimplência — o que pode ocorrer, por exemplo, em uma frustração de safra. Segundo lideranças do agronegócio, esse tipo de medida coloca em risco o direito à propriedade de produtores que estão sujeitos às variações climáticas e de mercado.

A deputada federal Daniela Reinehr apresentou o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 1276, que busca suspender os efeitos desse programa. Para ela, o produtor rural já enfrenta desafios suficientes sem precisar lidar com a ameaça de perder suas terras. “Ninguém vai tolerar mais invasões. Precisamos de segurança jurídica para quem produz”, afirmou.

O lançamento do MCT representa uma reação do setor produtivo diante do aumento das tensões no campo. Com o crescimento da produção agrícola e a pressão por terras, muitos produtores temem que suas propriedades sejam classificadas como “improdutivas” mesmo estando em operação.

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Para o produtor rural, o recado é claro: organização e mobilização estão ganhando força como ferramentas para garantir segurança no campo. O MCT pretende se expandir por todo o país, defendendo o direito à propriedade e a importância do agronegócio para a economia nacional.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Brasil soma 700 novos mercados e R$ 20 bilhões em negócios mesmo sob pressão de tarifas

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As novas autorizações para vender produtos do agro brasileiro no exterior já geraram mais de R$ 20 bilhões em negócios desde janeiro de 2023, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O balanço, anunciado nesta terça-feira (13.10), acompanha a marca de 700 aberturas de mercado. Para produtores e empresas, o avanço amplia as opções de compradores num momento em que tarifas e outras restrições encarecem as vendas internacionais.

O número exige uma distinção: são 700 autorizações para produtos em diferentes destinos, e não 700 países. Um mesmo país pode liberar a compra de carnes, frutas e sementes, por exemplo, e aparecer várias vezes na conta. Cada aprovação permite disputar um mercado, mas ainda é preciso encontrar comprador e acertar preço, frete e condições de entrega.

Os R$ 20 bilhões mostram que parte dessas oportunidades já virou negócio. O valor, porém, não permite calcular quanto as aberturas acrescentaram às exportações totais do Brasil. Uma venda a um novo destino pode representar produção adicional ou substituir um embarque antes enviado a outro comprador. O balanço também reúne negócios de quase quatro anos; não é o resultado apenas de 2026.

Entre as liberações recentes está a venda de pescado brasileiro aos Emirados Árabes Unidos, tanto de captura quanto de criação. Também foram autorizados o mamão fresco para o Kuwait e o milho em grãos para a Síria. São oportunidades para cadeias diferentes, cujo retorno dependerá do tamanho das encomendas e do custo de atender cada comprador.

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A busca por alternativas ganha peso porque um aumento de tarifa pode interromper pedidos mesmo quando há produto disponível. Entre os efeitos estão o adiamento de compras, a renegociação de contratos e a redução do ganho das empresas. Para quem produz, o risco é ter mercadoria pronta e encontrar condições de venda piores do que as previstas.

Ter mais compradores ajuda a reduzir esse risco e dá alternativas quando um destino restringe as compras. A concentração ainda é relevante: em 2025, a China respondeu por 32,7% das exportações do agronegócio brasileiro, quase um terço do total, segundo o Mapa.

Produtos do agro com muitos compradores internacionais tendem a encontrar alternativas com mais facilidade do que mercadorias feitas para clientes específicos. Ainda assim, trocar de destino não assegura a manutenção do preço. Um novo comprador pode pagar menos, exigir outro padrão de produto ou estar mais longe, aumentando a conta do transporte.

Embora a tarifa seja cobrada no país importador, o exportador brasileiro também pode pagar parte dessa conta. Se houver fornecedores concorrentes, o comprador pode exigir um desconto para manter o pedido. O negócio continua, mas sobra menos dinheiro para a cadeia que produziu e entregou a mercadoria.

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Por isso, o efeito sobre o campo precisa ser medido também pelo preço recebido e pelos custos, além do volume exportado. Vender mais toneladas não garante maior renda: frete caro, descontos e despesas de produção podem consumir o ganho. Os R$ 20 bilhões anunciados são negócios realizados, não lucro dos produtores.

Há despesas antes mesmo do primeiro embarque. Certificações, comprovação da origem, adaptação de embalagens e transporte precisam entrar na conta. No pescado e nas frutas, por exemplo, a conservação durante a viagem pesa na viabilidade da venda. A autorização sanitária elimina uma barreira, mas não resolve toda a operação.

Produtores, cooperativas e agroindústrias também precisam manter registros que comprovem de onde vem o produto e como foi produzido. Essas informações podem ser condição para entrar e continuar no mercado. Organizar a documentação antes de negociar ajuda a evitar que uma oportunidade seja perdida por falta de comprovação.

Para 2027, a ampliação dos destinos oferece alternativas diante de novas restrições comerciais. O resultado para o produtor dependerá de transformar essas permissões em pedidos regulares, com preços que cubram os custos. A próxima medida do avanço será quanto cada mercado compra — e quanto dessa venda chega à renda de quem produz.

Fonte: Pensar Agro

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