AGRONEGÓCIO
Inovações com Bionanomateriais Prometem Revolucionar Construção Civil, Agricultura e Produção de Biocombustíveis
Publicado em
29 de agosto de 2024por
Da Redação
A busca por soluções energéticas sustentáveis tem avançado significativamente na Universidade Federal de Lavras (UFLA), onde cientistas estão desenvolvendo produtos inéditos que visam integrar a geração de energia renovável com a construção civil, a agricultura e a produção de biocombustíveis. Esses projetos inovadores utilizam bionanomateriais derivados de fungos, oferecendo uma resposta tecnológica alinhada com as demandas atuais de sustentabilidade e desenvolvimento.
Segundo o professor Joaquim Paulo da Silva, coordenador da Gaia, agência de inovação responsável pelos projetos na UFLA, a transição para energias renováveis é uma necessidade imperativa, dada a pressão ambiental causada pelo uso intensivo de combustíveis fósseis. “Estamos em um momento crucial para planejar o futuro das próximas gerações, equilibrando a necessidade de reduzir o impacto ambiental com a garantia da segurança energética global”, destaca o pesquisador.
Biobutanol: uma alternativa promissora ao petróleo
Um dos focos dessas pesquisas é a criação de biocombustíveis por meio da engenharia de enzimas, utilizando proteínas e polissacarídeos de microrganismos, especialmente fungos, combinados com gorduras residuais de animais como boi, porco, frango e peixe. O biobutanol, uma das inovações desenvolvidas, destaca-se por suas vantagens: menor corrosão nos motores, menor risco de contaminação de águas e redução das emissões de carbono.
O professor Eustáquio Souza Dias, do Instituto de Ciências Naturais (ICN) da UFLA, explica que os produtos de origem fúngica apresentam um potencial muito além do explorado até hoje no Brasil. Ele observa que, enquanto a produção tradicional de etanol utiliza a levedura Saccharomyces cerevisiae, limitada a açúcares de 6 carbonos (como a glicose), outras espécies de fungos empregadas na produção de etanol de segunda geração conseguem processar tanto açúcares de 6 carbonos quanto de 5 carbonos (como a xilose), ampliando assim as possibilidades de matérias-primas.
Além disso, os resíduos fúngicos gerados na produção do biobutanol podem ser convertidos em quitosanas, substâncias com aplicações sustentáveis na agricultura, indústria e saúde. “As quitosanas podem ser usadas como pesticidas biológicos, agentes filtrantes na indústria de sucos, na remoção de metais pesados da água, e até no tratamento de feridas crônicas”, acrescenta Dias.
Integração sustentável na agricultura e construção civil
Em outra frente de pesquisa, a UFLA está desenvolvendo células solares transparentes utilizando nanopartículas de fungos, voltadas para sistemas agrovoltaicos. Essa tecnologia permitirá que áreas de cultivo, como as plantações de café, sejam aproveitadas simultaneamente para a geração de energia solar, sem comprometer o desenvolvimento das plantas. “A radiação UV é capturada pelos painéis solares, enquanto a luz visível, essencial para as plantas, passa pelas células solares transparentes”, explica Tatiana Cardoso e Bufalo, professora do ICN/UFLA.
Na construção civil, a inovação segue a tendência de integrar sistemas fotovoltaicos às estruturas arquitetônicas, uma prática conhecida globalmente como Building-Integrated Photovoltaics (BIPV). A UFLA está trabalhando no desenvolvimento de foto-supercapacitores estruturais que unificam captação e armazenamento de energia, utilizando biomateriais à base de fungos. “Nosso objetivo é criar uma tecnologia que possa ser incorporada diretamente ao cimento em construções, funcionando de maneira autônoma, sem necessidade de conexão à rede elétrica”, detalha Bufalo.
Essas pesquisas, que envolvem parcerias com instituições como a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e a Universidade de Santa Catarina (UFSC), estão em diversas fases de desenvolvimento e já estão sendo patenteadas. A Gaia/UFLA, agência criada para promover a inovação em energias renováveis e desenvolvimento de materiais avançados, está à frente dessas iniciativas, que buscam aliar tecnologia, desenvolvimento econômico, sustentabilidade e proteção ambiental.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Crédito privado do agro supera R$ 1,34 trilhão e CPR lidera financiamento
Published
6 horas agoon
21 de agosto de 2026By
Da Redação
O estoque dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,34 trilhão em julho, primeiro mês da safra 2026/27. O resultado mostra o aumento da participação do mercado de capitais no custeio da produção, na comercialização antecipada da safra e no financiamento de empresas ligadas às cadeias agroindustriais.
Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e abrangem as Cédulas de Produto Rural (CPR), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).
A CPR manteve a liderança entre os instrumentos analisados, com estoque de R$ 580,78 bilhões. O volume estava distribuído em 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão por cédula.
Somente em julho foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPR. Esse é o dado que melhor indica o ingresso de operações no primeiro mês da nova temporada. O estoque total também inclui títulos emitidos anteriormente que ainda não foram liquidados.
A CPR permite ao produtor ou à cooperativa antecipar recursos para financiar a atividade. Na modalidade física, o compromisso pode ser liquidado com a entrega futura do produto agropecuário. Na CPR financeira, a quitação ocorre em dinheiro. O instrumento também é usado como garantia em operações para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.
O avanço das CPR amplia as alternativas ao crédito rural bancário, especialmente em períodos de juros elevados ou de maior restrição nas linhas oficiais. Ao mesmo tempo, exige atenção às condições estabelecidas no contrato, como taxa de juros, forma de liquidação, garantias, vencimento e consequências em caso de frustração da safra.
As Letras de Crédito do Agronegócio apresentaram o segundo maior estoque, com R$ 560,37 bilhões. As LCA são emitidas por instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e financiar operações relacionadas ao setor.
Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% do estoque das LCA deve ser reaplicado no financiamento da atividade agropecuária. Isso representa aproximadamente R$ 336,22 bilhões.
Dentro desse volume, ao menos 45% devem ser destinados ao crédito rural oficial, o equivalente a R$ 151,30 bilhões. Os valores incluem tanto operações da safra 2026/27 quanto contratos de temporadas anteriores que continuam em aberto.
Isso significa que o estoque divulgado não corresponde integralmente a recursos novos disponíveis para contratação imediata. Parte representa financiamentos já concedidos e títulos que ainda não chegaram ao vencimento.
Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio somaram R$ 174,20 bilhões em julho. O CRA permite transformar créditos originados em negócios do setor em títulos negociados com investidores, aproximando empresas e cadeias produtivas do mercado de capitais.
Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio alcançaram estoque de R$ 30,21 bilhões. O CDCA é emitido por cooperativas e empresas que atuam na comercialização, no beneficiamento ou na industrialização de produtos agropecuários e tem como lastro direitos de crédito ligados ao setor.
Fora da soma de R$ 1,34 trilhão, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) também avançaram como fonte privada de recursos. Os dados mais recentes, referentes a junho, mostram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões distribuído entre 285 fundos.
Os Fiagro podem investir em imóveis rurais, participações em empresas, direitos creditórios e outros ativos ligados ao agronegócio. Para o setor produtivo, funcionam como uma ponte entre investidores e projetos de produção, armazenagem, logística, agroindústria e aquisição de ativos.
O crescimento desses instrumentos reforça a diversificação do financiamento rural, historicamente concentrado nos bancos e nos recursos do Plano Safra. Para o produtor, porém, maior oferta de alternativas não elimina a necessidade de comparar custos, garantias e riscos. O volume disponível no mercado é elevado, mas o acesso e as condições de pagamento variam conforme a atividade, o porte da operação e a capacidade financeira de cada tomador.
Fonte: Pensar Agro
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