AGRONEGÓCIO
IATF avança com biotecnologia e hormônio recombinante aumenta padronização e eficiência na pecuária de corte
Publicado em
24 de abril de 2026por
Da Redação
A Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) se consolidou como uma das principais tecnologias da pecuária de corte no Brasil, impulsionando ganhos de escala, padronização e avanço genético. Com a intensificação dos sistemas produtivos, o desafio agora deixa de ser apenas a adoção da técnica e passa a ser a execução de protocolos com maior controle e consistência de resultados.
O movimento acompanha a evolução da pecuária nacional, marcada por avanços sanitários, aumento da demanda e maior inserção do Brasil no mercado internacional, o que eleva a pressão por eficiência e produtividade dentro das propriedades.
Reprodução se torna eixo central da eficiência produtiva
Nesse cenário, a reprodução passa a ter papel cada vez mais estratégico dentro das fazendas.
“A IATF já é uma ferramenta consolidada, mas o nível de exigência mudou. Hoje, não se busca apenas prenhez, mas regularidade de resultado, padronização de lote e eficiência operacional”, afirma Rafael Moreira, gerente da Linha de Reprodução da Ceva Saúde Animal.
Segundo o especialista, os principais desafios atuais estão na execução dos protocolos, com impactos diretos nos índices reprodutivos.
Variabilidade nos protocolos impulsiona busca por biotecnologia
Diferenças na resposta dos animais, inconsistência entre lotes e sensibilidade ao manejo são fatores que afetam o desempenho reprodutivo. Esse cenário abre espaço para o avanço da biotecnologia aplicada à reprodução animal.
Parte dessa variação está relacionada ao uso do eCG (gonadotrofina coriônica equina), hormônio amplamente utilizado na IATF para estimular o crescimento folicular e induzir a ovulação, especialmente em fêmeas em anestro ou com menor condição corporal.
Tradicionalmente obtido a partir do sangue de éguas prenhes, o hormônio pode apresentar variações entre lotes, o que impacta a uniformidade dos resultados.
“Na reprodução, pequenas diferenças têm impacto direto no resultado final. A consistência do protocolo passa a ser tão importante quanto a técnica em si”, explica Moreira.
Hormônio recombinante reduz variações e aumenta padronização
Nesse contexto, os hormônios recombinantes surgem como alternativa para ampliar a padronização e o controle dos protocolos reprodutivos.
Entre as soluções disponíveis, o Foli-Rec, da Ceva Saúde Animal, é destacado como o primeiro eCG recombinante disponível no Brasil.
O produto é desenvolvido a partir de uma fração do DNA da égua e produzido em biorreator, eliminando a dependência de matéria-prima de origem animal. Isso garante maior pureza e uniformidade da molécula, resultando em respostas mais estáveis no crescimento folicular e na sincronização da ovulação.
“O avanço está justamente na capacidade de reduzir variabilidade. Isso aumenta o nível de controle sobre o protocolo e melhora a previsibilidade dos resultados”, reforça Moreira.
Adoção da tecnologia cresce no campo brasileiro
O uso da biotecnologia na IATF já mostra forte adesão no campo. Em pouco mais de um ano, o Foli-Rec ultrapassou 1 milhão de doses utilizadas no Brasil, indicando rápida aceitação e confiança dos produtores.
O desempenho consistente nos protocolos também contribui para a expansão da tecnologia nas propriedades de pecuária de corte.
Facilidade de uso melhora eficiência operacional na IATF
Além dos ganhos biológicos, o hormônio recombinante também traz avanços operacionais. O Foli-Rec é apresentado em forma líquida e pronto para uso, eliminando etapas de reconstituição.
Essa característica reduz o risco de falhas de manejo, especialmente em um cenário marcado pela escassez de mão de obra qualificada no campo, contribuindo para maior eficiência na execução da IATF.
Sustentabilidade e bem-estar animal ganham relevância
Outro ponto importante da evolução tecnológica é o alinhamento com práticas de bem-estar animal. Por não depender da coleta de sangue de éguas prenhes, o eCG recombinante elimina uma prática cada vez mais questionada por mercados internacionais.
Segundo especialistas, essa mudança reforça a tendência do setor de adotar soluções mais sustentáveis, padronizadas e com maior controle produtivo.
“Essa é uma tendência clara. O setor caminha para soluções mais sustentáveis, padronizadas e com maior controle. A biotecnologia responde diretamente a esse movimento”, completa Moreira.
IATF se consolida como ferramenta de precisão na pecuária moderna
Diante de um ambiente mais competitivo e tecnificado, a IATF amplia seu papel na estratégia produtiva da pecuária de corte.
Mais do que expandir o uso da técnica, o foco do setor passa a ser a qualidade da execução, com maior previsibilidade, menor variabilidade e alinhamento às novas exigências de eficiência, sustentabilidade e profissionalização da produção.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Superávit no comércio exterior cresce, mas pressão sobre margens exige novas estratégias das empresas brasileiras
Published
34 minutos agoon
24 de abril de 2026By
Da Redação
O Brasil mantém, nos últimos anos, uma sequência de superávits expressivos na balança comercial, impulsionados principalmente pelo desempenho do agronegócio e de commodities. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmam resultados positivos recorrentes no comércio exterior.
No entanto, esse cenário de crescimento agregado convive com um desafio crescente para as empresas: a redução das margens de lucro, pressionadas por custos logísticos elevados, instabilidade cambial e mudanças nas regras do comércio global.
Superávit da balança comercial não reflete ganho real das empresas
Apesar do saldo positivo nas exportações, especialistas apontam que o resultado macroeconômico não reflete necessariamente maior rentabilidade para as companhias exportadoras.
Segundo Murillo Oliveira, especialista em investimentos e estruturação financeira internacional e Head of Treasury da Saygo, muitas empresas estão vendendo mais, mas com margens menores.
“O superávit não significa que as empresas estão ganhando mais. Muitas estão vendendo mais, mas com margens comprimidas por custos que não aparecem na leitura macro dos dados”, afirma.
Custos logísticos e barreiras globais pressionam competitividade
O ambiente internacional tem sido marcado por fatores que elevam o custo das operações. Entre eles estão juros elevados em economias centrais, oscilações frequentes do câmbio e o avanço de políticas protecionistas.
Medidas como a imposição de tarifas adicionais por grandes economias também impactam diretamente a competitividade dos exportadores brasileiros, reduzindo previsibilidade e ampliando riscos.
Além disso, gargalos logísticos e tributários continuam pesando sobre o setor. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que custos logísticos e fiscais podem representar cerca de 30% das operações de comércio exterior no Brasil.
Gestão financeira se torna fator decisivo para manter margens
De acordo com o especialista, a sustentabilidade das margens depende cada vez mais da estruturação financeira e da eficiência operacional das empresas.
“Hoje, margem não se protege só com preço ou volume. Ela depende de gestão financeira, estratégia cambial e eficiência operacional integrada”, destaca Oliveira.
Esse cenário tem levado empresas a revisar processos, buscar novos mercados e investir em inteligência financeira para reduzir riscos e melhorar previsibilidade.
Diversificação de mercados e integração de operações ganham força
Entre as principais respostas das companhias está a diversificação geográfica das exportações, reduzindo a dependência de poucos destinos comerciais.
A entrada em mercados da Europa e da Ásia tem sido uma alternativa para diluir impactos de tarifas e instabilidades geopolíticas. No entanto, essa estratégia exige maior maturidade operacional e planejamento financeiro mais sofisticado.
Também cresce a demanda por soluções que integrem câmbio, logística e tributação em uma única visão estratégica, permitindo maior controle das operações internacionais.
Falta de visibilidade aumenta riscos nas operações internacionais
A ausência de integração entre dados financeiros e operacionais é apontada como um dos principais riscos para empresas exportadoras.
“A empresa que opera no exterior sem visibilidade de ponta a ponta está exposta. Pequenas variações de custo ou câmbio já são suficientes para transformar lucro em prejuízo”, afirma Oliveira.
Cinco estratégias para proteger margens no comércio exterior
Especialistas destacam um conjunto de decisões estruturais adotadas por empresas que conseguem preservar rentabilidade mesmo em cenários de pressão:
1. Gestão cambial estruturada
A volatilidade do dólar segue como um dos principais riscos do comércio exterior. O uso de instrumentos como hedge, contratos a termo e contas em moeda estrangeira ajuda a reduzir exposição e aumentar previsibilidade.
“O câmbio não pode ser tratado como uma variável passiva”, afirma o especialista.
2. Diversificação de mercados e moedas
A concentração em poucos destinos aumenta riscos comerciais. A ampliação para diferentes regiões reduz impactos de barreiras comerciais e instabilidades geopolíticas.
3. Revisão de custos logísticos e tributários
Frete internacional, armazenagem e carga tributária continuam entre os principais fatores de pressão. Regimes especiais e estratégias fiscais podem reduzir custos operacionais.
4. Integração de dados financeiros e operacionais
A centralização de informações permite melhor leitura de riscos e decisões mais rápidas, especialmente em operações globais complexas.
5. Uso de assessoria especializada
O suporte técnico contribui para negociações mais eficientes, acesso a incentivos fiscais e estruturação adequada das operações internacionais.
Reorganização global abre oportunidades, mas exige eficiência
Apesar dos desafios, o processo de reorganização das cadeias globais de comércio cria novas oportunidades para países exportadores como o Brasil.
No entanto, especialistas reforçam que o aproveitamento desse cenário depende de controle operacional e estratégia financeira.
“A oportunidade existe, mas não é automática. Quem tiver controle, inteligência financeira e capacidade de adaptação vai capturar valor. Quem operar no automático tende a perder margem, mesmo com crescimento de vendas”, conclui Oliveira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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