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Hedgepoint revisa projeções da safra brasileira de café 25/26: Arábica cai e Conilon cresce

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Após o fim da colheita, a Hedgepoint Global Markets divulgou novas projeções para a safra brasileira de café 2025/2026, destacando impactos climáticos nas principais regiões produtoras de Arábica. Durante a maior parte de 2024, as chuvas ficaram abaixo da média, especialmente na fase de floração do ciclo 25/26, prejudicando a produtividade.

Em 2025, apesar das boas precipitações em janeiro e fevereiro, o veranico atingiu Minas Gerais e São Paulo, reduzindo a produção geral do Arábica. Com isso, a Hedgepoint revisou suas estimativas de 39,6 milhões para 37,7 milhões de sacas, uma queda de 13,3% em relação à safra 24/25.

Segundo Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint, “a falta de chuva em São Paulo e em regiões como Sul de Minas e Zona da Mata gerou problemas de qualidade e produtividade. Considerando esse cenário, a produção de Arábica foi ajustada para baixo”.

Conilon/Robusta registra alta histórica

Enquanto o Arábica sofreu, a produção de Conilon/Robusta teve crescimento significativo. A Hedgepoint aumentou a projeção para 27 milhões de sacas, alta de 30% em relação à safra 24/25, impulsionada por condições climáticas favoráveis no Espírito Santo e na Bahia, além do aumento dos investimentos em lavouras devido aos preços elevados do café.

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As chuvas dentro da média nas áreas de Conilon e o aprimoramento na gestão das plantações contribuíram para uma produtividade acima do esperado, reforçando o crescimento dessa variedade na safra 25/26.

Desempenho regional da safra 25/26

Minas Gerais: O Cerrado Mineiro apresentou precipitação próxima ou acima da média histórica, equilibrando parcialmente a produção do estado. Sul de Minas e Zona da Mata tiveram chuvas abaixo do esperado, resultando em maior presença de grãos moca, mas aumento na proporção de peneiras 17/18.

  • São Paulo: A falta de chuva afetou qualidade e produtividade, em linha com as regiões mineiras mais críticas.
  • Espírito Santo e Bahia: Regiões de Conilon registraram precipitação adequada, o que favoreceu florescimento, produtividade e qualidade dos grãos.
Impactos na demanda interna e exportações

A redução da produção de Arábica e o aumento do Conilon devem alterar o mix de consumo interno e exportações. A diferença atual de preços entre as variedades pode estimular maior uso do Conilon na indústria nacional, enquanto a menor disponibilidade de Arábica pode reduzir suas exportações.

Laleska Moda explica: “O mercado interno deve absorver mais Conilon, e o uso do Arábica deve cair. A demanda total interna pode diminuir levemente em 1,2%, atingindo 21,7 milhões de sacas. Nos mercados externos, o diferencial de preços e a arbitragem entre Arábica e Robusta podem reduzir exportações de Arábica.”

Além disso, as tarifas entre EUA e Brasil, principal destino do Arábica brasileiro, podem contribuir para a redução das exportações dessa variedade, enquanto outros países produtores, como Vietnã, Indonésia e Uganda, devem ampliar sua participação no mercado internacional.

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Perspectivas para a safra 26/27

Apesar dos desafios enfrentados na safra 25/26, a Hedgepoint sinaliza potencial positivo para o próximo ciclo. Chuvas em abril ajudaram a melhorar as condições dos cafeeiros, e o aumento dos investimentos dos produtores pode gerar resultados positivos em 2026/2027. No Espírito Santo, flores da próxima safra já começaram a surgir, especialmente nas regiões sul do estado e da Bahia, apontando para um início promissor do ciclo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro bate recorde e chega a 28,4 milhões de trabalhadores ocupados

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O agronegócio brasileiro ampliou sua participação no mercado de trabalho em 2025 e alcançou o maior contingente de trabalhadores da série histórica. Segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), elaborado em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o setor encerrou o ano com 28,4 milhões de pessoas ocupadas, avanço de 2,2% sobre 2024.

Na prática, isso significa que o agro gerou cerca de 601,8 mil novos postos de trabalho no período, elevando sua participação no total de empregos do país de 26,1% para 26,3%. O crescimento ficou acima do ritmo registrado pelo mercado de trabalho nacional, que avançou 1,7% no mesmo intervalo.

O principal motor dessa expansão foi o segmento de agrosserviços, que reúne atividades ligadas à logística, transporte, armazenagem, suporte operacional e serviços conectados à cadeia agroindustrial. O número de trabalhadores nessa área cresceu 6,1% em 2025, alcançando 10,6 milhões de pessoas — cerca de 600 mil a mais do que no ano anterior.

Segundo o estudo, esse avanço está diretamente relacionado à retomada da atividade agroindustrial e à expansão da demanda por serviços associados à produção agropecuária. O crescimento do processamento de alimentos, da indústria de insumos e da estrutura logística aumentou a necessidade de mão de obra fora da porteira.

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O levantamento mostra, na prática, uma mudança gradual no perfil do emprego do agro brasileiro. Embora o campo continue sendo a base da produção, o crescimento mais forte passou a ocorrer nos segmentos ligados à industrialização, tecnologia, armazenagem, transporte e serviços especializados.

Enquanto isso, o segmento primário — ligado diretamente à produção agrícola e pecuária — registrou retração de 1,1% no número de trabalhadores. Em 2025, cerca de 7,77 milhões de pessoas atuavam diretamente nas atividades dentro da porteira, redução de aproximadamente 87 mil vagas em relação ao ano anterior.

Segundo os pesquisadores, a queda ocorreu principalmente na agricultura, enquanto a pecuária apresentou maior estabilidade no nível de ocupação.

Os demais segmentos da cadeia também apresentaram crescimento. O setor de insumos avançou 3,4%, impulsionado pelo desempenho das indústrias de fertilizantes, defensivos, medicamentos veterinários e máquinas agrícolas. Já a agroindústria registrou alta de 1,4% no número de trabalhadores.

Além da expansão quantitativa, o estudo aponta mudanças no perfil da mão de obra. O número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 4,6%, enquanto os profissionais que atuam por conta própria avançaram 3,2%.

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Também houve aumento da participação de trabalhadores com maior escolaridade. O contingente de profissionais com ensino superior cresceu 8,3%, enquanto aqueles com ensino médio avançaram 4,2%, refletindo a crescente demanda por qualificação técnica dentro das cadeias agroindustriais.

A participação feminina no setor também continuou avançando. Segundo o levantamento, o número de mulheres ocupadas no agronegócio cresceu 2,6% em 2025, acima da expansão observada entre os homens, que foi de 1,9%.

O rendimento médio do trabalhador do agro também apresentou ganho real. A renda média subiu 3,9% no período, desempenho ligeiramente superior ao observado no mercado de trabalho brasileiro como um todo.

Os dados reforçam uma tendência que vem se consolidando nos últimos anos: o agronegócio brasileiro deixou de ser apenas um setor de produção primária e passou a funcionar como uma cadeia econômica cada vez mais integrada, intensiva em serviços, tecnologia e industrialização.

Fonte: Pensar Agro

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