AGRONEGÓCIO
Governo libera R$ 15 bilhões visando ajudar agro exportador
Publicado em
26 de março de 2026por
Da Redação
Em meio ao aumento das incertezas no comércio global por conta da guerra no Oriente Médio, o governo federal abriu uma nova linha de crédito de até R$ 15 bilhões para empresas exportadoras, com potencial impacto direto sobre o agronegócio, que é o principal motor da balança comercial brasileira.
A medida foi formalizada nesta terça-feira (24.03), com a edição da Medida Provisória nº 1.345/2026, que cria linhas de financiamento no âmbito do Plano Brasil Soberano. Os recursos serão operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e devem atender empresas exportadoras e cadeias produtivas estratégicas.
O movimento ocorre em um ambiente de maior volatilidade internacional, marcado por tensões geopolíticas e pelo recrudescimento de barreiras comerciais. Nesse contexto, o crédito surge como instrumento para sustentar o fluxo de produção, embarques e investimentos, especialmente em setores com forte inserção externa, como o agro.
Além da MP, o governo sancionou, no mesmo dia, a Lei nº 15.359/2026, que institui o Sistema Brasileiro de Crédito Oficial à Exportação. A nova legislação busca modernizar os mecanismos de financiamento e seguro, ampliar a transparência das operações e alinhar o país às práticas internacionais.
Na prática, as linhas poderão ser utilizadas para capital de giro, aquisição de máquinas, ampliação da capacidade produtiva e investimentos em inovação. Parte dos recursos virá do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), além de outras fontes sob gestão da equipe econômica.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), a iniciativa é relevante, mas precisa chegar de forma efetiva ao setor produtivo.
“Esse tipo de medida é importante porque dá sustentação ao fluxo de exportação em um momento de maior instabilidade. O agro brasileiro depende diretamente do mercado externo, então qualquer restrição de crédito acaba afetando toda a cadeia, do produtor até a indústria”, afirma.
Segundo ele, o impacto tende a ser mais amplo do que o alcance direto das linhas de financiamento.
“Quando há liquidez para exportação, há previsibilidade de demanda. Isso ajuda na formação de preços e na decisão de investimento dentro da porteira. O produtor precisa dessa segurança para planejar a safra seguinte”, pontuou.
Rezende pondera, no entanto, que o efeito prático dependerá das condições operacionais do crédito.
“O volume é significativo, mas o que define o resultado são os detalhes: taxa de juros, prazo, exigências. Se o acesso for restrito ou concentrado, o impacto no campo pode ser limitado”.
O pacote também prevê o fortalecimento de instrumentos de garantia, como o Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE), e a ampliação da cobertura de risco para micro, pequenas e médias empresas. Há ainda incentivo a operações ligadas à economia verde, em linha com exigências crescentes de mercados internacionais.
Para o agronegócio, que responde por cerca de metade das exportações brasileiras, o conjunto de medidas chega em momento sensível. Com preços mais voláteis e custos elevados, a disponibilidade de crédito pode ser determinante para manter o ritmo de produção e preservar a competitividade do país no mercado global.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
5 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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