AGRONEGÓCIO
Frango inicia 2026 em queda, mas setor mantém otimismo com exportações recordes e custos sob controle
Publicado em
18 de fevereiro de 2026por
Da Redação
Queda nos preços marca o início do ano
O mercado de carne de frango começou 2026 com retração nos preços, acompanhando o comportamento típico do período. De acordo com o Itaú BBA, no relatório Agro Mensal, a combinação de menor demanda doméstica e aumento da oferta pressionou as cotações, embora as exportações recordes e os custos controlados tenham ajudado a preservar as margens da avicultura.
Em São Paulo, o preço da ave inteira congelada acumulou queda de 14% entre o início de janeiro e 9 de fevereiro, com leve recuperação nos últimos dias e valor próximo de R$ 7 por quilo. O movimento foi semelhante ao da carne suína, enquanto as carcaças bovinas mantiveram preços firmes.
Oferta em alta e recorde nas exportações
O aumento da produção também contribuiu para a pressão sobre os preços. Segundo o relatório, o número de abates segue em trajetória de crescimento, impulsionado pelo forte ritmo de alojamentos de pintos em dezembro, 8% acima do mesmo mês de 2024.
Apesar da maior oferta interna, o Brasil atingiu novo recorde histórico de exportações para o mês de janeiro, com 459 mil toneladas embarcadas, alta de 3,6% frente a janeiro de 2025. O preço médio de exportação foi de US$ 1.905 por tonelada, representando aumento de 2,1% em relação ao ano anterior.
Margens recuam, mas setor segue sustentado por custos estáveis
O spread do frango abatido — diferença entre o preço da carne no atacado e o custo de produção — recuou para 36%, ante 42% no mês anterior. A queda refletiu o ajuste negativo no preço da ave e uma leve alta de 0,6% nos custos. Mesmo assim, as margens permanecem positivas, sustentadas principalmente pelo controle nos preços da ração, especialmente do milho.
Carne de frango ganha competitividade frente à bovina
A redução nas cotações do frango melhorou sua competitividade em relação à carne bovina. Em fevereiro, o preço da ave ficou 24% mais favorável em comparação ao dianteiro bovino, o que deve impulsionar a demanda doméstica e apoiar a recuperação do mercado nos próximos meses.
Perspectivas positivas para o setor
Com o fim do período de menor consumo e o retorno gradual da demanda após o carnaval, o relatório do Itaú BBA indica um cenário de estabilização e possível recuperação nos preços. Caso os alojamentos de janeiro tenham sido menores que os de dezembro, a oferta poderá se ajustar, favorecendo o equilíbrio do mercado interno.
Além disso, as exportações continuam apresentando desempenho robusto, o que deve contribuir para sustentar as cotações, mesmo em meio à expansão da produção.
Custos da ração seguem controlados, mas clima traz incertezas
Os custos de alimentação permanecem em patamar favorável, com a primeira safra de milho superando as expectativas e a safrinha de milho apresentando boas condições até o momento. No entanto, o desempenho da segunda safra ainda depende do ritmo de plantio nas regiões de cerrado, cuja janela ideal se encerra no fim de fevereiro.
O mercado do cereal deve permanecer equilibrado, sem grandes variações de preço, mas seguirá sensível às condições climáticas nos meses de março e abril — fator que pode alterar os custos de produção da avicultura.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Mercado de máquinas usadas movimenta até R$ 30 bilhões no Brasil, mas enfrenta falta de controle, preço e transparência
Published
22 minutos agoon
11 de maio de 2026By
Da Redação
O mercado de máquinas usadas no Brasil movimenta cifras bilionárias todos os anos e desempenha papel estratégico para setores como agronegócio, construção civil, mineração e infraestrutura. Apesar da relevância econômica, o segmento ainda opera com forte grau de informalidade, baixa transparência e ausência de mecanismos básicos de controle e rastreabilidade.
Estimativas do setor apontam que apenas o segmento de máquinas de linha amarela usadas negocia cerca de 100 mil unidades por ano no país. Com ticket médio entre R$ 150 mil e R$ 250 mil por equipamento, o volume financeiro anual varia entre R$ 10 bilhões e R$ 20 bilhões. Quando somado ao mercado de máquinas agrícolas usadas, esse montante pode alcançar aproximadamente R$ 30 bilhões por ano.
No entanto, a ausência de dados estruturados impede até mesmo uma mensuração exata do tamanho do setor, evidenciando um mercado ainda distante do nível de maturidade observado em segmentos mais organizados, como o automotivo.
Falta de referência de preços gera insegurança no mercado
Segundo Jonathan Pedro Butzke, Head da Operação de Máquinas da Auto Avaliar, um dos principais gargalos do setor está na inexistência de referências confiáveis de preços para máquinas usadas no Brasil.
Equipamentos semelhantes acabam sendo negociados por valores bastante diferentes, sem critérios técnicos padronizados que sustentem as variações de preço. Em muitos casos, a precificação depende mais da percepção do vendedor do que de indicadores objetivos de mercado.
Outro problema estrutural está relacionado à avaliação técnica dos ativos. Máquinas agrícolas e de construção podem permanecer em operação por mais de 20 anos e passar por diversos proprietários ao longo desse período, perdendo completamente o histórico de manutenção, uso e possíveis avarias.
Ausência de rastreabilidade amplia informalidade
Diferentemente do mercado automotivo, o Brasil não possui um sistema centralizado de registro para máquinas pesadas e agrícolas. Não existe um equivalente ao Detran que permita acompanhar transferência de propriedade, histórico de sinistros ou informações técnicas do equipamento.
Essa ausência de rastreabilidade cria um ambiente de insegurança tanto para compradores quanto para vendedores. Muitas vezes, nem mesmo o proprietário consegue determinar com precisão o valor real da máquina.
Como consequência, o mercado segue fortemente informal. Grande parte das negociações ainda ocorre à vista, sem padronização operacional e, em alguns casos, com dificuldades até para emissão de notas fiscais e formalização das transações.
Além disso, operações envolvendo trocas de ativos e intermediações pouco estruturadas continuam sendo comuns no setor.
Crédito limitado trava expansão do mercado
A desorganização do segmento impacta diretamente o acesso ao crédito. Sem histórico técnico confiável, previsibilidade de valor ou garantias claras, instituições financeiras enfrentam dificuldades para oferecer financiamento para máquinas usadas.
O resultado é um ciclo que limita a evolução do setor:
- Sem crédito, predominam operações à vista;
- Sem formalização, o mercado continua desestruturado;
- Sem dados confiáveis, aumenta o risco financeiro e operacional.
Esse cenário reduz a liquidez dos ativos e dificulta o crescimento sustentável do mercado de máquinas usadas no Brasil.
Digitalização surge como principal caminho para transformação
Para especialistas do setor, a digitalização representa a principal oportunidade de modernização e organização desse mercado bilionário.
A adoção de plataformas digitais pode contribuir para:
- Criação de referências confiáveis de preços;
- Padronização de avaliações técnicas;
- Registro do histórico operacional das máquinas;
- Aumento da transparência nas negociações;
- Ampliação do acesso ao crédito;
- Maior liquidez para compra e venda de ativos.
No entanto, o desafio vai além da simples digitalização de anúncios online. A transformação exige mudanças estruturais capazes de criar mecanismos confiáveis de registro, avaliação e rastreamento dos equipamentos.
Mercado global amplia oportunidades e desafios
O segmento de máquinas usadas possui ainda forte integração internacional, especialmente na América Latina, onde equipamentos agrícolas e de construção são frequentemente negociados entre países.
Esse movimento amplia o potencial econômico do setor, mas também aumenta a necessidade de padronização e controle operacional.
Para Jonathan Butzke, a transformação digital deixou de ser tendência e passou a ser uma necessidade estratégica para o futuro do mercado.
A expectativa é que a modernização do setor contribua para destravar bilhões de reais atualmente represados pela falta de transparência, impulsionando crédito, segurança jurídica e eficiência nas negociações.
Com maior organização, o mercado de máquinas usadas poderá se tornar mais previsível, financiável e competitivo, fortalecendo cadeias fundamentais para o agronegócio e para a economia brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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