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Fotossíntese e a produtividade

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O potencial produtivo de uma planta é definido por suas características genéticas. Entretanto, para que esse potencial seja atingido, é necessário que as condições ambientais sejam ideais, o que dificilmente ocorre. Assim, a produtividade verificada no momento da colheita é a resultante do potencial genético e do manejo da cultura, modulado pela adequação das condições ambientais.

Energia

As plantas usam a radiação solar como fonte de energia para a fotossíntese. A taxa fotossintética é altamente dependente da quantidade de luz, sendo maior conforme aumenta a radiação fotossinteticamente ativa (PAR, na sigla em inglês), até determinado limite. Ela designa a faixa espectral (banda de ondas) da radiação solar entre 400 a 700 nanômetros, que é ativa no processo de fotossíntese. Esta região espectral corresponde mais ou menos à faixa de luz visível ao olho humano. Os fótons em comprimentos de onda mais curtos tendem a ser tão energéticos que podem danificar células e tecidos, mas que são majoritamente filtrados pela camada de ozônio na estratosfera. Os fótons em comprimentos de onda mais longos não transportam energia suficiente para permitir a fotossíntese.

Os carboidratos produzidos durante a fotossíntese são as reservas da planta, sendo armazenados e usados para o crescimento da planta, para seu desenvolvimento e para a formação de sementes ou estruturas de armazenamento (tubérculos, frutos).

Conceitos básicos

Existem dois conceitos importantes relacionando a incidência de energia e a fotossíntese. O primeiro deles demarca o início do processo de fotossíntese, que pode ocorrer em diferentes níveis de energia luminosa, variável em função da espécie vegetal, sendo denominado de ponto de compensação de luz (LCP, na sigla em inglês). Define-se esse ponto como sendo o momento em que a energia é suficiente para a atividade fotossintética produzir mais oxigênio do que o necessário para a respiração da planta (bit.ly/46Dk8Pi). Da mesma forma, a liberação de dióxido de carbono, por meio da respiração pela planta, deve ser menor do que o dióxido de carbono total usado pela planta para a fotossíntese. Ou seja, no ponto de compensação de luz, a fotossíntese líquida é igual a zero.

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O segundo conceito trata do ponto de saturação de luz (LSP, na sigla em inglês). Em teoria, quanto maior a incidência luminosa tanto maior a taxa fotossintética da planta (bit.ly/3WXQaSY). Realmente, quando aumenta a incidência de energia, logo após o LCP, a relação entre radiação fotossinteticamente ativa e fotossíntese líquida assume uma forma quase linear. Mas, ela se torna curvilinear a partir de determinado ponto, até que estabiliza, em um determinado patamar, variável entre espécies. Ocorre que, conforme a intensidade da luz aumenta, a taxa fotossintética atinge um ponto máximo, que é o LSP. Quando esse ponto é alcançado, a curva da taxa de fotossíntese torna-se invariável, posto que insensível ao acréscimo de incidência de energia.

Qualidade da luz

Porém, não é apenas a intensidade luminosa que determina a taxa fotossintética, a qual depende, também, da qualidade da luz (comprimento de onda). O sol é a grande fonte emissora de energia para fotossíntese e emite comprimentos de onda entre 280 nm e 2.800 nm (97% da distribuição espectral total). A porção do espectro que nos interessa pode ser dividida em três regiões: ultravioleta (100-380 nm), luz visível (380-780 nm) e infravermelho (700-3.000 nm). A energia mais alta corresponde aos comprimentos de onda menores, assim a faixa do espectro ultravioleta tem maior densidade energética que a região do infravermelho.

A luz visível é dividida em: violeta (380-430 nm), azul (430-500 nm), verde (500-570 nm), amarelo (570-590 nm), laranja (590-630 nm) e vermelho (630-770 nm). As plantas utilizam a radiação compreendida entre 400-700 nm para a fotossíntese, razão pela qual essa faixa é conhecida como Radiação Fotossintética Ativa (PAR). A clorofila, pigmento verde das folhas responsável pela absorção do PAR, apresenta dois picos de absorção: a luz azul e a vermelha. As folhas absorvem pouco verde e o refletem de volta, sendo o motivo pelo qual vemos as folhas na cor verde.

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Cor da luz

As “cores da luz” (comprimentos de onda) têm efeitos diferentes nas plantas:

  • Luz ultravioleta: Causa danos ao DNA, reduz a taxa de fotossíntese, a floração e a polinização diminuem e o desenvolvimento da semente é afetado. A faixa de ultravioleta A (315-380 nm) pode causar alongamento das plantas.
  • Luz Azul: Corresponde ao pico mais intenso de absorção da radiação pelas plantas, portanto o processo fotossintético é mais eficiente quando há luz azul. Ela é responsável pelo crescimento vegetativo e foliar e é importante para mudas e plantas jovens, pois ajuda a reduzir o estiolamento das plantas.
  • Luz Vermelho Próxima (630-699 nm): Esse é o outro pico de absorção de luz pelas folhas. O fitocromo (um fotorreceptor) responde positivamente à luz vermelha. É importante na regulação da floração e frutificação. Também ajuda a aumentar o diâmetro do caule e promove a ramificação.
  • Luz Vermelho Distante (700-770 nm): Essa luz pode causar alongamento da planta e desencadear a floração em plantas de dia longo.

O alongamento da planta ocorre quando a relação “Vermelho Próximo:Vermelho Distante” é baixa, ou seja, quando as plantas estão mais expostas ao vermelho distante. Na natureza, observamos esse fenômeno quando as plantas são sombreadas por plantas vizinhas; posto que as plantas sombreadas recebem uma proporção maior de luz vermelho distante e tendem a crescer mais altas para alcançar mais luz. Isso pode se tornar um problema com culturas em estufas que são sombreadas por cestas suspensas ou são plantadas muito próximas umas das outras.

Em resumo, é necessário que ocorra uma incidência adequada de energia proveniente do sol, para que ocorra o máximo de fotossíntese. Em dias de forte nebulosidade, a taxa fotossintética diminui. Ela também depende da qualidade de luz, que é influenciada pela nebulosidade e pelo sombreamento das plantas.

Por Décio Luiz Gazzoni, engenheiro-agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja, e membro do CCAS, do CESB e da ABCA

Fonte: CCAS

Fonte: Portal do Agronegócio

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Carne suína perde força no início de 2026: consumo menor e preços em leve queda marcam o setor

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Após o período de festas, o mercado de carne suína inicia 2026 com menor dinamismo. Segundo análise da Safras & Mercado, os preços da proteína registraram estabilidade na primeira semana do ano, tanto no quilo vivo quanto nos principais cortes comercializados no atacado.

O analista Fernando Iglesias explica que a demanda naturalmente perde força no primeiro trimestre, um movimento oposto ao da carne de frango, que tende a ganhar espaço no consumo doméstico.

“A carne suína sofre com a descapitalização da população e com as altas temperaturas, que desestimulam o consumo da proteína in natura”, afirma Iglesias.

Mudança no perfil de consumo

Com a retração da demanda por cortes frescos, a tendência é que o consumo se concentre em embutidos, como presunto, mortadela, linguiça e salsicha, produtos que mantêm estabilidade mesmo em períodos de menor procura por carne fresca.

De acordo com o analista, esse padrão deve se manter ao longo do primeiro trimestre de 2026, refletindo o comportamento sazonal do mercado brasileiro.

Preços recuam levemente em várias regiões

O levantamento da Safras & Mercado mostra que o preço médio nacional do quilo do suíno vivo caiu de R$ 8,00 para R$ 7,92 na semana. No atacado, o pernil ficou em R$ 13,14 e a carcaça suína teve média de R$ 12,37.

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Entre os estados, o comportamento dos preços foi de leve retração ou estabilidade:

  • São Paulo: arroba caiu de R$ 170,00 para R$ 167,00;
  • Rio Grande do Sul: integração estável em R$ 6,75 e queda no interior de R$ 8,59 para R$ 8,50;
  • Santa Catarina: integração em R$ 6,70 e interior em queda para R$ 8,40;
  • Paraná: leve baixa para R$ 8,35 no mercado livre;
  • Mato Grosso do Sul: estabilidade em R$ 8,00 (Campo Grande) e R$ 6,70 (integração);
  • Goiás e Minas Gerais: sem alterações, com preços entre R$ 8,20 e R$ 8,70;
  • Mato Grosso: quilo vivo em Rondonópolis mantido em R$ 8,00.

Esses resultados refletem um período de ajuste pós-festas, com oferta e demanda buscando novo equilíbrio.

Exportações seguem em alta e sustentam o setor

Apesar do cenário doméstico de menor consumo, o mercado externo continua sendo um importante fator de sustentação para a suinocultura brasileira.

Em dezembro de 2025, o Brasil exportou 118,6 mil toneladas de carne suína “in natura”, movimentando US$ 300,7 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

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As médias diárias registraram aumento de 25,6% em volume e 25,9% em valor em comparação a dezembro de 2024, com preço médio de US$ 2.535,20 por tonelada.

Esses números confirmam o fortalecimento das vendas externas, especialmente para mercados asiáticos, que seguem como os principais destinos da proteína brasileira.

Perspectiva para o primeiro trimestre de 2026

A expectativa é de que o setor atravesse um período de menor rentabilidade nos primeiros meses de 2026, antes de uma possível recuperação gradual a partir do segundo trimestre, com o retorno de temperaturas mais amenas e recomposição da demanda interna.

Enquanto isso, o desempenho nas exportações deve continuar sendo o principal motor de estabilidade para os produtores brasileiros.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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