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Fazenda Santa Tereza encerra Gira Técnica do Mundial Braford com foco em genética e integração produtiva

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A Fazenda Santa Tereza, localizada em Arambaré (RS), será palco da etapa final da Gira Técnica do Mundial Braford, oferecendo aos participantes um panorama detalhado de sua atuação em genética e sistemas produtivos integrados. Com quase um século de história, a propriedade é referência na combinação entre pecuária e agricultura, e apresentará seu modelo de seleção de reprodutores Braford, além dos desafios enfrentados na produção em áreas de terras baixas.

De acordo com o titular da fazenda, Paulo Azambuja, a base produtiva da Santa Tereza está ancorada na integração entre a criação de bovinos e o cultivo de arroz, soja e milho. “Nosso rebanho é composto exclusivamente por animais da raça Braford, com cerca de 500 matrizes em produção. Buscamos desenvolver touros rústicos, adaptados às condições do campo, que assegurem eficiência produtiva e reprodutiva no modelo de integração lavoura-pecuária”, afirma.

Durante a visita técnica, os participantes poderão acompanhar de perto todas as categorias do plantel, desde os terneiros e terneiras da safra 2024, até novilhas prenhas, touros prontos para comercialização e os lotes de vacas que integram o rebanho. “Queremos mostrar todo o ciclo produtivo e evidenciar os principais atributos que garantem eficiência e alinhamento com as exigências do mercado”, destaca Azambuja.

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A fazenda é reconhecida pelos avanços obtidos em programas de avaliação genética. “Conquistamos posições de destaque em testes promovidos pela Embrapa, como a Prova de Avaliação a Campo (PAC) e a Prova de Eficiência Alimentar (PEA). No ano passado, vencemos a PEA na raça Braford, resultado que reforça nosso compromisso com produtividade e eficiência”, observa o criador.

Além da avaliação visual e produtiva, a propriedade adota tecnologia de ultrassonografia de carcaça em reprodutores e matrizes, buscando aprimorar a correlação entre genética e qualidade de carne. “Trabalhamos com essa técnica há mais de cinco anos, com foco em rendimento, acabamento de carcaça e qualidade do produto final. O objetivo é unir eficiência a campo com desempenho superior no frigorífico”, complementa.

Outro diferencial da Santa Tereza é a participação contínua em programas de melhoramento genético. “Integramos o Promebo desde a década de 1980 e o PampaPlus desde sua criação. Esses dados, combinados com nossa avaliação fenotípica, possibilitam selecionar os melhores indivíduos para reprodução. Temos alcançado posições de destaque com nossos animais, tanto machos quanto fêmeas, o que comprova a solidez do nosso trabalho”, enfatiza Azambuja.

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A realização da última etapa da Gira Técnica na Santa Tereza reforça o papel do Mundial Braford como instrumento de difusão de conhecimento e estímulo à troca de experiências entre criadores. “Queremos apresentar a realidade da produção pecuária em nossa região, enfrentando desafios como a proximidade com a Lagoa dos Patos e a exigência de renovação das pastagens cultivadas após as lavouras de arroz. Acreditamos na genética Braford como uma ferramenta eficiente e rentável para diferentes realidades produtivas”, conclui.

A Gira Técnica integra a programação do 9º Congresso Mundial Braford, que ocorre entre os dias 28 de abril e 4 de maio, e contempla quatro dias de visitas a importantes criatórios no Rio Grande do Sul, com palestras, exposição de animais e momentos de confraternização. A programação será concluída no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), durante a realização da 18ª Exposição Nacional da Raça Hereford. A organização dos dois eventos é de responsabilidade da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB).

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Safra 2026/2027 reduz crédito rural, corta recursos equalizados e amplia críticas sobre números anunciados pelo governo

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O anúncio do Plano Safra 2026/2027 para a agricultura empresarial, realizado pelo governo federal, gerou forte reação do setor produtivo e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Embora o Executivo tenha apresentado o programa como um “Plano Safra recorde”, a análise detalhada dos números revela redução nos recursos destinados às principais modalidades de crédito rural, diminuição do volume de recursos equalizados e mudanças na metodologia de cálculo que elevaram artificialmente o valor total anunciado.

O plano soma R$ 525,1 bilhões, crescimento nominal de 1,7% em relação ao ciclo anterior. Entretanto, parte desse aumento decorre da incorporação de recursos provenientes de programas que tradicionalmente não integravam o escopo do Plano Safra, enquanto linhas consideradas essenciais para o financiamento da produção registraram cortes significativos.

Crédito para custeio encolhe e preocupa produtores

A principal redução ocorreu justamente nas operações de custeio e comercialização, responsáveis por financiar o plantio, a compra de insumos, o manejo das lavouras e a manutenção da atividade agropecuária.

Os recursos destinados a essa finalidade caíram de R$ 414,7 bilhões no Plano Safra 2025/2026 para R$ 384,9 bilhões no novo ciclo, uma redução de 7,2%. Para entidades do setor, essa diminuição pode limitar o acesso ao crédito rural em um momento de elevados custos de produção e restrição financeira enfrentada pelos produtores.

Outro ponto considerado preocupante é a queda dos recursos equalizados — aqueles subsidiados pelo Tesouro Nacional para reduzir as taxas de juros das operações de crédito rural. O volume passou de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões, representando retração de 14,7%.

Na avaliação de representantes do agronegócio, a redução reforça uma tendência de substituição das linhas com juros controlados por modalidades de financiamento mais caras, aumentando o custo do crédito no campo.

Investimentos crescem apenas no papel, apontam análises

Embora o governo tenha destacado um aumento de 38,1% nos recursos destinados aos investimentos, passando de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões, especialistas observam que esse crescimento decorre, em grande parte, da inclusão de recursos de programas externos ao crédito rural tradicional.

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Entre os valores incorporados estão R$ 10 bilhões do programa Move Agricultura, vinculado ao Move Brasil, além de R$ 28,5 bilhões do Ecoinvest Brasil, iniciativa voltada à recuperação de pastagens.

Sem esses recursos adicionais, o volume efetivamente disponível para investimentos dentro da estrutura tradicional do Plano Safra seria significativamente menor. Nesse cenário, o total do programa ficaria em R$ 486,6 bilhões, cerca de 5,7% abaixo do montante disponibilizado no ciclo anterior.

Linhas estratégicas sofrem cortes expressivos

Apesar do discurso de fortalecimento dos investimentos, a maior parte das linhas tradicionais registrou redução de recursos.

O Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), voltado à renovação de máquinas agrícolas, sofreu um dos maiores cortes do plano. Os recursos caíram de R$ 9,5 bilhões para R$ 3,7 bilhões, redução superior a 50%.

Também houve diminuição nos recursos destinados ao Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), justamente em um momento em que o Brasil enfrenta déficit de capacidade de armazenagem diante das sucessivas safras recordes.

Segundo avaliações do setor, das 12 principais linhas de investimento com juros definidos, apenas uma apresentou aumento de recursos.

Recursos privados ganham peso no financiamento

Outra parcela relevante do Plano Safra continua baseada nas Cédulas de Produto Rural (CPRs), que representam aproximadamente R$ 194 bilhões do total anunciado.

Esses recursos são financiados principalmente pelas Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), instrumento privado que mantém isenção de Imposto de Renda para investidores e se consolidou como uma das principais fontes de financiamento do setor.

O fortalecimento das LCAs ganhou ainda mais importância após a rejeição, pelo Congresso Nacional, da proposta do governo que previa tributação desses títulos. Segundo integrantes da bancada ruralista, caso a medida tivesse sido aprovada, a disponibilidade de recursos privados para o crédito agrícola poderia ser ainda menor.

Seguro Rural permanece fragilizado

Outro ponto que gerou críticas foi a ausência de medidas para fortalecer o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

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Nas últimas semanas, o governo promoveu sucessivos bloqueios orçamentários que reduziram os recursos do programa de R$ 1,01 bilhão para aproximadamente R$ 473 milhões.

Com a redução, entidades do setor estimam que a cobertura do Seguro Rural poderá atingir o menor nível da última década, justamente em um cenário marcado pela confirmação do fenômeno El Niño e pelo aumento dos riscos climáticos para a produção agrícola.

A limitação do programa preocupa produtores, especialmente diante do elevado endividamento do setor e da crescente frequência de eventos climáticos extremos.

FPA critica números e cobra mudanças na política agrícola

Em nota oficial, a Frente Parlamentar da Agropecuária classificou o Plano Safra 2026/2027 como insuficiente para atender às necessidades do setor produtivo.

Segundo a entidade, o governo utilizou uma metodologia diferente das edições anteriores ao incorporar recursos externos ao crédito rural tradicional, criando a percepção de um programa maior do que efetivamente representa para o produtor.

A FPA também criticou a redução dos recursos destinados ao custeio, aos investimentos estratégicos, ao crédito equalizado e ao Seguro Rural, afirmando que essas medidas ocorrem justamente em um momento de elevado endividamento do campo e aumento da exposição aos riscos climáticos.

Além das questões financeiras, a bancada ruralista manifestou preocupação com a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia de lançamento do Plano Safra voltado à agricultura empresarial. Para a entidade, a decisão transmite um sinal político de divisão entre agricultura empresarial e agricultura familiar, quando ambas integram a mesma cadeia responsável pelo abastecimento, geração de empregos e desenvolvimento da economia brasileira.

A Frente Parlamentar da Agropecuária informou que continuará defendendo, no Congresso Nacional, a aprovação do Projeto de Lei nº 5.122/2023, que trata da renegociação das dívidas rurais, e do Projeto de Lei nº 2.951/2024, que propõe uma reformulação do modelo de Seguro Rural no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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