AGRONEGÓCIO

Falta de Chuvas Aumenta Foco na Produtividade dos Canaviais, Indica Rabobank

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A escassez de chuvas nas principais regiões canavieiras do Brasil desde o início de agosto trouxe à tona a importância da produtividade dos canaviais, conforme relata um recente relatório do banco holandês Rabobank. Assinado por Andy Duff, estrategista global de açúcar do Rabobank, o documento foi divulgado na sexta-feira, 30 de agosto.

Segundo o relatório, a produtividade no estado de São Paulo sofreu uma queda superior a 15% em julho em comparação com o mesmo período da safra anterior. No entanto, Duff observa que a temporada 2023/24 teve um desempenho “espetacularmente bom”.

Os cálculos do Rabobank mostram que cerca de 50% da área de cana a ser colhida na região Centro-Sul já foi processada, totalizando 332,88 milhões de toneladas até o final de julho, conforme dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica). Duff questiona quais serão as condições para a cana restante, dada a seca prolongada. “Com a colheita priorizando cana mais jovem e vigorosa, como será a produtividade nos próximos meses?”, indaga o estrategista.

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O relatório também aponta que, até o final de julho, a proporção de matéria-prima direcionada à produção de açúcar atingiu 49,2%. A menor pureza média do caldo, abaixo do esperado, tem impacto negativo na produção de açúcar, explicando parcialmente a dificuldade em elevar o mix de açúcar para além de 50%.

Andy Duff, do Rabobank, participará da Conferência NovaCana 2024, que ocorrerá em São Paulo nos dias 9 e 10 de setembro. Ele será um dos palestrantes do painel “SAF: momento para o etanol decolar”. Clique aqui para conferir a programação completa.

Preços e Mercado

O relatório também destaca que o consumo de etanol permanece “robusto”, com o biocombustível hidratado mantendo preços competitivos nos postos. Na região Sudeste, o etanol foi comercializado, em média, a 66% do preço da gasolina, uma condição considerada vantajosa.

Em meados de agosto, a arbitragem entre açúcar e etanol, em termos de açúcar equivalente, foi calculada em 3,1 centavos de dólar por libra-peso, favorecendo o adoçante. Contudo, esse valor representa o menor nível registrado em 2024 até o momento.

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Além disso, o preço médio do açúcar total recuperável (ATR) no estado de São Paulo, conforme estabelecido pelo Consecana, está em R$ 1,17/kg até agora na safra 2024/25, ligeiramente abaixo da média de R$ 1,20/kg da temporada anterior. A recuperação dos preços do etanol e a desvalorização do real em relação ao dólar entre abril e julho ajudaram a mitigar o impacto dos preços mais baixos do açúcar para exportação, segundo o Rabobank.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Barreiras verdes da Europa colocam em risco mercado de R$ 16,5 bilhões do agro brasileiro

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Correndo contra o tempo para não colocar em risco cerca de R$ 16,5 bilhões (US$ 3 bilhões) em exportações, o agronegócio brasileiro vive uma realidade de dupla velocidade em sua relação comercial com a Europa.

De um lado, o setor acompanha as vantagens do acordo comercial provisório entre o Mercosul e a União Europeia, em vigor desde o dia 1º de maio, que traz uma redução gradual das tarifas de importação até a alíquota zero para diversos produtos. De outro, corre contra o tempo para se adequar à Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), cuja aplicação, após forte pressão dos países produtores, está confirmada para dezembro deste ano.

O emaranhado de regras e o tom das cobranças europeias foram o centro dos debates no Seminário Internacional do Café, realizado em Santos (SP). Lideranças do setor e representantes do governo pouparam críticas ao formato da nova legislação ambiental, classificada como unilateral e insensível à realidade do produtor rural brasileiro.

Para o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as medidas restritivas adotadas pelo bloco europeu perdem eficiência justamente por ignorar os esforços e os dados oficiais do Brasil. Representantes da pasta destacaram que o País conseguiu reduzir o desmatamento em 50%, um resultado robusto que deveria ser considerado em negociações bilaterais (construídas em conjunto por ambos os lados), em vez de imposições de caráter extraterritorial, ou seja, leis criadas fora que tentam ditar as regras dentro do território nacional.

O governo brasileiro reforçou que está intensificando os canais de comunicação com a Europa para esclarecer as diferenças fundamentais entre o texto da lei internacional e a realidade prática das propriedades rurais no Brasil.

O avanço das negociações entre Mercosul e União Europeia mira um mercado estratégico para o bolso do produtor. O bloco europeu consolidou-se como o segundo maior destino do agronegócio brasileiro, fechando o ano de 2025 com importações que somaram US$ 22,1 bilhões em produtos do campo, liderados pelo complexo soja, café e carnes.

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A consolidação do acordo com tarifa zero promete abrir de forma definitiva as portas para um mercado consumidor de mais de 500 milhões de pessoas com alto poder aquisitivo, cujo PIB em bloco chega a impressionantes R$ 130 trilhões, aumentando drasticamente a competitividade do produto nacional frente aos concorrentes globais.

Por outro lado, especialistas em economia agrícola alertam que o desmatamento ilegal cobra uma conta alta e direta do setor. No curto prazo, a não adequação às exigências da lei europeia (EUDR) coloca em risco imediato cerca de US$ 3 bilhões (aproximadamente R$ 16,5 bilhões) em exportações brasileiras de produtos diretamente afetados pela nova regra, como o café e a soja.

Além do bloqueio comercial, o prejuízo atinge a produtividade dentro da porteira: estudos técnicos apontam que a degradação ambiental e a alteração no regime de chuvas causadas pelo desmatamento na Amazônia e no Cerrado já geram uma perda estimada em mais de R$ 5 bilhões anuais para o agronegócio brasileiro, devido a atrasos no plantio e quebras de safra por seca no Centro-Oeste e no Sudeste.

Apesar do cenário de cobrança, o setor exportador entende que a lei é uma realidade incontornável e que o Brasil precisa transformar o desafio em oportunidade comercial, mostrando ao mercado global o rigor da sua produção.

Segundo entidades ligadas aos exportadores de café, o setor precisa estar preparado até dezembro. No entanto, há um alerta para falhas técnicas cruciais no entendimento dos europeus sobre a geografia e a legislação brasileira.

Os principais gargalos regulatórios apontados pelas entidades:

  • Desrespeito às bases públicas: A União Europeia ainda resiste em utilizar e respeitar os dados oficiais de monitoramento e os cadastros públicos do governo brasileiro, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR).

  • Confusão de conceitos: A regulamentação atual da lei europeia não faz uma diferenciação clara entre o que é floresta nativa e o que é floresta plantada.

  • Risco injustificado: Na prática, a existência de um talhão de eucalipto ou outra espécie plantada para fins comerciais dentro de uma propriedade tecnicamente correta já eleva, aos olhos do comprador europeu, o risco de descumprimento da lei.

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A busca por simplificação, contudo, ganhou um aceno recente. De acordo com informações de agências de certificação internacional, a União Europeia divulgou um pacote com a quinta atualização dos documentos orientadores da lei ambiental. O objetivo desse novo pacote é dar mais clareza ao processo, desburocratizar a papelada e reduzir os custos operacionais para que o foco central — o combate ao desmatamento real — seja atingido sem penalizar quem produz de forma correta.

Se por um lado o acordo provisório com o Mercosul abriu as portas para a redução de impostos, o Ministério da Agricultura adverte que o alívio nas tarifas não significa, de forma alguma, um afrouxamento na fiscalização da Europa.

As barreiras técnicas e sanitárias continuam rígidas. Um exemplo recente foi a suspensão temporária do Brasil da lista de exportadores de determinados produtos de origem animal para o bloco europeu, motivada pelo uso de antimicrobianos (medicamentos utilizados no controle de infecções bacterianas) na cadeia produtiva.

Para o produtor rural brasileiro, a mensagem que sai do setor técnico é clara: o mercado europeu continuará sendo um dos principais compradores do agro nacional e a tarifa zero é uma grande vantagem econômica, mas o acesso real a esse dinheiro dependerá, cada vez mais, de dados rastreáveis, comprovação de sustentabilidade e conformidade sanitária absoluta.

Fonte: Pensar Agro

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