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Exportações do Vietnã seguem abaixo da média, sustentando preços no mercado de café

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  • Além do Vietnã, os embarques da Indonésia também seguem abaixo das mínimas históricas, ainda que seja esperada uma recuperação em 24/25.
  • Do lado baixista, um clima mais favorável no Vietnã poderia levar à uma recuperação da produção em 24/25. Nossas expectativas, no entanto, ainda são de um menor potencial produtivo na próxima temporada.
  • Outro ponto de possível baixa no mercado são os maiores estoques certificados de robusta da ICE.
  • Por outro lado, às incertezas climáticas no Brasil ainda podem oferecer suporte às cotações – tanto do robusta quanto do arábica – nas próximas semanas.

Os preços do café robusta avançaram por boa parte da última semana, refletindo as preocupações quanto à oferta da variedade. Desde 2023, as cotações têm se elevado devido à queda de produção no Vietnã e na Indonésia na temporada 23/24, também quanto às preocupações climáticas durante o desenvolvimento da safra 24/25 no primeiro país.

De acordo com Laleska Moda, analista de Café da Hedgepoint Global Markets, “a oferta mais restrita ficou evidenciada pelo desempenho das exportações dos países asiáticos nos últimos meses. No caso do Vietnã, desde abril os embarques de café têm permanecido abaixo das médias históricas e, em alguns meses, ficaram inclusive abaixo das mínimas históricas, o que tem reforçado a visão de baixos estoques no Sudeste Asiático. Os embarques acumulados em 23/24 (22,5 M scs) já são 10,2% inferiores à temporada de 22/23 (25,1 M scs)”.

A analista acrescenta que, na Indonésia, os embarques em 23/24 também foram reduzidos, assim como observado nos primeiros meses da safra corrente, 24/25, iniciada em abril/24. No entanto, as expectativas são de aumento das exportações até o final do ano, devido à esperada recuperação da produção neste novo ciclo.

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É válido destacar que esse cenário de oferta restrita no Sudeste Asiático também trouxe certas mudanças nos destinos. Na União Europeia, por exemplo, (maior importador cafés do mundo) fica evidente a redução da participação dos cafés vietnamitas, indonésios e indianos nas importações do bloco em 23/24 (out/23- jul/24), com um recuo expressivo em julho, o que está em linha com as baixas exportações do Vietnã.

“Por outro lado, vemos o aumento expressivo da importação dos grãos brasileiros – evidenciado em relatório anterior”, destaca.

Apesar do cenário mais altista é valido ressaltar que também há alguns potenciais pontos baixistas no mercado.” Primeiramente, o clima mais favorável no Vietnã nos últimos meses – especialmente em julho – tem aumentado a expectativa de alguns agentes de uma leve recuperação na produção do país em 24/25. Nossa expectativa, no entanto, ainda é de uma safra mais baixa nesta temporada, devido às temperaturas médias mais altas e às precipitações acumuladas abaixo da média até junho”, reforça.

Outro ponto de atenção é a recuperação dos estoques certificados da ICE. Ainda que os estoques sigam abaixo da média histórica, entre julho e agosto foi registrado uma maior entrada de café, ultrapassando os valores médios de 2023 para estes meses.

“A expectativa de maiores exportações do Brasil e Indonésia – especialmente com destino à Europa, dado as preocupações com o EUDR – e uma possível recuperação dos estoques no curto prazo pode exercer pressão de baixa”, acredita.

“Porém, devemos lembrar que as expectativas para o restante da safra 24/25 ainda indicam déficit, especialmente dado à menor produção do robusta. Além disso, o panorama climático nas origens também irá exercer influência nos preços do café nos próximos meses, tanto para o arábica quanto para o robusta”, diz.

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Neste caso, as maiores incertezas do mercado são acerca do Brasil. As temperaturas mais baixas no começo de agosto elevaram os futuros em LN e NY.

“Uma nova frente fria também está à caminho das regiões produtoras de café nos próximos dias, mantendo o mercado em alerta. Além disso, crescem as preocupações quanto o tempo seco no país, visto que algumas floradas foram registradas nas regiões produtoras”, aponta.

Uma menor umidade nas próximas semanas, especialmente em setembro, poderia trazer algum impacto para a safra de 25/26, adicionando à alta. Por outro lado, chuvas abundantes nos próximos meses trariam uma visão mais otimista para a temporada seguinte.

“Neste caso, com a redução da intensidade do fenômeno La Niña no último mês, espera-se que o clima siga mais próximo da normalidade neste segundo semestre”, pondera.

Em resumo, o mercado do café segue altamente volátil, atento às incertezas quanto à oferta. Para o robusta, em especial, dados de exportação do Vietnã abaixo da média tem pesado nas cotações, reforçando o cenário de baixos estoques no Sudeste Asiático.

Entretanto, expectativa de maiores embarques da Indonésia e uma possível recuperação dos estoques certificados da ICE, além de um maior volume de chuvas no Vietnã, podem ser pontos de baixa no curto prazo.

“Vale ressaltar, no entanto, que um fator essencial para o movimento dos preços nas próximas semanas será o clima no Brasil. Além da previsão de uma nova frente fria no país nos próximos dias, a continuidade do tempo seco poderia adicionar à alta, devido aos possíveis impactos na temporada 25/26”, conclui.

Fonte: Hedgepoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo

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Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.

O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.

A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.

A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.

A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.

Isan Rezende

INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.

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Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.

Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.

O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.

No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.

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Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.

Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.

Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.

Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.

Fonte: Pensar Agro

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