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Empresas brasileiras lideram 70% das contratações de alta liderança no agronegócio, aponta Michael Page

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De acordo com um levantamento da Michael Page, consultoria especializada em recrutamento para média e alta gerência, as companhias brasileiras passaram de 50% para 70% na participação das contratações de profissionais da alta liderança no setor agro durante o primeiro quadrimestre de 2024. Esse crescimento reflete um processo de profissionalização e sucessão familiar nas empresas nacionais.

Profissionalização impulsiona crescimento das contratações

Stephano Dedini, diretor-executivo da Michael Page, explica que o avanço das empresas brasileiras no recrutamento de líderes está ligado à maturidade organizacional crescente, com foco em governança, planejamento sucessório e preparação para novos ciclos de crescimento. Enquanto multinacionais adotam uma postura mais cautelosa diante do cenário econômico global, as empresas nacionais aceleram suas estratégias para se consolidar no mercado.

Perfil dos líderes buscados no agronegócio

As empresas buscam executivos que combinem conhecimento técnico com visão estratégica, capacidade de gestão de equipes e planejamento de negócios. O salário inicial para essas posições parte de R$ 30 mil. Os negócios que mais recrutam líderes são de médio e grande porte, com faturamento de até R$ 1 bilhão, localizados principalmente no interior de São Paulo e no Centro-Oeste, atuando em segmentos como grãos (soja e milho), implementos agrícolas e agricultura de precisão.

Alta liderança representa 20% das contratações no setor

Ainda conforme o levantamento, as vagas de alta liderança correspondem a 20% das contratações no setor agro durante o período avaliado. Dedini destaca que o agronegócio nacional vive uma transição geracional e expansão da governança, o que cria demanda por executivos preparados para desafios complexos e para promover crescimento sustentável.

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Principais cargos em alta demanda no agronegócio
  • Líder de RH
    • Responsável pela gestão estratégica de pessoas, o líder de RH no setor agro deve adaptar processos às particularidades da produção, gerenciar equipes distribuídas, promover inovação, cultura colaborativa e sustentabilidade. Atua também no planejamento sucessório, importante para empresas familiares, garantindo governança e continuidade do negócio. O perfil ideal é estratégico, com experiência em desenvolvimento de liderança, gestão cultural e transformação digital.
    • Salário médio: R$ 35 mil a R$ 65 mil
    • Motivo da alta demanda: Transformação digital, inovação, práticas de sustentabilidade e o desafio de atração e retenção de talentos, além do suporte ao processo de sucessão familiar.
  • Diretor Agrícola
    • Responsável pela operação de cultivo, manejo e transporte, o diretor agrícola deve garantir eficiência e otimização dos recursos. Precisa ter visão integrada, capacidade de liderança, gestão de lucros e perdas (P&L) e estar antenado em tendências e novas tecnologias, com habilidade para decisões rápidas e controle de riscos.
    • Salário médio: R$ 40 mil a R$ 60 mil
    • Motivo da alta demanda: Forte onda de inovação no setor com startups oferecendo novas soluções, aumentando a necessidade de profissionais capazes de alavancar produtividade e escala.
  • Diretor Industrial
    • Responsável pela operação das fábricas, garantindo qualidade, segurança e eficiência. Deve acompanhar indicadores, padronizar processos, promover treinamentos técnicos e liderar projetos de inovação e automação. O perfil buscado inclui liderança, influência e conhecimento tecnológico para decisões rápidas e eficazes.
    • Salário médio: R$ 40 mil a R$ 60 mil
    • Motivo da alta demanda: Busca por líderes que desenvolvam equipes, criem planos de sucessão e tenham visão estratégica para redução de custos e aumento de produtividade.
  • Diretor Financeiro (CFO)
    • Responsável pelo planejamento econômico-financeiro, gestão de controles, análise de custos e governança corporativa. No agronegócio, a complexidade financeira aumenta devido às particularidades entre operações agrícolas e agroindustriais. O CFO deve gerir crédito, caixa, indicadores financeiros e apoiar o planejamento estratégico da empresa.
    • Salário médio: R$ 30 mil a R$ 60 mil
    • Motivo da alta demanda: Profissionalização das empresas familiares, foco em eficiência financeira e redução do crédito, que exige controle rigoroso e governança aprimorada.
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Este panorama reforça a importância crescente da liderança qualificada para o crescimento sustentável do agronegócio brasileiro, com destaque para a valorização de perfis que aliam conhecimento técnico, visão estratégica e habilidades comportamentais para enfrentar um mercado em constante transformação.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Agronegócio incorporou 190 mil trabalhadores no primeiro trimestre e viu renda crescer 2,7%

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As atividades desenvolvidas dentro das propriedades rurais incorporaram cerca de 190 mil trabalhadores no primeiro trimestre de 2026. O crescimento de 2,5% na comparação com o mesmo período do ano passado ocorreu tanto na agricultura quanto na pecuária e ajudou a limitar a redução do emprego nos demais segmentos do agronegócio.

O avanço da ocupação dentro da porteira foi acompanhado pela valorização da renda. Consideradas todas as categorias de trabalhadores, a massa de rendimentos do agronegócio atingiu R$ 68,90 bilhões, crescimento real de 2,7% em um ano, já descontada a inflação.

Os dados fazem parte do levantamento sobre o mercado de trabalho do agronegócio elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A agricultura ampliou em 1,8% o número de pessoas ocupadas. Na pecuária, o crescimento chegou a 3,7%. O movimento mostra que, apesar da pressão sobre as margens e das dificuldades de acesso ao crédito, a produção agropecuária continuou demandando trabalhadores no início do ano.

Entre as atividades agrícolas, o cultivo de café registrou aumento de 26,9% na ocupação. O contingente empregado na cana-de-açúcar cresceu 13,9%, enquanto a horticultura apresentou avanço de 5,6%.

Na produção animal, a aquicultura teve crescimento de 40,8% no número de ocupados. Também foram registrados avanços na criação de aves, de 26,4%, na suinocultura, de 18,7%, e em outras atividades pecuárias, de 30,6%.

Os percentuais não representam necessariamente a criação de empregos com carteira assinada, uma vez que o levantamento considera diferentes formas de ocupação. Ainda assim, indicam que a produção primária absorveu mão de obra enquanto outras partes da cadeia reduziram seus quadros.

No conjunto do agronegócio, o número de ocupados recuou 1% em relação ao primeiro trimestre de 2025, com a saída de aproximadamente 267,3 mil pessoas. Mesmo após a queda, o setor manteve 27,79 milhões de trabalhadores, o equivalente a 25,73% de toda a população ocupada no Brasil.

Isso significa que aproximadamente um em cada quatro brasileiros que trabalham permanece ligado ao agronegócio. O cálculo inclui a produção dentro das propriedades, os fornecedores de insumos, as agroindústrias e os serviços necessários para transportar, armazenar, comercializar e distribuir os produtos.

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A redução total ficou concentrada fora das propriedades. Os agrosserviços perderam cerca de 308 mil trabalhadores, retração de 2,9%. Nas agroindústrias, o número de ocupados diminuiu em aproximadamente 148,5 mil, queda de 3,1%. O segmento de insumos registrou redução de 1,2%, correspondente a 3,8 mil trabalhadores.

Sem as quase 190 mil novas ocupações registradas na produção primária, portanto, a retração do mercado de trabalho do agronegócio teria sido significativamente maior.

Outro resultado positivo apareceu nos rendimentos. O ganho médio mensal dos empregados do agronegócio chegou a R$ 2.886, com aumento real de 4,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Entre os empregadores, a renda média alcançou R$ 8.961, crescimento de 9,7%, também acima da inflação.

A massa de rendimentos dos empregados e demais trabalhadores assalariados atingiu R$ 43,16 bilhões, avanço real de 1,4%. Entre os trabalhadores por conta própria, o valor chegou a R$ 16,70 bilhões, alta de 3,5%. A massa de renda dos empregadores aumentou 7,5%, para R$ 9,05 bilhões.

O trabalho por conta própria foi a única posição na ocupação que apresentou crescimento. O grupo ganhou aproximadamente 120,2 mil pessoas, alta de 1,8% em um ano. O resultado ajudou a compensar parte das perdas entre empregados, empregadores e trabalhadores familiares auxiliares.

A expansão desse grupo, entretanto, exige uma leitura cuidadosa. O trabalho por conta própria pode representar empreendedorismo e prestação de serviços especializados, mas também pode refletir a substituição de vínculos formais por formas de ocupação com menor proteção trabalhista.

O levantamento também aponta uma mudança no nível de qualificação exigido pelo setor. O agronegócio incorporou aproximadamente 72,9 mil profissionais com ensino superior, crescimento de 1,6% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Isan Rezende

Ao mesmo tempo, diminuiu a participação dos trabalhadores sem instrução e daqueles com ensinos fundamental e médio. O movimento mantém a trajetória de aumento da escolaridade média e acompanha a adoção de máquinas, sistemas digitais, agricultura de precisão, automação, análise de dados e novas técnicas de gestão.

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A participação feminina também voltou a crescer, embora o número absoluto de mulheres ocupadas tenha recuado. A ocupação entre os homens caiu 1,2%, enquanto entre as mulheres a retração foi menor, de 0,5%. Com isso, elas ampliaram sua presença proporcional na força de trabalho do agronegócio.

SINAIS DE ALERTA – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, o primeiro trimestre mostra dois movimentos distintos. “A cadeia como um todo passou por um ajuste depois de sucessivos recordes de ocupação, principalmente nos serviços e nas agroindústrias. Dentro das propriedades, porém, agricultura e pecuária contrataram mais trabalhadores, elevaram a presença de profissionais qualificados e contribuíram para o crescimento real da renda gerada pelo setor”.

“Os quase 190 mil trabalhadores incorporados pela produção dentro das propriedades mostram que o campo continua gerando oportunidades, mas o resultado não pode ser analisado isoladamente. O agronegócio como um todo perdeu mais de 267 mil pessoas ocupadas em um ano, com retração principalmente nos serviços e nas agroindústrias. É um alerta de que nem todos os elos da cadeia atravessam o mesmo momento”, afirma Isan.

“Emprego depende de investimento, e o produtor está enfrentando juros elevados, margens menores e um endividamento que limita sua capacidade de contratar, comprar máquinas e ampliar a produção. A renegociação das dívidas rurais precisa sair do papel e chegar efetivamente às propriedades, acompanhada de crédito acessível, seguro rural e condições para que produtores economicamente viáveis retomem seus projetos”, acrescenta.

“Se o Brasil não resolver esses gargalos, a redução observada nos serviços e na agroindústria pode alcançar outras partes da cadeia. O país precisa combinar crédito, segurança jurídica, infraestrutura, inovação e qualificação profissional. Quando o produtor recupera capacidade de investir, o efeito não fica apenas dentro da porteira: alcança o comércio, o transporte, a indústria e milhares de famílias que dependem do agronegócio”, conclui Rezende.

Fonte: Pensar Agro

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