AGRONEGÓCIO

Em pavilhão do IICA na COP28, a bioeconomia circular das Américas apresentou ao mundo seu modelo de produção em harmonia com a natureza

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Produtores agropecuários, especialistas acadêmicos e representantes do setor privado se uniram em uma apresentação que despertou grande interesse na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP28), realizada no pavilhão que o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) tem na Expo City de Dubai.

O evento serviu para oferecer uma caixa de ressonância a produtores do continente focados em boas práticas e que geram grandes benefícios não só para eles, mas também para os consumidores.

A otimização dos sistemas produtivos mediante a reutilização dos resíduos, a reciclagem, a boa gestão da água, o emprego de práticas regenerativas com bioinsumos e a fabricação de biomateriais são algumas das características da bioeconomia circular, que realiza uma contribuição tanto para a mitigação como para a adaptação à mudança do clima.

Consequentemente, é fundamental como contribuição para que o mundo possa alcançar o objetivo fixado no Acordo de Paris, de manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2 graus centígrados em relação à época pré-industrial.

Ana Carolina Zimerman, agricultora do Brasil que prioriza práticas conservacionistas, e Ray Gaesser, produtor agropecuário dos Estados Unidos, do estado de Iowa, foram dois dos expositores.

Também participaram Grazielle Parenti, chefe da América Latina na companhia Syngenta, e o professor John Reid, da Sociedade Americana de Engenheiros Agrônomos e Biológicos (ASABE). O moderador foi Ernie Shea, Presidente da Soluções da Terra (Solutions from the Land), organização que promove o desenvolvimento agrícola sustentável como solução para a mudança do clima e outros desafios globais.

O pavilhão do IICA na COP28 leva o nome de Casa da Agricultura Sustentável das Américas e, pela segunda vez consecutiva — também esteve presente na COP27, no Egito — é cenário das discussões do mais alto nível sobre o papel da agricultura regional nos esforços de mitigação e adaptação.

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Gerar maiores receitas

Ana Carolina Zimerman contou que atua há poucos como produtora agropecuária e que sua visão mudou quando se perguntou como os pecuaristas podem gerar receitas não somente pela produção de carne, mas também por outros bens e serviços que podem aportar.

“Nas cidades, muitos têm uma má imagem dos produtores, mas somos nós que produzimos com a natureza e os primeiros interessados em cuidar dela. O hiato entre o campo e as cidades deve ser eliminado, sendo necessário que entendam que, nas zonas rurais, não estamos gerando problemas, mas criando soluções”, disse Zimerman, que se mostrou orgulhosa, nesse sentido, de que nas últimas décadas o Brasil passou de importador de produtos agropecuários a um exportador, graças ao uso da ciência, da tecnologia e da pesquisa e aplicação de técnicas de restauração dos ambientes.

A agricultora brasileira também alertou que a bioeconomia circular, além de seus benefícios ambientais, também aporta grandes vantagens produtivas e, por isso, repercute positivamente nos três pilares da sustentabilidade, que são o econômico, o social e o ambiental.

“Não importa para que país ou região alguém olhe: Os agricultores estão sempre buscando inovar, cuidar do ambiente e gerar receitas para manter suas famílias”, entusiasmou-se Ray Gaesser, agricultor que produz em Corning, Iowa, desde 1977 e que tem uma participação em sua comunidade. Tendo passando por cargos em diversas associações de produtores, Gaesser é um promotor das práticas regenerativas e da geração e uso de energias renováveis para a produção agropecuária.

Grazielle Parenti, da Syngenta, baseada em São Pablo, considerou que o grande segredo da produção agropecuária, como o de qualquer outro negócio, é produzir mais com menos e que, para isso, a ferramenta ideal é a bioeconomia circular. “O Brasil, por exemplo, tem uma legislação que responsabiliza os produtores pelo lixo que geram. Então, todas as companhias se perguntam que oportunidades existem para reutilizar os desperdícios. E isso é muito positivo para o campo, uma vez que todo resíduo pode ser convertido em algo de valor”, explicou a executiva.

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Parenti fez um reexame do grande movimento de inovação que existe hoje nas zonas rurais das Américas. “Muitos estão pensando em como produzir a energia localmente. Pode ser com painéis solares ou com biodigestores que processam os resíduos da produção animal. Também em produzir biofertilizantes com resíduos. A bioeconomia está gerando grandes oportunidades tanto para os pequenos produtores como para as grandes companhias, que estão investindo. Estão acontecendo muitas coisas no campo”, enfatizou Parenti.

John Reid também abriu um panorama otimista com as possibilidades que a bioeconomia circular oferece e incentivou o setor produtivo e a academia a quantificar os resultados e divulgá-los para que sejam conhecidos pelo público. “Falta — afirmou — promover mais inovação e impulsionar a geração de maior valor agregado nos produtos biológicos. Para isso devemos trabalhar sobre a cultura da maioria, educar os consumidores e construir parcerias que nos permitam ampliar o nosso alcance. Todos os resíduos têm valor, mas não podemos pedir à sociedade que compreenda isso de uma só vez. Assim como os produtores rurais são parte da solução à mudança do clima, os consumidores também o são, e por isso devemos envolvê-los”.

Margaret Zeigler, Representante do IICA nos Estados Unidos, foi apresentadora do evento.

Fonte: IICA

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Vacilos do Trump faz Brasil se aproximar da liderança mundial no agro

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A distância que durante décadas separou Brasil e Estados Unidos no comércio mundial do agronegócio praticamente desapareceu. Em 2025, os norte-americanos exportaram o equivalente a cerca de R$ 883 bilhões em produtos agrícolas, enquanto as vendas brasileiras chegaram a aproximadamente R$ 871 bilhões. Uma diferença de apenas 1,4% entre dois países que começaram este século em posições muito distantes.

Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram mais do que uma aproximação circunstancial. Enquanto o Brasil ampliou produção, produtividade e presença em novos mercados, as exportações norte-americanas cresceram em ritmo bem menor e passaram a enfrentar dificuldades em destinos estratégicos.

Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou R$ 871 bilhões, considerando a conversão dos valores divulgados oficialmente. Foi o maior resultado da série histórica e representou crescimento de 3% sobre o ano anterior.

Os Estados Unidos encerraram o mesmo período com aproximadamente R$ 883 bilhões em exportações agrícolas.

A diferença de cerca de R$ 12 bilhões é pequena diante do tamanho do comércio dos dois países e mostra quanto a posição relativa mudou.

No início dos anos 2000, as exportações agrícolas americanas eram mais de duas vezes e meia superiores às brasileiras. Em apenas cinco anos, enquanto as vendas externas dos Estados Unidos cresceram aproximadamente 14%, as brasileiras avançaram 68%.

O movimento continua em 2026.

Entre janeiro e julho, o agronegócio brasileiro exportou aproximadamente R$ 533 bilhões, novo recorde para o período. Somente em julho foram cerca de R$ 84 bilhões, também a maior marca já registrada para o mês.

Parte da aproximação pode ser explicada por uma diferença estrutural entre os dois concorrentes.

Os Estados Unidos possuem uma fronteira agrícola praticamente consolidada e enfrentam limitações para aumentar significativamente sua área cultivada. Na pecuária bovina, o rebanho norte-americano está próximo dos menores níveis das últimas sete décadas, situação que reduziu a disponibilidade de animais e aumentou a necessidade de importação de carne.

O Brasil ainda possui maior capacidade de crescimento da produção, seja pela incorporação de áreas já abertas, seja principalmente pelo aumento da produtividade e pela possibilidade de realizar duas ou até três safras na mesma área durante o ano.

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Essa vantagem aparece com clareza na soja.

Brasil e Estados Unidos estão entre os grandes responsáveis pela oferta mundial da oleaginosa, mas o Brasil assumiu a liderança tanto na produção quanto nas exportações e passou a ocupar uma parcela crescente do mercado chinês.

A China é justamente onde a diferença entre os dois países se tornou mais evidente.

Em 2025, os chineses compraram aproximadamente R$ 285 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro. O país asiático respondeu sozinho por 32,7% de tudo o que o setor exportou.

No comércio agrícola norte-americano ocorreu o movimento contrário.

A China, que durante anos esteve entre os principais compradores dos Estados Unidos, caiu para a sexta posição entre os destinos do agro americano em 2025. As vendas recuaram 66% em apenas um ano, para aproximadamente R$ 43 bilhões.

O próprio USDA associa essa retração às tarifas recíprocas e à redução das compras chinesas de soja norte-americana.

A disputa comercial entre Washington e Pequim acelerou uma mudança que já vinha ocorrendo por razões produtivas. Diante das tarifas impostas aos produtos americanos, importadores chineses aumentaram a procura por fornecedores alternativos, e o Brasil estava em posição privilegiada para atender essa demanda.

O efeito ultrapassou a soja.

O Brasil ampliou participação internacional em carnes, algodão, milho e outros produtos agropecuários e passou a disputar mercados que historicamente tinham forte presença dos Estados Unidos.

Na carne bovina, a inversão é particularmente significativa. O Brasil consolidou-se como maior exportador mundial, enquanto os Estados Unidos, pressionados pela redução de seu rebanho, aumentaram as importações para abastecer o próprio mercado.

Essa situação levou recentemente o governo norte-americano a ampliar em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que poderá entrar no país dentro da cota com tarifa reduzida até o fim deste ano, criando uma oportunidade adicional para fornecedores como o Brasil.

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A política comercial adotada pelo governo Donald Trump acrescentou uma nova variável a essa disputa.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos atingiram também produtos brasileiros e criaram dificuldades para cadeias que dependem mais diretamente daquele mercado. Café, carnes, suco de laranja e determinados produtos industrializados estão entre os segmentos mais expostos às decisões de Washington.

O efeito sobre o conjunto do agronegócio brasileiro, entretanto, é limitado pela diversificação dos destinos.

Em 2025, os Estados Unidos compraram aproximadamente R$ 59 bilhões em produtos do agro brasileiro, equivalentes a 6,7% das exportações do setor. A China comprou quase cinco vezes esse valor.

Essa diferença ajuda a explicar por que medidas comerciais americanas podem provocar impactos severos em determinadas cadeias sem necessariamente interromper o crescimento das exportações do agronegócio como um todo.

Também mostra por que a abertura de mercados passou a ter peso estratégico para o Brasil. Quanto maior o número de compradores disponíveis para carnes, grãos, fibras, café, frutas e produtos processados, menor a dependência de decisões comerciais tomadas por um único país.

Para o produtor rural, a aproximação dos Estados Unidos no ranking mundial não representa apenas uma disputa estatística. Mercados adicionais significam mais alternativas para escoar a produção e podem aumentar a concorrência entre compradores, especialmente nas cadeias em que o Brasil já possui grande excedente exportável.

Há, porém, um risco nessa trajetória. A crescente concentração das vendas brasileiras na China aumenta a exposição às decisões do país asiático. Quase um terço das receitas do agro brasileiro no exterior depende atualmente daquele mercado.

Por isso, o próximo passo da expansão brasileira passa não apenas por vender mais, mas por diversificar compradores e aumentar o valor agregado dos produtos exportados.

A distância para os Estados Unidos, de qualquer forma, nunca foi tão pequena. Depois de décadas perseguindo o maior exportador agrícola do mundo, o Brasil chega à segunda metade de 2026 em condições de disputar uma posição que, no início deste século, parecia muito distante.

Fonte: Pensar Agro

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