AGRONEGÓCIO

Desinteresse comprador e qualidade do grão ditam lentidão e estagnação nos preços no mercado de feijão

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Os preços iniciaram em um patamar mais fraco, refletindo a cautela e a hesitação dos agentes em realizar transações. Com aproximadamente 25 mil sacas disponíveis para comercialização, apenas cerca de 4 mil foram efetivamente negociadas.

Segundo o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, um dos fatores que contribuíram para a relativa estagnação foi a ausência de compradores com necessidade imediata de adquirir mercadorias, especialmente durante as madrugadas. Além disso, a presença de produtos manchados, resultado das chuvas que afetaram as lavouras de Minas Gerais durante a fase final de maturação, adicionou uma camada adicional de complexidade ao cenário.

“A oferta, combinada com o produto armazenado da safra irrigada do ano passado, tem sido suficiente para atender à demanda atual, mas não o necessário para impulsionar uma atividade mais robusta no mercado”, explicou.

De acordo com Oliveira, mesmo com a possibilidade de comprar por valores mais baixos, os compradores presentes não demonstraram interesse em realizar ofertas. No contexto mais amplo, conforme o analista, o mercado de feijão carioca continua enfrentando desafios, com uma demanda varejista ainda relativamente baixa e uma oferta que, embora abundante, não parece ser suficiente para impulsionar uma atividade mais vigorosa.

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“A retração compradora tem sido evidente, principalmente devido ao movimento de queda nos preços. A baixa levou as empresas a adotarem uma postura cautelosa, aguardando para avaliar até onde os preços podem chegar”, relatou.

Feijão preto

O feijão preto apresentou um cenário de pouca movimentação, segundo o analista, refletindo uma dinâmica de oferta e demanda que ainda não se equilibrou totalmente. O volume inicial de amostras foi restrito, porém ao longo dos dias, houve uma ampliação acompanhada por ajustes nas cotações.

Cerca de 2,5 mil sacas foram ofertadas nas madrugadas, mas sem negócios relevantes reportados. Nas regiões onde a qualidade do feijão é garantida, os preços permaneceram estáveis, com os produtores optando por aguardar um maior equilíbrio na demanda antes de efetuarem vendas.

Lotes pontuais de feijão preto de melhor qualidade foram negociados na faixa de R$ 410,00 a R$ 430,00 por saca, enquanto os de qualidade inferior foram cotados entre R$ 380,00 e R$ 400,00 por saca. Oliveira explicou que mesmo em meio a um ambiente de lentidão, já se discutiam novos preços entre os compradores na metade da semana.

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As ofertas de feijões argentinos, antes cotadas a R$ 430,00 por saca, passaram a ser propostas por até R$ 420,00. Entretanto, os demais tipos de feijão deixaram os corretores em uma posição delicada, aguardando alguma indicação de interesse por parte dos compradores para iniciarem as negociações. Os preços que antes variavam entre R$ 380,00 e R$ 400,00 por saca estão sendo recusados, demonstrando a sensibilidade do mercado à necessidade de uma reação por parte dos compradores para impulsionar as vendas.

Fonte: Agência SAFRAS

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Agronegócio movimentou R$ 45,6 bilhões no primeiro semestre

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O agronegócio de Minas Gerais movimentou R$ 45,6 bilhões com as vendas ao exterior no primeiro semestre de 2026. Com 8,46 milhões de toneladas enviadas a 166 países, o estado manteve a terceira posição entre os maiores exportadores do agro brasileiro, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo.

Os dados foram divulgados no Informativo Conjuntural de julho, publicado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), com base nos registros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Os valores foram convertidos pela cotação de R$ 5,09.

Minas Gerais respondeu por 10,3% das exportações brasileiras do agronegócio entre janeiro e junho. O setor também gerou 40,9% de toda a receita obtida pelo estado com as vendas internacionais, demonstrando a importância das atividades rurais para a economia mineira.

A China permaneceu como o principal destino dos produtos agropecuários do estado. Na sequência aparecem Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão. A presença em mercados com diferentes perfis de consumo reduz a dependência de um único comprador e amplia as possibilidades de comercialização para produtores, cooperativas e agroindústrias.

O café continuou como o principal produto da pauta. As vendas somaram R$ 22,9 bilhões e representaram 50,1% de toda a receita do agronegócio mineiro no exterior. Foram embarcadas aproximadamente 10,8 milhões de sacas de 60 quilos no semestre.

O preço médio do café exportado aumentou 4,2% na comparação com o primeiro semestre de 2025. Convertida para a moeda brasileira, a média passou de aproximadamente R$ 2.034 para R$ 2.119 por saca. Essa referência corresponde ao valor do produto embarcado e não ao preço pago diretamente ao cafeicultor.

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A valorização ajudou a sustentar a receita em um período de menor disponibilidade do grão. O volume exportado diminuiu 21,6%, depois dos elevados embarques realizados nos ciclos anteriores e dos efeitos do clima sobre a produção e os estoques.

A perspectiva para os próximos meses é favorecida pela entrada da safra de 2026. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil possa colher 66,2 milhões de sacas, crescimento de 17,1% sobre o ciclo anterior.

Minas Gerais, maior produtor nacional de café, deverá ter participação decisiva nesse avanço. A bienalidade positiva do arábica, a ampliação da área em produção e a recuperação esperada da produtividade podem aumentar a disponibilidade do grão para o mercado interno e para as vendas internacionais.

A soja foi o segundo principal grupo da pauta e apresentou crescimento. As exportações de grão, farelo e óleo movimentaram R$ 10,9 bilhões, alta de 10,2%. O volume chegou a 5,01 milhões de toneladas, avanço de 2,5%.

O resultado do complexo soja mostra que Minas Gerais também amplia sua participação na comercialização de produtos processados. A produção de farelo e óleo agrega valor ao grão, movimenta as indústrias de esmagamento e atende às cadeias de ração animal e biodiesel.

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As carnes também avançaram. Os embarques renderam R$ 4,8 bilhões, crescimento de 13,4% em relação ao primeiro semestre do ano passado. O estado vendeu 247,3 mil toneladas, volume 3,7% maior.

O aumento mais expressivo da receita em relação à quantidade indica melhora no valor médio das carnes exportadas. O movimento favorece frigoríficos, cooperativas e pecuaristas integrados às cadeias que atendem ao mercado internacional.

O complexo sucroalcooleiro, formado principalmente por açúcar e etanol, movimentou R$ 2,7 bilhões, enquanto os produtos florestais renderam R$ 2,6 bilhões. Juntos, café, soja, carnes, produtos sucroalcooleiros e produtos florestais responderam por 96,2% das vendas externas do agronegócio mineiro.

Produtos tradicionais e de maior valor agregado também conquistaram espaço. Queijos, doce de leite, cachaça e doces mineiros movimentaram cerca de R$ 49,4 milhões no semestre. Embora tenham participação menor na pauta, esses produtos abrem oportunidades para pequenas e médias agroindústrias que trabalham com origem, qualidade, tradição e indicação geográfica.

Na comparação com o primeiro semestre de 2025, a receita total das exportações do agro mineiro recuou 9,6% e o volume diminuiu 3%. Ainda assim, o crescimento da soja e das carnes, a valorização média do café e a presença em 166 mercados mantiveram Minas Gerais entre as principais forças do agronegócio exportador brasileiro.

Fonte: Pensar Agro

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