AGRONEGÓCIO

Contratações de profissionais no mercado de bioinsumos crescem 27% em 2024, revela Michael Page

Publicado em

A corrida de empresas do agronegócio por bioinsumos (produtos desenvolvidos a partir de materiais de origem animal, vegetal ou microbiana para ser utilizado na produção agrícola) provocou uma onda de contratações de profissionais neste setor. É o que aponta levantamento realizado pela Michael Page, uma das maiores consultorias especializadas em recrutamento de média e alta gerência, parte do PageGroup. De acordo com a consultoria, a busca por executivos que atuam nesse segmento cresceu 27% no primeiro bimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo Stephano Dedini, diretor da Michael Page para agro, esse fenômeno no agro ocorre em linha com a busca do setor pela adoção de práticas de produção mais sustentáveis para um cultivo mais eficaz. “Os insumos biológicos exercem papel semelhante a um elemento químico, sem ser nocivo às pessoas. Notamos cada vez mais uma preocupação do setor com questões ESG e formas de produção menos agressivas ao meio ambiente”, explica.

Confira os cargos mais demandados pelas empresas:

Gerente Industrial

O que faz: profissional responsável por garantir que a fábrica esteja operando dentro dos padrões de qualidade e eficiência, buscando aumentar a produtividade e mitigar riscos de contaminação cruzada. Controla indicadores de desempenho por acompanhamento de colaboradores, segurança e implementa boas práticas de fabricação. Também é designado pela formação de equipes, desenvolvendo treinamentos técnicos para o time. Montagem de processos e acompanhamento de registro junto aos órgãos competentes.

Perfil da vaga: ter conhecimento sobre fermentação para produção de insumos biológicos que podem ser líquidos ou sólidos, saber fazer a escala da bancada para a indústria, domínio sobre contaminação cruzada durante o processo, assuntos regulatórios de bioinsumos e fertilizantes agrícolas.

Motivo para a alta: o mercado de insumos biológicos tem crescido muito no Brasil a partir de uma demanda externa, quando uma praga que veio da Austrália afetou drasticamente a produção brasileira, gerando um déficit de mais de R$ 3 bilhões. Isso provocou uma intensa busca por diferentes produtos e foi nesse momento que o mercado de biológicos começou a ter uma atenção especial. Hoje as empresas estão investindo nessa área para ganhar market share, além de que o resíduo da produção tem potencial para ser transformado em plástico, potencializando os rendimentos da fábrica.

  • Média salarial: R$ 25 mil a R$ 40 mil 
Gerente Nacional de Vendas

O que faz: profissional responsável por garantir que a equipe comercial atue no desenvolvimento do canal direto e indireto, envolvendo revendas cooperativas e produtores rurais. Também é designado pela formação de equipes regionais de vendas e de desenvolvimento comercial, com foco consultivo no mercado de insumos biológicos, desenvolvendo junto ao time estratégias comerciais que vão de encontro com as tendências de mercado para agregar valor nas negociações e transmitir credibilidade.

Leia Também:  Missão da ApexBrasil, MRE e MDIC Busca Fortalecer Relações Comerciais com o Japão e Países do Leste Asiático

Perfil da vaga: ter conhecimento sobre o portifólio de biológicos que podem variar em:

  • Inoculantes;
  • Promotores de crescimento de plantas;
  • Biofertilizantes;
  • Produtos para nutrição vegetal e animal;
  • Defensivos biológicos;
  • Produtos fitoterápicos, entre outros.

Motivo para a alta: nos últimos cinco anos tem crescido muito a busca das empresas por profissionais da área de vendas que possuam o conhecimento em insumos biológicos, tanto para grandes culturas como soja, milho e café, como também para hortifruti, pois são produtos que, ao contrário dos agroquímicos tradicionais, possuem um maior valor agregado, envolvendo inovações e tendências que trazem uma maior margem de lucro para a companhia. Nota-se que, nos últimos tempos, grandes companhias acabaram adquirindo empresas que atuam com essa especialidade, com o objetivo de investir cada vez mais nesse nicho.

Por se tratar de um nicho de mercado relativamente novo, observa-se uma grande dificuldade das empresas em encontrar profissionais com vasta bagagem na área.

  • Média salarial: R$ 35 mil a R$ 50 mil 
Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)

O que faz: profissional responsável por construir e gerenciar o mapa de projetos de desenvolvimento de novos produtos com foco em bioherbicida, bioinseticida, bionematicida, biofungicida e bionematicida, agentes microbiológicos (fungos, bactérias e vírus), agentes macrobiológicos, semioquímicos e bioquímicos. Deve apoiar tecnicamente os projetos de desenvolvimento e otimização de processos de produção e controle de qualidade de produtos biológicos. Tem de elaborar e gerir cronogramas, orçamentos e gastos com os projetos de P&D Biológicos e CAPEX direcionado ao setor, além de ampliar a relação para desenvolvimento tecnológico com consultorias, startups, universidades, instituições públicas e privadas de pesquisa.

Perfil da vaga: apreciar fazer pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, além de ter habilidades com gestão de cronogramas e gestão de pessoas. Precisa ser alguém que sabe se relacionar com universidades e buscar parcerias para poder ampliar os desenvolvimentos internos e externos. Profissional com alta capacidade de fazer correlações no mercado e buscar inovação a todo momento. Além disso, tem que saber trabalhar numa cultura muito específica e com vida útil baixa.

Motivo para a alta: o mercado de insumos biológicos tem crescido muito no Brasil e a demanda por inovação nessa área está muito aquecida. Muitas das gigantes do agro estão buscando entrar no mercado de biológicos e ganhar market share. Por esse motivo, a estrutura de P&D acaba sendo uma das mais concorridas, pois não há muitos profissionais qualificados no mercado e para isso precisam ser extremamente atrativas, não apenas para contratar, mas também para reter o talento dentro da empresa. 

  • Média salarial: R$ 18 mil a R$ 28 mil 
Leia Também:  Mercado Acionário Chinês Recuar para Nível Mais Baixo em Seis Meses com Queda nos Empréstimos
Gerente de Planejamento

O que faz: profissional responsável por liderar o planejamento de toda cadeia produtiva e garantir que todo o fluxo de suprimentos de insumos atenda as demandas do negócio. O trabalho do gerente de planejamento começa no acompanhamento e análise das previsões de vendas com horizontes de curto, médio e longo prazo, para assegurar que haja capacidade produtiva para atender o mercado. Posteriormente, valida a necessidade suprir a fábrica com materiais produtivos e garante que o estoque seja suficiente para produção. Fica à frente do planejamento de fábrica ajudando na definição do escopo e tempo de produção dos bioinsumos. Também define a política de estoque com atenção ao nível de segurança e à complexidade em equilibrar risco de quebra produtiva versus perdas de insumos devido a curto prazo de vida útil. Por fim, monitora o risco de suprimentos ficando próximo aos fornecedores e acompanhando seus níveis de performance.

Perfil da vaga: ter conhecimento amplo de toda a cadeia de suprimentos, desde a gestão de fornecedores até a cadeia logística. É fundamental ter conhecimentos em ferramentas de análise estatística e estar atento ao grau de automação dos processos – sobretudo de gestão de estoque – a fim de contar com a acuracidade das informações analisadas. É importante que o profissional tenha um perfil conciliador, sobretudo no momento de análise de projeção de vendas junto às áreas comerciais e de produção.

Motivo para a alta: com o crescimento alavancado da área, a competição por insumos para a produção se intensificou. Com isso as empresas passaram a sentir forte necessidade em planejar corretamente a produção contar com disposição total de insumos produtivos. Gerenciar riscos de fornecimentos e acompanhar a cadeia de perto para não haver quebras se torna estratégico, ainda mais considerando a complexidade de curta vida útil dos insumos.

  • Média salarial: R$ 25 mil a R$ 35 mil

Fonte: Conteúdo Comunicação

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Pesquisadores alertam: EL Niño vem turbinado e vai afetar calendário agrícola no Brasil

Published

on

Pesquisadores e centros meteorológicos internacionais identificaram sinais de que o El Niño de 2026 pode entrar para o grupo dos mais intensos das últimas décadas e permanecer ativo até o início de 2027. O fenômeno, potencializado pelo aquecimento global, tende a alterar o calendário agrícola brasileiro, com risco de atraso no plantio da soja no Centro-Oeste e no Matopiba e excesso de chuvas no Sul, principal região produtora de trigo do País.

As projeções divulgadas entre maio e junho consolidaram a expectativa de um evento persistente. Em algumas áreas próximas à costa da América do Sul, o aquecimento da superfície do oceano chegou a ficar entre 2°C e 3°C acima da média, enquanto a região central do Pacífico registrava anomalias em torno de 0,7°C.

Diferentemente dos grandes eventos de 1982-83, 1997-98 e 2015-16, o El Niño de 2026 se desenvolve em um cenário de aquecimento mais generalizado dos oceanos. Com menos contraste entre águas quentes e frias, os pesquisadores passaram a utilizar novos indicadores para medir a intensidade do fenômeno. Por esse critério, o episódio atual já apresenta características semelhantes às observadas em alguns dos eventos mais severos do registro histórico.

Leia Também:  Estudo da BASF e Embrapa Revela Benefícios da Convivência entre Abelhas e Soja

No Brasil, os efeitos costumam variar entre as regiões. No Sul, a combinação entre o El Niño e outros padrões atmosféricos pode favorecer volumes de chuva acima da média durante a primavera e o verão. Para culturas de inverno, como o trigo, a distribuição das precipitações ao longo do ciclo tende a ser mais importante que o volume acumulado, já que excesso de umidade durante a fase reprodutiva e na colheita pode afetar a qualidade dos grãos.

No Centro-Oeste e no Matopiba, o comportamento tradicional do fenômeno é diferente. As chuvas costumam se tornar mais irregulares no início da primavera, período que marca a abertura do plantio da soja. Eventuais atrasos na semeadura podem reduzir a janela ideal para o milho de segunda safra em 2027, responsável por cerca de 80% da produção brasileira do cereal.

O País entra nesse cenário após uma safra recorde. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 358,6 milhões de toneladas de grãos em 2025/26, além de uma colheita de 66,7 milhões de sacas de café e mais de 700 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

Leia Também:  Missão da ApexBrasil, MRE e MDIC Busca Fortalecer Relações Comerciais com o Japão e Países do Leste Asiático

Segundo os especialistas, os impactos do fenômeno tendem a ser mais regionais do que nacionais. Enquanto parte das áreas produtoras pode registrar condições favoráveis, regiões dependentes da regularidade das chuvas, como Centro-Oeste e Matopiba, e áreas mais suscetíveis ao excesso de precipitações, como o Sul, devem concentrar maior atenção ao comportamento do clima ao longo da safra 2026/27.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA