AGRONEGÓCIO

Conflito entre EUA e Irã eleva tensão no Oriente Médio e ameaça custos do agronegócio brasileiro

Publicado em

A intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã, com apoio de Israel, tem provocado reflexos imediatos na economia global e pode gerar impactos diretos sobre o agronegócio brasileiro. O alerta foi feito pela Consultoria Agro do Itaú BBA, em relatório divulgado em março de 2026, que analisa os efeitos da instabilidade no Oriente Médio sobre os mercados de energia, fertilizantes e alimentos.

Segundo o estudo, a região é considerada estratégica para o abastecimento mundial de petróleo, gás natural e insumos agrícolas. O aumento das tensões elevou o risco geopolítico, gerando alta volatilidade nos preços internacionais e preocupação entre países fortemente dependentes de importações energéticas, como o Brasil.

Estreito de Ormuz: ponto crítico para o comércio global de energia

O principal foco de preocupação é o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e uma parcela expressiva do gás natural mundial. Após os ataques contra o Irã, a navegação na área foi parcialmente interrompida, e companhias marítimas passaram a evitar a rota, o que encareceu seguros e fretes internacionais.

O preço do petróleo tipo Brent subiu mais de 10%, ultrapassando US$ 80 por barril, o maior nível desde o início de 2025. Esse movimento pressiona o custo do diesel, combustível essencial para o transporte e as operações agrícolas no Brasil, e também eleva os custos logísticos de exportação de grãos, carnes e açúcar.

Fertilizantes: impacto mais sensível para o campo brasileiro

O relatório destaca que o mercado de fertilizantes é o mais vulnerável a esse novo cenário. O Oriente Médio responde por mais de 40% das exportações globais de ureia e tem papel relevante na produção de amônia e fosfatados. O Irã, especificamente, é um dos principais produtores e exportadores de fertilizantes nitrogenados, além de ser fornecedor de gás natural para países produtores, como Catar, Omã e Arábia Saudita.

Leia Também:  Desempenho exportador das carnes nas quatro primeiras semanas de fevereiro

Com a escalada militar, vários fornecedores da região suspenderam temporariamente as ofertas ao mercado internacional. O preço da ureia subiu mais de 10% em poucos dias, com cotações acima de US$ 540 por tonelada. No Catar, a maior planta de exportação de gás natural do mundo interrompeu operações após um ataque iraniano, o que levou o preço do gás a subir 80% em apenas dois dias na Europa.

Dependência brasileira aumenta preocupação

O Brasil importa entre 80% e 85% dos fertilizantes que consome, e cerca de um terço da ureia importada tem origem direta ou indireta no Oriente Médio. Embora o país ainda não esteja no pico de compras de nitrogenados, uma prolongada instabilidade pode encarecer a próxima safra, sobretudo em culturas como milho e trigo, que demandam grandes volumes de nitrogênio.

Para a safra 2025/26, praticamente todo o volume já foi adquirido, mas as compras da safra de verão 2026/27 estão em ritmo mais lento — apenas 30% do total necessário, contra uma média histórica de 40%. Isso coloca o produtor diante de um dilema: antecipar as compras diante do risco de escassez ou aguardar preços mais favoráveis.

Oriente Médio é também parceiro comercial do agronegócio brasileiro

Além da dependência por fertilizantes, a região do Oriente Médio é um importante destino das exportações brasileiras de milho, carnes e açúcar. O Irã foi responsável por 23% das exportações brasileiras de milho em 2025, o que torna o país um parceiro estratégico.

Leia Também:  Dia de Campo ATeG Agroindústria: Encontro sobre Cachaça em Três Pontas

Embora não haja, até o momento, interrupção nas rotas comerciais, especialistas alertam que problemas logísticos ou o fechamento do Estreito de Ormuz podem elevar custos e obrigar o Brasil a buscar rotas alternativas de exportação.

Reação do mercado interno e alternativas possíveis

A reativação de unidades nacionais de produção de fertilizantes, especialmente no Nordeste, tem ajudado a reduzir parcialmente a vulnerabilidade do mercado interno, embora ainda esteja longe de suprir a demanda.

O relatório também aponta que a diversificação de fornecedores e o uso de fontes alternativas, como o sulfato de amônio, podem ganhar espaço no cenário de preços elevados.

Nos Estados Unidos e na Europa, o aumento do custo do nitrogênio já preocupa produtores, enquanto a Índia deve intensificar compras para formação de estoques, ampliando a disputa global por fertilizantes.

Estratégia de compra será essencial para produtores brasileiros

A Consultoria Agro do Itaú BBA orienta os produtores brasileiros a monitorarem atentamente o mercado internacional e adotarem estratégias de compra escalonadas. Antecipar parte das aquisições e acompanhar as relações de troca pode ser decisivo para evitar prejuízos com novas altas ou dificuldades de abastecimento.

“Postergar completamente a compra de fertilizantes pode expor o produtor a custos ainda maiores e a problemas logísticos”, conclui o relatório.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

Published

on

A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

Leia Também:  Tecnologia de Núcleo Fechado Revoluciona o Melhoramento Genético em Granjas de Suínos

A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

Leia Também:  Barter ganha força como estratégia para produtores diante da pressão nos preços da soja

A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA