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Comercialização da produção requer atenção dos produtores no âmbito da segurança jurídica

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Neste cenário cada vez mais profissionalizado, cabe ao produtor e empresário rural atentar para a importância de práticas eficientes com vista à segurança jurídica e mitigação dos riscos, que não se resumem aos fatores climáticos, tais como a estiagem e o excesso de chuvas na presente safra, que impactam negativamente a produtividade das lavouras e da pecuária.

O advogado da HBS Advogados, Frederico Buss, orienta que, na gestão da atividade rural, diversas questões merecem a atenção do produtor e, uma delas, se refere à comercialização da produção. “Sabemos que é comum o produtor entregar a produção para cerealistas, frigoríficos e cooperativas conhecidas no município e na região, porém, isso não afasta a necessidade da realização de diligências, sejam periódicas ou ao menos previamente a determinadas transações, com vista a maior segurança jurídica do negócio”, alerta.

Buss lembra, por exemplo, que muitos produtores rurais conhecem os efeitos da recuperação judicial, pois, no Rio Grande do Sul e em outros Estados, empresas da cadeia do agronegócio, tais como frigoríficos e cerealistas, com as quais milhares de produtores mantinham relação negocial – na maior parte na condição de credores – obtiveram o acesso, dentro dos trâmites legais, à recuperação judicial. “Nestas situações, a alternativa que resta ao produtor é, de preferência assessorado por profissional competente, acompanhar o processo de recuperação e exercer nos respectivos momentos os seus direitos previstos na lei. Porém, uma questão é afirmativa: o produtor não receberá o pagamento nos termos contratados e, não raramente, terá o seu crédito pago de forma parcelada e inclusive com deságio”, ressalta.

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O especialista pondera que, assim como as instituições financeiras e as empresas com as quais os produtores mantêm relação negocial verificam a sua idoneidade através de certidões negativas, pesquisas em cadastros restritivos de crédito, dentre outras informações – o produtor igualmente tem a possibilidade de, antes de efetuar a comercialização, apurar a credibilidade da cerealista, do frigorífico ou da cooperativa que irá receber a produção. “Lamentavelmente, todas as pessoas físicas ou jurídicas são suscetíveis, assim como o produtor rural, a crises financeiras, inclusive por força de fatores climáticos, como ocorre no presente momento no Rio Grande do Sul, que podem prejudicar o cumprimento dos contratos e os pagamentos nos prazos e condições assumidas inicialmente”, reforça Buss.

Como exemplo, o advogado da HBS Advogados lembra a existência de ações de execuções fiscais, trabalhistas ou patrimoniais em trâmite perante o Judiciário que, a depender do estágio do processo e do capital da empresa, podem ser indicativos de comprometimento da capacidade de pagamento e, em curto espaço de tempo, colocar em risco a estabilidade do negócio.

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Outro fator que merece destaque, segundo Frederico Buss, são as comercializações cada vez mais efetivadas via aplicativos de mensagens, como, por exemplo, WhatsApp. Nestes casos, o produtor rural deve ficar atento e sempre exigir a formalização, em documento escrito, do negócio realizado, em que pese as negociações tenham sido realizadas via troca de mensagens.

Buss reforça que cabe ao produtor adotar procedimentos no sentido de buscar maior segurança jurídica na comercialização da produção. “Determinadas cautelas podem ser empregadas de modo a evitar a frustração da expectativa e garantir maior resguardo perante a outra parte da relação negocial. O produtor rural devidamente orientado pode acessar informações que permitem fechar os seus negócios com maior probabilidade de que no futuro não será surpreendido por demandas ou problemas desconhecidos no momento da contratação”, conclui.

Fonte: Assessoria de Comunicação da HBS Advogados

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações do Rio Grande do Sul somam US$ 4,4 bilhões no 1º trimestre de 2026, com destaque para carnes

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As exportações do Rio Grande do Sul totalizaram US$ 4,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Em termos nominais, o resultado representa o quarto maior valor da série histórica iniciada em 1997, evidenciando a relevância do estado no comércio exterior brasileiro.

Carnes impulsionam desempenho da pauta exportadora

Entre os principais produtos exportados, o destaque ficou para o segmento de proteínas animais e animais vivos.

As exportações de carne suína registraram crescimento expressivo de 49,6%, com incremento de US$ 75,8 milhões. Também apresentaram avanço:

  • Vendas de bovinos e bubalinos vivos: alta de US$ 57,2 milhões;
  • Carne bovina: aumento de US$ 33,7 milhões.

O desempenho positivo desses produtos contribuiu para amenizar as perdas em outros segmentos relevantes da pauta exportadora.

Exportações caem em relação a 2025

Na comparação com o mesmo período de 2025, o valor total exportado pelo estado apresentou retração de 7,5%, o equivalente a uma queda de US$ 357,4 milhões.

O recuo foi influenciado principalmente pela redução nas vendas de produtos estratégicos:

  • Soja em grão: queda de 77,0% (-US$ 188,3 milhões);
  • Fumo não manufaturado: retração de US$ 172,9 milhões;
  • Celulose: recuo de US$ 68,1 milhões;
  • Polímeros de etileno: diminuição de US$ 45,5 milhões.
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Estado mantém posição no ranking nacional

Apesar da retração no valor exportado, o Rio Grande do Sul manteve a sétima colocação entre os principais estados exportadores do país.

O estado ficou atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará e Paraná. No entanto, houve redução na participação relativa, que passou de 6,2% para 5,3% no período analisado.

Diversificação de destinos marca exportações gaúchas

No primeiro trimestre de 2026, o Rio Grande do Sul exportou para 169 destinos, reforçando a diversificação de mercados.

Os principais compradores foram:

  • União Europeia: 12,2% das exportações;
  • China: 9,2%;
  • Estados Unidos: 7,3%.

Entre os parceiros comerciais, a China apresentou a maior queda em termos absolutos, com retração de US$ 301,6 milhões, impactada pela redução nas compras de soja e fumo.

Os Estados Unidos também registraram recuo relevante (-US$ 148,7 milhões), influenciado principalmente pelos setores florestal e de armas e munições.

Egito e Filipinas ganham destaque nas compras

Em contrapartida, alguns mercados ampliaram significativamente suas importações de produtos gaúchos.

Destacam-se:

  • Egito: aumento de US$ 105,1 milhões;
  • Filipinas: alta de US$ 104,5 milhões.
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O crescimento foi impulsionado principalmente pelas vendas de cereais e carnes.

Cenário internacional pressiona comércio exterior

O desempenho das exportações do estado ocorre em meio a um ambiente global de incertezas.

As vendas para o Irã, que representaram 1,8% do total exportado, recuaram 5,5% no período, refletindo impactos de sanções econômicas e restrições financeiras que historicamente afetam as relações comerciais com o país.

No caso dos Estados Unidos, a queda de 31,9% nas exportações foi superior à média geral do estado. O resultado está ligado, entre outros fatores, ao desempenho do setor de armas e munições, sensível a mudanças regulatórias e tarifárias.

Perspectivas indicam cenário desafiador

Apesar do bom desempenho de segmentos como o de carnes, a retração em produtos-chave como soja e celulose evidencia os desafios enfrentados pelo estado no comércio internacional.

O cenário para os próximos meses seguirá condicionado à demanda global, às condições de mercado e ao ambiente geopolítico, fatores que devem continuar influenciando o desempenho das exportações gaúchas ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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