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Colheita de Arroz no Brasil: Preços em Queda e Expectativas para o Mercado Internacional

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A colheita da safra de arroz 2024/25 no Brasil teve início com bons resultados de produção e qualidade, mas, ao longo de fevereiro, os preços apresentaram uma queda significativa. No mercado interno, o mês foi marcado pela redução contínua dos preços, refletindo a maior oferta gerada pelo início da nova safra, assim como a pressão da oferta global.

Em fevereiro, o mercado interno registrou uma baixa na liquidez das negociações, com vendedores e compradores enfrentando resistência mútua. Contudo, à medida que o mês avançava, os preços começaram a ceder, impulsionados pelo aumento da oferta local. Do lado dos compradores, houve uma expectativa de uma queda maior nos preços, o que também foi favorecido pelo atrativo preço das importações. As compras externas, que já haviam aumentado em janeiro, seguiram essa tendência, registrando um crescimento de 28% em fevereiro, comparado a janeiro, e 5% superior ao mesmo período de 2024.

O preço do arroz em casca caiu para R$ 96 por saco de 50 kg em fevereiro, representando uma queda de 3,5% em relação ao mês anterior. Em março, o declínio foi mais acentuado, com o preço caindo para R$ 85/sc até o dia 19, uma queda de 10,8% em comparação à média de fevereiro. No mercado atacadista, o arroz agulhinha tipo 1 registrou queda de 5,3%, sendo cotado a R$ 158 por fardo de 30 kg. Embora as margens tenham sido ligeiramente mais baixas do que em fevereiro, permanecem em níveis elevados.

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De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até o dia 16 de março, 23,7% da safra já havia sido colhida. Os estados de Santa Catarina e Goiás estão mais avançados na colheita, com 75% e 57%, respectivamente, enquanto o Rio Grande do Sul, maior produtor do país, atingiu 31% da colheita. As primeiras áreas colhidas apresentaram resultados promissores, com a produtividade da safra estimada para ser 4,7% superior à do ano anterior, alcançando uma média nacional de 6,8 toneladas por hectare.

No cenário internacional, os preços também apresentaram queda, pressionados pela maior oferta global. Em Chicago, por exemplo, o arroz teve uma redução de 4,5% em fevereiro, fechando a US$ 310 por tonelada.

O aumento da produção da safra 2024/25 deverá manter os preços do arroz em uma trajetória de queda nos próximos meses. No entanto, o mercado externo se tornará essencial para o escoamento da produção excedente do Brasil. A demanda externa pode ajudar a equilibrar a oferta interna, embora as exportações ainda enfrentem desafios devido à alta disponibilidade global, especialmente no Mercosul. A Conab projeta que as exportações de arroz serão 54% superiores ao ano passado, totalizando 2 milhões de toneladas.

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Além disso, a imposição de tarifas comerciais pelo governo dos Estados Unidos, como a taxa de 25% sobre os produtos importados do México e Canadá, pode abrir oportunidades para o Brasil. O México, importante comprador de arroz, pode buscar fornecedores alternativos ao arroz dos EUA, favorecendo o Mercosul no processo de escoamento.

Embora as perspectivas de produção sejam positivas, a queda nos preços preocupa, especialmente quanto à margem de lucro dos produtores. Com as cotações se aproximando dos níveis de custo operacional, os produtores precisarão adotar uma gestão eficiente para manter a viabilidade econômica da atividade.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente

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Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.

Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.

O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.

O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.

Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.

As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.

Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.

A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.

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Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.

Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.

Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.

A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.

Fonte: Pensar Agro

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