AGRONEGÓCIO

COP 28: Uma oportunidade de boas iniciativas em favor do clima

Publicado em

Referendando a fala do coordenador, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aponta que, nos últimos 60 anos, algumas regiões no Brasil já apresentam aumento na média das temperaturas máximas de até 3oC. Uma análise do World Weather Attribution, com participação de cientistas brasileiros, apontou que a mudança do clima influenciou a onda de calor que ocorreu no Brasil no fim de agosto e início de setembro (curtlink.com/g3sK), em pleno inverno.

De acordo com o IPCC, cada vez mais observaremos aumento na frequência e na intensidade de ondas de calor, intensa precipitação em curtos período ou secas prolongadas, entre outros extremos climáticos, conforme prevê o cenário de aquecimento global. Eventos extremos, que ocorriam uma vez a cada dez anos, passam para três vezes por década. Em um cenário de aquecimento global de 4oC, por exemplo, os extremos podem passar a ocorrer anualmente. Há uma associação umbilical entre a concentração de dióxido de carbono e o aquecimento global. Os efeitos desse fato não se restringem aos países que mais emitem, pois a atmosfera global é única e os efeitos do aumento da concentração de gases de efeito estufa (GEE) impactarão todo o planeta.

Agricultura

A agricultura é tida como uma das fontes emissoras de GEE, parcialmente pela própria produção agrícola, porém em, em sua maioria, por ser atribuída à agricultura o desmatamento e as queimadas nas áreas desmatadas. O que não é verdadeiro, ao menos em nosso país, em que o desmatamento ilegal é fruto de grilagem de terras, ação de madeireiros e garimpeiros ilegais, entre outros.

Leia Também:  Paraná fortalece exportação de feijão e amplia participação no mercado internacional

No entanto, a agricultura pode ser utilizada para reduzir as emissões, seja pelo sequestro e fixação de carbono, ou pela substituição de fontes de energia fóssil como petróleo, carvão e gás (os grandes responsáveis pelas emissões de GEE no mundo) por biocombustíveis e bioeletricidade. O Brasil fornece exemplos práticos concretos, como o plano ABC+ e as tecnologias de produção agrícola denominadas de carbono neutro

De 30/11 a 12/12/23 será realizada, em Dubai, a COP 28 (cop28.com), o fórum máximo global, no qual os países tentarão encontrar fórmulas para reduzir o impacto e o alcance das mudanças climáticas em curso. Como sempre, a produção agrícola será um dos principais temas das discussões, as quais fundamentam as decisões a serem tomadas pelos governos dos países participantes.

Ciente da responsabilidade que pesa sobre os ombros do nosso país – um dos líderes da produção agrícola mundial – a CNA, como órgão máximo de congregação dos produtores agrícolas do país, busca ativamente colaborar com as discussões que ocorrerão durante a COP 28.

Para tanto, elaborou um sólido documento que consolida a visão da entidade, plasmando um consenso entre as lideranças agrícolas e os produtores da importância de uma posição firme do setor, uma sólida contribuição para a delegação brasileira na COP 28. Referido documento pode ser acessado na íntegra em https://curtlink.com/tnb5.

Leia Também:  Previsões Indicam Safra Recorde de Soja no Brasil, Mesmo com Clima Seco

De sua leitura depreende-se que se trata de um documento sólido, profundo, muito bem estruturado e fundamentado, que aponta com clareza os aspectos essenciais que devem balizar as discussões na COP 28, para que as decisões sejam benéficas para o planeta como um todo, e para cada país em particular. Mostra como o setor agropecuário brasileiro pode colaborar para o alcance das metas a serem definidas pelos países, os aspectos colaborativos entre os eles (incluindo setores públicos e privados), a importância transcendental do financiamento das ações para atingimento das metas, entre outros aspectos.

Sem dúvida o documento preparado pela CNA será extremamente útil para balizar os posicionamentos da delegação oficial do Brasil na COP 28, e bem representa os interesses maiores do país, acima dos interesses específicos dos produtores rurais.

Por Décio Luiz Gazzoni, Engenheiro Agrônomo, pesquisador da Embrapa, membro do Conselho Científico Agro Sustentável e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica.

Fonte: CCAS

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente

Published

on

Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.

Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.

O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.

O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.

Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.

As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Leia Também:  Clima e Preços Atraem Otimismo para Safra de Feijão no Paraná

A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.

Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.

A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.

Leia Também:  Infestação de Bicudo-do-Algodoeiro Aumenta Quatro Vezes em 2024

Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.

Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.

Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.

A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA