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CNA apoia o novo marco legal para o biodiesel

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A Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA discutiu, na quarta (28), a mistura do biodiesel no diesel fóssil.

A pauta da comissão tratou da disponibilidade de matéria prima para produção de biodiesel, as estimativas para a demanda e produção do biocombustível e a janela de oportunidades para a cadeia das oleaginosas.

O presidente da comissão, Ricardo Arioli, afirmou que a Confederação é apoiadora do Projeto de Lei nº 528/2020 e apensados, que tramita no Congresso Nacional e cria o Programa Combustível do Futuro, que entre outros temas, fortalece o programa do biodiesel.

“A reunião buscou alinhar as informações com as Federações para que possam subsidiar o discurso e chegar ao convencimento dos deputados que irão votar o texto da lei do combustível do futuro. Com o avanço da mistura do biodiesel no diesel, vamos criar um patamar de demanda para o complexo da soja, trazendo competitividade, preço e sustentabilidade para o sojicultor brasileiro,” disse.

A mistura é obrigatória e foi definida no ano passado pelo governo, por meio de uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Para esse ano, a mistura de 14% passa a valer a partir de março, chegando a 15% em 2025.

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O deputado Alceu Moreira, presidente da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel, destacou a integridade e qualidade do biocombustível produzido no país e reforçou que ampliar o uso do biocombustível reduzirá a dependência do diesel fóssil importado.

“O biodiesel é mais barato que o diesel importado e temos capacidade instalada para implementar de imediato a mistura de 20%. Para isso, precisamos ter previsibilidade e queremos incluir um piso mínimo de 15% para a mistura obrigatória no novo marco regulatório. Para o produtor de soja o biodiesel é um ativo, pois ajuda a reduzir a pressão sobre os preços da commodity e amplia os investimentos na industrialização da cadeia.”

Para Donizete Tokarski, diretor superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), o biodiesel representa segurança alimentar, energética e climática, além de geração de emprego em todo o país, proporcionando o desenvolvimento regional. “O biodiesel deve ser considerado como uma política de Estado.”

Leonardo Rossetti, da empresa StoneX, trouxe os dados referentes à demanda de biodiesel no Brasil. Segundo ele, 2024 terá um recorde de consumo, em torno de 8,8 milhões de metros cúbicos. O avanço da mistura vai impactar a demanda por matérias primas, com destaque para o óleo de soja.

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A expectativa de consumo de óleo de soja para a produção de biodiesel é de 7,4 milhões de toneladas em 2024, um incremento anual de 27,5%.

Rossetti argumentou que mesmo com problemas com a safra de soja, a tendência de crescimento do biocombustível deve continuar. De acordo com as estimativas da consultoria, a produção somada de soja e milho deve ser 7,5% menor na safra 2023/24 frente a anterior, apesar dos valores seguirem em patamares elevados.

O Projeto de Lei nº 528/2020 aguarda votação no Plenário da Câmara e conta com substitutivo apresentado pelo relator, deputado Arnaldo Jardim.

Fonte: Assessoria de Comunicação CNA

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno

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O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.

A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.

No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.

O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.

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Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.

No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.

No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.

O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.

A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.

A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.

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Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.

A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.

No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.

O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.

Fonte: Pensar Agro

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