AGRONEGÓCIO
Cigarrinha-do-milho mantém ciclo ativo entre safras e eleva risco de enfezamento nas lavouras
Publicado em
17 de março de 2026por
Da Redação
A presença contínua da cigarrinha-do-milho tem aumentado a preocupação de produtores em diferentes regiões agrícolas do Brasil. Mesmo sendo um inseto de pequeno porte, a praga provoca impactos significativos na produtividade do milho ao atuar como principal vetor dos microrganismos responsáveis pelo enfezamento, uma das doenças mais prejudiciais à cultura.
De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a transmissão ocorre logo nas fases iniciais da lavoura, quando as plantas ainda estão no estágio de plântula, o que torna o problema difícil de identificar no início do desenvolvimento.
Cigarrinha-do-milho transmite molicutes responsáveis pelo enfezamento
A cigarrinha-do-milho, cientificamente conhecida como Dalbulus maidis, é o principal vetor dos chamados molicutes — microrganismos associados aos enfezamentos do milho.
Após serem transmitidos para a planta, esses patógenos se multiplicam no floema, tecido responsável pelo transporte de nutrientes no vegetal.
Como consequência, os sintomas da doença costumam surgir apenas em estágios mais avançados da lavoura, quando os danos já podem estar consolidados.
Sintomas do enfezamento surgem quando a lavoura já está comprometida
Segundo especialistas, a dificuldade de diagnóstico precoce é um dos principais desafios no manejo da doença.
De acordo com Hudslon Huben, gerente sênior de FFE e Go To Market da Orígeo, joint venture entre Bunge e UPL, os sinais geralmente aparecem quando o prejuízo já começou a impactar o potencial produtivo.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- folhas avermelhadas ou amareladas
- plantas com menor altura
- espigas reduzidas
- grãos mal formados
“Quando os sinais ficam evidentes, muitas vezes o prejuízo já está instalado”, alerta o especialista.
Milho voluntário e plantio escalonado favorecem a praga
A cigarrinha depende exclusivamente do milho para sobreviver. Por isso, o inseto migra de áreas com plantas mais desenvolvidas para lavouras recém-emergidas.
Esse movimento se intensifica quando há presença de milho voluntário, conhecido no campo como “tiguera”, ou quando ocorrem plantios escalonados ao longo do ano.
Nessas condições, forma-se o que especialistas chamam de “ponte verde”, ou seja, uma disponibilidade contínua de alimento que permite que a praga permaneça ativa entre uma safra e outra.
“Com alimento disponível o tempo todo, o inseto mantém seu ciclo e aumenta o risco de contaminação das áreas recém-plantadas, justamente quando as plantas estão mais vulneráveis”, explica Huben.
Manejo preventivo é essencial para reduzir perdas na cultura do milho
Diante do aumento da pressão da praga, especialistas destacam que o manejo preventivo é fundamental para proteger o potencial produtivo das lavouras.
A UPL Brasil, em parceria com a Orígeo, destaca o uso do produto Kasumin, desenvolvido à base de casugamicina. A solução atua de forma diferente de outros produtos do manejo fitossanitário, pois age diretamente sobre os molicutes responsáveis pela doença, e não apenas sobre o inseto transmissor.
Bactericida sistêmico atua diretamente nos agentes do enfezamento
Segundo a empresa, o Kasumin é atualmente o primeiro e único bactericida sistêmico registrado no Brasil voltado ao controle dos agentes causadores do enfezamento.
Quando incorporado ao manejo da lavoura desde os estágios iniciais, o produto pode contribuir para fortalecer a proteção da cultura contra os patógenos transmitidos pela cigarrinha.
“Quando o produtor integra o Kasumin ao manejo fitossanitário, ele fortalece a lavoura desde o início. É uma estratégia mais completa para enfrentar os patógenos transmitidos pela cigarrinha-do-milho e proteger tanto a produtividade quanto a rentabilidade da safra”, conclui Huben.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço
Published
12 horas agoon
17 de agosto de 2026By
Da Redação
O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.
Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.
O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.
Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.
O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.
A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.
A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.
Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.
Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.
Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.
O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.
Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.
A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.
A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.
A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.
Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.
Fonte: Pensar Agro
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