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Caos logístico na Transamazônica eleva custos e ameaça competitividade do agronegócio brasileiro

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Porto de Miritituba enfrenta congestionamentos e fretes disparam

O início da safra 2026 voltou a expor fragilidades estruturais do Arco Norte, com congestionamentos nos arredores do porto de Miritituba (PA). Caminhões chegam a enfrentar filas de dias para descarregar a produção, gerando aumento de custos para produtores e transportadoras e comprometendo a competitividade das exportações brasileiras de grãos.

Segundo Gilberto Leal, Head de Commodities da Granel Inteligência de Mercado, o frete do Mato Grosso para Miritituba saltou de R$ 260,00 para R$ 330,00 por tonelada em apenas duas semanas. Ele alerta:

“Esse aumento não é pontual: ele reflete uma estrutura colapsada e um ciclo vicioso que penaliza o produtor e toda a cadeia do agronegócio.”

O especialista destaca que a colheita continua, mas o porto não consegue absorver a produção, gerando armazenagem improvisada e custos extras, o que impacta diretamente a margem dos produtores.

Impactos na cadeia e reputação internacional

Leal ressalta que os gargalos logísticos prejudicam o planejamento e cumprimento de contratos internacionais, podendo gerar multas e danos à reputação do Brasil como fornecedor confiável. Além disso, custos ocultos, como permanência nos portos, combustível e perda de qualidade dos grãos, afetam sobretudo pequenos e médios produtores.

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Problemas estruturais na Transamazônica e soluções urgentes

Para o professor Flavio Isidoro, da UNISUAM (RJ), o problema é estrutural e de longa duração. A rodovia que dá acesso a Miritituba opera com estrutura provisória há mais de dez anos, com pavimentação definitiva prevista apenas para 2027. Ele afirma:

“Não há como falar em escoamento eficiente de grãos sem soluções estruturantes, como a Ferrogrão. O transporte ferroviário é mais barato, mais seguro e menos poluente.”

O professor alerta ainda para os riscos do modal rodoviário, que expõe caminhoneiros a estradas precárias e aumenta a pegada de carbono do transporte de grãos. A Transamazônica (BR-230) permanece em grande parte sem pavimentação adequada, com trechos intransitáveis em períodos de chuva, e precisa de investimentos urgentes para se tornar uma via efetiva de escoamento.

Competitividade do agro e impactos nas cadeias de proteína

De acordo com Leclerc Victer, coordenador acadêmico da UNISUAM, os gargalos logísticos afetam diretamente a competitividade da soja brasileira, frente a concorrentes como os Estados Unidos, que possuem maior previsibilidade e menor custo logístico.

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Além disso, a retenção de estoques nos portos encarece o milho, pressionando a cadeia de proteína animal, incluindo frango e suínos, e gerando reflexos no preço ao consumidor. Victer destaca:

“Estamos crescendo em volume, mas não em eficiência. Precisamos construir um sistema logístico resiliente, integrado e digitalizado.”

Arco Norte: investimento e rastreabilidade como prioridade

O especialista reforça que o Arco Norte deve se tornar mais estratégico que os portos do Sul e Sudeste nos próximos cinco anos, mas que isso exige investimentos em infraestrutura e rastreabilidade digital.

“Não é só escoar mais. É escoar melhor, com garantia de origem, sem desmatamento ilegal, e com rastreabilidade exigida pelo mercado europeu, que só tende a se intensificar.”

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

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Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

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A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

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Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

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