AGRONEGÓCIO
Cana-de-açúcar impulsiona a economia de Uberaba e consolida a cidade como potência do agronegócio em Minas Gerais
Publicado em
29 de outubro de 2025por
Da Redação
O município de Uberaba (MG) se consolida como um dos principais polos do agronegócio brasileiro, tendo na cana-de-açúcar um dos pilares do seu desenvolvimento econômico e social.
Atualmente, a cidade possui a maior área plantada de cana-de-açúcar do país, com uma produção de aproximadamente 9 milhões de toneladas por safra. Quando somada à produção dos municípios vizinhos — que integram uma região com cerca de 10 cidades — o volume chega a 30 milhões de toneladas, colocando Uberaba como referência estadual no setor sucroenergético.
Minas Gerais, por sua vez, registrou 83 milhões de toneladas na safra 2024/25, e boa parte desse desempenho vem justamente do Triângulo Mineiro.
Geração de emprego e renda no setor sucroenergético
Uberaba abriga duas usinas industriais e é cercada por outras cinco unidades em cidades próximas, formando um polo integrado de produção de açúcar, etanol e bioenergia.
O setor emprega 4 mil trabalhadores diretamente e mais de 13 mil de forma indireta, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho.
Além da geração de vagas, o salário médio dos profissionais do setor é 42% superior à média geral da cidade, o que eleva o poder de consumo e movimenta o comércio local.
Quando considerada toda a região canavieira, o número de empregos diretos e indiretos chega a 46.711, reforçando a importância econômica e social da atividade.
Desenvolvimento regional e diversificação produtiva
A cana-de-açúcar também impulsiona o crescimento de cidades vizinhas, que dependem de Uberaba como centro regional de educação, saúde, serviços e lazer. Esse movimento amplia a circulação de renda e fortalece o comércio local.
Mesmo com o destaque da cana, Uberaba mantém uma agricultura diversificada, com produção expressiva de soja, milho, sorgo e hortifrutis, além de se destacar nacionalmente na pecuária de corte e de leite e na avicultura.
Essa pluralidade produtiva garante estabilidade econômica e consolida o município como um dos mais completos centros do agronegócio brasileiro.
Infraestrutura fortalece logística e competitividade
O avanço do setor sucroenergético atraiu investimentos robustos em infraestrutura.
Uberaba conta com um terminal rodoferroviário da VLI, que conecta a cidade ao Porto de Santos (SP), principal corredor logístico de exportação do país.
Além disso, o município é cortado por importantes rodovias nacionais e abriga parte do etanolduto, que liga Minas Gerais a São Paulo, principal mercado consumidor de etanol do Brasil.
A cidade também atraiu empresas de insumos agrícolas, como fertilizantes, defensivos e biológicos, ampliando sua base produtiva e tecnológica.
Sustentabilidade e inovação energética
O setor sucroenergético em Uberaba tem investido fortemente em práticas sustentáveis. As usinas eliminaram a queima da palha da cana e adotaram a colheita mecanizada, reduzindo emissões e impactos ambientais.
As unidades industriais utilizam sistemas de recirculação de água, o que diminui o consumo hídrico.
A produção de cana na região é feita sem irrigação, reforçando sua resiliência climática e eficiência ambiental.
Mesmo diante dos desafios com incêndios rurais, o setor mantém campanhas educativas e parcerias com o Corpo de Bombeiros para prevenção e combate.
Além de produzir açúcar e etanol, as usinas locais geram bioeletricidade e se preparam para produzir biometano, combustível que deve ampliar o papel da região na transição energética e na produção de energia limpa.
No horizonte, o setor também aposta em novos biocombustíveis voltados à aviação e à navegação, reafirmando seu compromisso com a inovação e a sustentabilidade.
Motor do desenvolvimento regional
A cana-de-açúcar é, portanto, o motor silencioso que move a economia de Uberaba e região.
Com base em tecnologia, sustentabilidade e geração de oportunidades, o setor reforça o papel do município como símbolo de desenvolvimento e modernização do agronegócio mineiro e nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Voto deste domingo pesa no custo e no futuro do agronegócio brasileiro
Published
47 minutos agoon
4 de outubro de 2026By
Da Redação
Mais de 158 milhões de brasileiros estão aptos a votar neste domingo (04.10) para escolher os representantes que participarão das decisões sobre crédito, impostos, infraestrutura e condições de produção no País. Para o agronegócio, a eleição coincide com o avanço do plantio da safra de verão e coloca em discussão políticas que interferem diretamente no custo de produzir, na proteção contra perdas e no acesso aos mercados.
A ligação entre a urna e a propriedade rural aparece em decisões concretas. O dinheiro disponível para financiar uma lavoura depende das regras do crédito e das condições oferecidas pelas instituições financeiras. A contratação de seguro pode depender da ajuda pública para pagar a apólice. O escoamento exige estradas conservadas, armazenagem e portos eficientes. A exportação precisa de negociação comercial, defesa sanitária e comprovação de origem.
Essas relações orientam a reportagem de capa da edição de setembro da Revista Pensar Agro. A publicação examina como as escolhas políticas chegam à rotina de produtores, cooperativas, agroindústrias, transportadores e exportadores. Às vésperas da votação, a análise ajuda a avaliar propostas pelo efeito que poderão produzir sobre a atividade econômica.
O financiamento mostra a dimensão dos interesses envolvidos. O Plano Safra 2026/27 prevê R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, dos quais R$ 384,9 bilhões destinados a custeio e comercialização. São recursos programados para sustentar despesas que começam meses antes da receita da colheita. Para quem planta, tão importante quanto o montante anunciado é conseguir contratar a tempo, com juros e exigências compatíveis com sua capacidade de pagamento.
Nos dois primeiros meses do ciclo, entre julho e agosto, as contratações somaram R$ 65,7 bilhões, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). As Cédulas de Produto Rural (CPRs) responderam por 49,2% desse total. A participação desses instrumentos evidencia a importância do financiamento privado e amplia o peso das decisões sobre garantias, contratos e segurança jurídica.
O resultado da eleição também terá consequências para os investimentos que ajudam a preservar a margem do produtor. Um armazém permite organizar estoques e escolher melhor o momento da venda. Uma estrada em boas condições reduz dificuldades de transporte. Pesquisa e assistência técnica contribuem para enfrentar pragas, doenças e limitações do solo. São benefícios que exigem continuidade, orçamento e capacidade de execução.
Por isso, a avaliação do eleitor precisa alcançar todos os cargos em disputa. O presidente conduz a administração federal, propõe o Orçamento e define prioridades para a política agrícola e as negociações internacionais. Deputados e senadores votam leis, analisam os recursos e fiscalizam o Executivo. Governadores e assembleias estaduais participam de decisões sobre rodovias, segurança rural, defesa sanitária, tributação e serviços ambientais.
A disputa presidencial concentra atenção, mas o Congresso eleito terá influência sobre regras que podem atravessar várias safras. Toda a Câmara dos Deputados será renovada, assim como dois terços do Senado. Cada eleitor poderá escolher dois senadores, além dos representantes para os demais cargos. A composição dessas bancadas será relevante para transformar compromissos de campanha em medidas efetivas.
Na leitura das propostas, importa identificar como serão executadas. Ampliar crédito exige indicar recursos e condições de acesso. Prometer obras pressupõe planejamento, financiamento e fiscalização. Simplificar procedimentos requer preservar critérios técnicos e oferecer prazos claros. Abrir mercados depende de trabalho diplomático, qualidade dos produtos e confiança nos controles brasileiros.
A reportagem da revista acompanha essas escolhas sem reduzir o agronegócio a uma única demanda. O setor reúne atividades, regiões e produtores com necessidades diferentes. Uma medida que favoreça a indústria pode pressionar o preço da matéria-prima; outra que estimule exportações precisa considerar logística e abastecimento. Avaliar esses efeitos ajuda a separar propostas consistentes de soluções que transferem o problema de um elo para outro.
O PODER DO VOTO
Na opinião do presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT) , o produtor conhece o peso de uma decisão porque trabalha com dinheiro comprometido muito antes de receber pela produção. Quando vai às urnas, precisa levar essa mesma responsabilidade.
“As decisões do poder público entram na conta da propriedade: no custo do financiamento, na disponibilidade do seguro, na estrada por onde passa a colheita e nas condições de acesso aos mercados. A importância desta eleição está também na escolha de quem terá a responsabilidade de administrar recursos, estabelecer regras e acompanhar sua execução. Tudo isso afeta a capacidade de produzir, investir e manter empregos”, explica Isan
“O agronegócio precisa de planejamento que dure mais do que uma safra. Pesquisa, armazenagem, irrigação, defesa sanitária e infraestrutura exigem investimentos contínuos, com objetivos claros e resultados acompanhados. Não adianta anunciar crédito se o recurso não chega durante a janela de plantio, nem aprovar uma obra que permanece anos sem conclusão”.
“Precisamos de instituições capazes de transformar orçamento em serviço e de regras que permitam ao produtor cumprir suas obrigações sem ficar preso à demora e à insegurança. Essa qualidade da gestão pública interessa tanto a quem produz quanto a quem depende do abastecimento”, diz o presidente do IA.
“A responsabilidade com o voto deve continuar depois da eleição. Cabe ao setor acompanhar os orçamentos, cobrar a execução das políticas e apresentar suas necessidades com dados e propostas consistentes. Uma dificuldade na propriedade pode repercutir na cooperativa, na indústria, no transporte e no comércio. Da mesma forma, uma política bem executada pode ampliar oportunidades em toda essa cadeia. O compromisso que esperamos do poder público é criar condições para que o trabalho no campo tenha continuidade, que os investimentos sejam viáveis e que o crescimento da produção gere renda e benefícios para a sociedade”, completa Tezende.
Neste domingo, a votação ocorrerá das 8 às 17 horas, pelo horário de Brasília. A ordem na urna será deputado federal, deputado estadual ou distrital, primeiro senador, segundo senador, governador e presidente. São escolhas feitas em poucos minutos, com consequências que acompanharão a produção por anos.
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Fonte: Pensar Agro
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