AGRONEGÓCIO
Brasil bate recorde de faturamento, mas endividamento cresce entre famílias, empresas e produtores rurais
Publicado em
15 de maio de 2026por
Da Redação
O avanço do endividamento no Brasil deixou de ser um problema restrito à baixa renda e passou a refletir falhas estruturais de gestão financeira. Mesmo com o mercado de trabalho aquecido e níveis historicamente baixos de desemprego, famílias, empresas e produtores rurais seguem pressionados por dívidas crescentes, cenário que acende um alerta para a economia brasileira.
Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que, em março de 2026, cerca de 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas. A inadimplência permanece elevada, em torno de 29,6%, mesmo diante do aumento da renda e da melhora nos índices de emprego.
Para o administrador e especialista em finanças Renan Conrado Frigo, a origem do problema está menos na falta de dinheiro e mais na ausência de organização financeira.
“O endividamento raramente começa pela falta de renda. Ele surge, principalmente, pela falta de controle e planejamento. Quando não existe clareza sobre entradas, saídas e compromissos futuros, qualquer oscilação já compromete o orçamento”, afirma o especialista.
Empresas ampliam faturamento, mas perdem rentabilidade
O cenário também preocupa no ambiente corporativo. Dados da Serasa Experian apontam que o Brasil encerrou 2025 com recorde histórico de empresas inadimplentes. Ao todo, 8,9 milhões de negócios acumulavam dívidas, que somavam aproximadamente R$ 213 bilhões.
Além disso, o número de pedidos de recuperação judicial avançou nos últimos meses, refletindo dificuldades financeiras relacionadas à gestão de caixa, planejamento e controle de custos.
Segundo Frigo, muitas empresas cometem um erro recorrente ao focar apenas no faturamento, sem analisar a lucratividade real da operação.
“Muitos empresários observam apenas o dinheiro que entra ou o saldo disponível em caixa, mas não conseguem enxergar o lucro efetivo do negócio. Isso cria uma falsa sensação de segurança e leva a decisões equivocadas”, explica.
Endividamento no agronegócio acende alerta em 2026
O agronegócio brasileiro, tradicionalmente visto como um dos pilares da economia nacional, também enfrenta aumento significativo no endividamento.
Dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (OBRE) indicam que as dívidas do setor já alcançam R$ 98 bilhões em 2026. O avanço evidencia que nem mesmo segmentos com alta produtividade escapam de problemas ligados à gestão financeira e ao planejamento de risco.
Na avaliação do especialista, muitos produtores rurais ampliam produção e investimentos sem um acompanhamento adequado da saúde financeira da atividade.
“O crescimento da produção sem controle financeiro consistente pode transformar expansão em risco. Em muitos casos, o produtor aumenta faturamento, mas perde margem e liquidez”, destaca Frigo.
Crédito caro e desorganização financeira pressionam famílias
Entre as famílias brasileiras, o comprometimento da renda segue elevado. Informações do Banco Central mostram que aproximadamente 29,7% da renda mensal das famílias está comprometida com dívidas, especialmente crédito rotativo, financiamentos e empréstimos contratados sem planejamento adequado.
Apesar disso, grande parte da população ainda não possui controle detalhado do orçamento doméstico, fator que contribui para o avanço da inadimplência.
Frigo ressalta que um dos erros mais comuns é confundir dinheiro disponível com saúde financeira.
“Ter dinheiro em caixa não significa necessariamente lucratividade. Da mesma forma, é possível apresentar lucro no papel e não ter liquidez suficiente para cumprir compromissos. Essa diferença, quando ignorada, amplia o risco de endividamento”, afirma.
Mistura entre contas pessoais e empresariais agrava problema
Outro ponto considerado crítico pelo especialista é a falta de separação entre finanças pessoais e empresariais, situação comum principalmente entre pequenos negócios e produtores rurais.
“Quando o empresário mistura as contas da empresa com as despesas pessoais, ele perde a capacidade de avaliar o desempenho real da operação e compromete tanto o negócio quanto a vida financeira da família”, explica.
O reflexo aparece em diversos setores da economia: empresas que aumentam faturamento, mas perdem rentabilidade; famílias que elevam renda sem reduzir dívidas; e produtores rurais que recorrem a renegociações e recuperação financeira após crescer sem planejamento.
Organização financeira passa a ser questão de sobrevivência
Diante de um cenário marcado por juros elevados, crédito mais caro e margens pressionadas, especialistas reforçam que a organização financeira deixou de ser diferencial competitivo e passou a representar uma condição essencial para a sobrevivência econômica.
Para Renan Conrado Frigo, a solução passa por disciplina e mudança de mentalidade.
“Gestão financeira não é complexidade. É disciplina. Controlar fluxo de caixa, entender custos e projetar cenários são práticas básicas que fazem diferença em qualquer atividade. Sem isso, até o crescimento pode virar um fator de risco”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento
Published
3 dias agoon
8 de outubro de 2026By
Da Redação
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.
A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.
O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.
A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.
“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.
“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.
Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.
Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.
Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.
Fonte: Pensar Agro
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