AGRONEGÓCIO

Boi gordo tem queda em julho, mas exportações batem recorde histórico, aponta Itaú BBA

Publicado em

O mês de julho foi marcado pela desvalorização do boi gordo e da carne bovina no mercado interno, segundo o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. Em São Paulo, a arroba do boi gordo teve média mensal de R$ 299,90, queda de 4,3% em relação a junho. Já a carcaça bovina recuou 4,8%, reduzindo o spread da indústria no mercado interno de 6,2% para 5,7%.

Apesar da pressão negativa, os preços voltaram a reagir no início de agosto, impulsionados pela redução nas escalas de abate. No dia 8 de agosto, o boi gordo paulista fechou cotado a R$ 305,60/@. O bezerro também registrou queda, mas de apenas 2% no período.

Exportações atingem maior volume da história

Mesmo com o anúncio da tarifa americana sobre a carne bovina brasileira — em vigor desde 6 de agosto —, julho registrou um marco histórico nas exportações. Foram embarcadas 276,9 mil toneladas de carne bovina in natura, um crescimento de 16,7% sobre o mesmo mês de 2024. No acumulado do ano, a alta chega a 13,7%.

Leia Também:  Conab Realiza Novos Leilões para Comercialização e Escoamento de Borracha Natural

O preço médio do produto também subiu 1,9% frente a junho, alcançando US$ 4.270 por tonelada, valor 25,9% acima do registrado em julho do ano passado. O spread das exportações passou de 10% em junho para 15% em julho, favorecido pela queda de 4,2% no preço do boi em dólares e pela valorização da carne.

Impacto da tarifa dos EUA sobre a carne brasileira

A carne bovina ficou fora da lista de produtos isentos de tarifas nos EUA. Com isso, a partir de agosto, o produto passou a pagar 50% adicionais sobre os 26,4% já aplicados fora da cota, totalizando uma taxa de 76,4%. Na prática, o novo imposto torna inviável a exportação para o mercado norte-americano, o segundo maior destino da carne brasileira.

Oferta elevada exige cautela nas negociações

Apesar do bom ritmo das exportações, a ausência dos EUA ocorre em um período de oferta elevada, impulsionada pelos confinamentos. A consultoria destaca que o hedge se torna fundamental neste cenário, já que, aos preços futuros atuais, as margens para o confinamento permanecem atrativas.

Leia Também:  IllyCaffè registra crescimento em todos os principais mercados forte aceleração da lucratividade EBITDA +18,6% em relação a 2022 lucro líquido + 67,2% em relação a 2022

Em julho, os contratos futuros do boi gordo registraram forte alta após o dia 20, com vencimentos para o fim do ano próximos de R$ 340/@, mesmo diante do risco de redução das exportações para os EUA.

Margens positivas para confinadores e perspectiva favorável

Com o milho em baixa e a recuperação dos preços futuros, a margem projetada para confinamentos melhorou, podendo chegar a R$ 1.000 por cabeça. A expectativa é de que a oferta de gado terminado seja expressiva em 2025, sustentada pelas boas margens registradas ao longo do ano.

Para o Itaú BBA, mesmo sem os EUA, as exportações brasileiras seguem com potencial para absorver a oferta, mas a recomendação é manter estratégias de proteção de preços. No longo prazo, a tendência é positiva, apoiada na redução gradual da oferta de gado para abate, mas, no curto prazo, a demanda firme será decisiva para sustentar as cotações.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Ureia despenca mais de 40% e fertilizantes voltam ao nível pré-crise com avanço de acordo entre EUA e Irã

Published

on

Os preços internacionais da ureia registraram forte recuo nas últimas semanas e já retornaram aos níveis observados antes do agravamento das tensões no Oriente Médio. Segundo análise da StoneX, as cotações destinadas ao mercado brasileiro acumulam queda superior a 40% após oito semanas consecutivas de desvalorização, refletindo o avanço das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã e a expectativa de reabertura do estratégico Estreito de Ormuz.

O movimento é acompanhado de perto pelo setor de fertilizantes, uma vez que a região concentra uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo, amônia, enxofre e fertilizantes nitrogenados. A perspectiva de retomada da navegação vem reduzindo os temores relacionados à oferta global e aos gargalos logísticos que pressionaram os preços nos últimos meses.

Mercado reage à expectativa de normalização logística

De acordo com a StoneX, a possibilidade de restabelecimento do fluxo marítimo no Golfo Pérsico tem provocado uma mudança significativa no comportamento dos mercados de energia e fertilizantes.

As restrições impostas à navegação durante o período de instabilidade elevaram custos e dificultaram o transporte de insumos estratégicos. Agora, com o avanço das negociações entre Washington e Teerã, os agentes de mercado passaram a precificar um cenário de maior disponibilidade de produtos e menor risco logístico.

Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o acordo preliminar representa um importante fator de pressão baixista para o setor.

“O entendimento entre Estados Unidos e Irã tem impacto direto sobre a logística global e a oferta de fertilizantes. O Estreito de Ormuz é uma rota fundamental para o escoamento de fertilizantes, petróleo, amônia e enxofre, o que torna qualquer sinalização de normalização extremamente relevante para os mercados”, avalia.

Ureia retorna aos patamares anteriores ao conflito

O efeito mais visível foi observado no mercado da ureia. As cotações CFR Brasil recuaram para níveis inferiores aos registrados antes do início da crise geopolítica, revertendo completamente os ganhos observados durante o período de maior incerteza.

Leia Também:  IllyCaffè registra crescimento em todos os principais mercados forte aceleração da lucratividade EBITDA +18,6% em relação a 2022 lucro líquido + 67,2% em relação a 2022

A queda acumulada superior a 40% representa uma das correções mais expressivas dos últimos meses e sinaliza uma redução dos prêmios de risco que vinham sendo incorporados aos preços internacionais.

Além da expectativa de reabertura das rotas marítimas, o mercado também passou a considerar uma possível ampliação da oferta global de fertilizantes caso as negociações avancem para uma flexibilização das sanções impostas ao Irã.

Acordo ainda depende de novas etapas

Apesar da reação positiva dos mercados, o acordo entre Estados Unidos e Irã ainda não está concluído. Informações divulgadas pela Reuters indicam que o entendimento atual prevê a extensão do cessar-fogo por mais 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz, mas questões centrais continuam em negociação.

Entre os temas que permanecem em discussão está o futuro do programa nuclear iraniano, considerado um dos principais pontos de divergência entre os dois países.

Especialistas do setor marítimo alertam que a normalização completa das operações não deve ocorrer imediatamente. Mesmo após a eventual reabertura da rota, a retomada da confiança dos operadores logísticos e o reposicionamento das embarcações podem levar semanas.

Fertilizantes ainda dependem da evolução do cenário geopolítico

A StoneX destaca que o mercado segue monitorando fatores que podem limitar a recuperação plena da logística na região.

Leia Também:  Agricultores europeus protestam contra as políticas ambientais da UE

Existem preocupações relacionadas à segurança da navegação, incluindo relatos sobre possíveis áreas minadas e incertezas quanto às condições definitivas para a circulação de embarcações. Além disso, navios que permaneceram retidos durante o período de restrições poderão enfrentar atrasos até que o fluxo marítimo seja totalmente restabelecido.

Dessa forma, embora a tendência atual seja de alívio para os preços, a oferta global de fertilizantes continua condicionada à evolução das negociações diplomáticas e à estabilidade da região.

Cenário favorece importadores brasileiros

A queda das cotações ocorre em um momento estratégico para o agronegócio brasileiro. Tradicionalmente, as compras externas de fertilizantes nitrogenados ganham força ao longo do segundo semestre, período de preparação para importantes culturas da safra de verão.

Com preços mais baixos e perspectiva de melhora na logística internacional, os importadores brasileiros encontram um ambiente mais favorável para negociar volumes e recompor estoques.

Além dos fertilizantes, o anúncio do acordo preliminar também impactou o mercado energético. Os preços do petróleo recuaram para os menores níveis dos últimos três meses, refletindo as expectativas de retomada do fluxo normal de cargas em uma das regiões mais importantes para o comércio global.

Para o agronegócio brasileiro, a combinação entre fertilizantes mais baratos e redução das incertezas logísticas pode representar um importante fator de alívio nos custos de produção nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA