O documentário “Waldir Bertúlio: Um griô Entre Nós”, que registra a trajetória do homenageado em defesa dos saberes da cultura mato-grossense, estreia, nesta terça-feira (28.4), às 19h30, no Cine Teatro Cuiabá, com entrada gratuita. O curta-metragem foi contemplado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) no edital de Fomento Audiovisual – Documentário Temático, edição Lei Paulo Gustavo.
Com direção de Maria Clara Bertúlio, que parte da relação familiar para retratar o pai como guardião de saberes e tradições, o filme tem duração aproximada de 30 minutos e classificação livre.
A narrativa surge a partir de conversas, lembranças e da tentativa de traduzir a figura do griô, termo que nasce da tradição oral africana utilizado para se referir a quem preserva e transmite histórias. O documentário também evidencia a sua contribuição para a cultura e para os movimentos sociais mato-grossenses.
“O que me mobilizou a fazer esse documentário foi a própria necessidade de contar as nossas histórias, de registrar a trajetória de figuras importantes da nossa cultura mato-grossense e fazer essas homenagens em vida, para quem contribuiu e lutou para que a gente tivesse conquistas importantes hoje em dia, tanto do ponto de vista dos movimentos sociais, dos movimentos culturais, da luta dentro dos espaços acadêmicos institucionais e também pela defesa dos saberes populares”, expõe Maria Clara.
A diretora explica ainda que, mais do que um contador de histórias, o griô é guardião da memória, da cultura e dos saberes de um povo.
“Griô é uma figura de resistência, reconhecida pela própria comunidade por manter viva a tradição através da oralidade. Nosso curta-documentário nasce desse significado. Ao contar a trajetória do mestre, também revelamos a força de uma história coletiva, construída por gerações”, enfatiza.
Lançamento conjunto
“Waldir Bertúlio: Um griô Entre Nós” será lançado juntamente com “Seu Fiuza”, outro documentário que também reconstrói, a partir de vivências pessoais, trajetórias atravessadas pela ditadura militar em Mato Grosso.
Dirigido por Lívia Fiuza, o curta-metragem acompanha a relação entre neta e avô para narrar a trajetória de Rubens Fiuza, jornalista que enfrentou as marcas da ditadura e utilizou sua profissão como instrumento de denúncia e transformação social.
“O filme nasce do desejo de enfrentar apagamentos históricos, em especial de memórias de um período de repressão e luta por liberdade que também movimentaram o território mato-grossense”, destaca Lívia.
Para assistir a estreia dos dois filmes, o ingresso é gratuito e está disponível para retirada na plataforma Sympla, clicando aqui. Também serão disponibilizados ingressos na bilheteria no dia da exibição.
A chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero contra a Mulher, Mariell Antonini, reforçou a importância das vítimas de violência doméstica confiarem na rede de proteção e manterem as medidas protetivas.
O alerta foi feito após uma mulher, identificada como Gleici Fátima Machado Ritter, de 37 anos, ser assassinada a tiros, nesta terça-feira (23.6), em Guarantã do Norte. O principal suspeito é o companheiro dela, de 33 anos. O crime está sendo investigado pela Polícia Civil como feminicídio consumado.
Ele já possuía um longo histórico de violência doméstica contra a vítima. Em novembro de 2025, após um pedido feito pela própria vítima, a medida protetiva que existia contra o investigado foi revogada e ele voltou a responder ao processo em liberdade.
“É importante que toda mulher compreenda que o rompimento do ciclo da violência nem sempre é um processo simples. Muitas vezes, existem obstáculos relacionados à dependência afetiva, dependência econômica, medo, preconceito e outros fatores que dificultam a tomada de decisão. Por isso, é fundamental buscar apoio, acreditar na rede de proteção e no sistema de Justiça”, destacou.
Segundo Mariell Antonini, a violência doméstica costuma seguir um ciclo que tende a se agravar ao longo do tempo.
“A violência é cíclica e, muitas vezes, começa com sinais que podem parecer menos graves, mas pode evoluir para situações cada vez mais letais, culminando na morte da vítima. Ameaças e agressões precisam ser compreendidas como sinais de alerta, e a busca por ajuda deve acontecer o quanto antes”, afirmou.
As primeiras denúncias contra o suspeito foram registradas em 2023, quando Gleici procurou as autoridades para relatar episódios de violência doméstica. Em 2024, novas intervenções policiais ocorreram por crimes como lesão corporal, injúria e posse irregular de arma de fogo, todos envolvendo o mesmo casal.
Já em julho de 2025, o suspeito foi preso em flagrante por lesão corporal no contexto de violência doméstica, após a vítima acionar as forças de segurança. Na ocasião, foram concedidas medidas protetivas de urgência em favor de Gleici. Meses depois, entretanto, a vítima solicitou a revogação da medida, o que resultou na liberdade do suspeito.
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