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Alta do petróleo eleva diesel e pressiona custos do açúcar no Centro-Sul

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A intensificação do conflito no Oriente Médio já começa a gerar impactos diretos sobre o setor sucroenergético brasileiro. De acordo com análise da StoneX, a forte valorização do petróleo no mercado internacional tem elevado os preços dos combustíveis no Brasil, pressionando os custos de produção de açúcar e etanol na região Centro-Sul.

Desde o fim de fevereiro, o petróleo tipo Brent acumula alta superior a 40%, refletindo rapidamente no mercado interno de combustíveis.

Diesel dispara e encarece produção no campo

No mesmo período, estimativas do Preço de Paridade de Importação (PPI) indicam aumentos expressivos nos combustíveis: alta de 48% na gasolina e de 91% no diesel. Nas bombas, o diesel B já subiu mais de R$ 1,00 por litro no país, com avanço médio de R$ 1,26/L até 21 de março.

Em São Paulo, a elevação foi de 12%, reforçando a pressão sobre os custos operacionais das usinas.

O diesel tem peso relevante na estrutura de custos do setor, com correlação de 97,46% com o custo agroindustrial total nas últimas 19 safras. Na prática, cada aumento de R$ 1,00 por litro pode elevar os custos entre R$ 29 e R$ 36,5 por tonelada de cana.

Mesmo com a manutenção da isenção de tributos federais sobre o diesel B, o reajuste de R$ 0,30/L aplicado pela Petrobras em março limitou qualquer alívio nos preços internos.

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Petróleo alto favorece etanol, mas amplia custos

Segundo análise da StoneX, o cenário atual gera efeitos mistos para o setor. Por um lado, a valorização do petróleo tende a sustentar os preços do etanol, ampliando o potencial de receita das usinas.

Por outro, o encarecimento do diesel impacta diretamente as operações agrícolas e industriais, pressionando as margens e reduzindo a rentabilidade, especialmente na produção de açúcar.

Conflito também pressiona mercado de fertilizantes

Além dos combustíveis, o cenário geopolítico tem reflexos no mercado global de fertilizantes. Produtos como ureia e MAP registram alta, influenciados por restrições de oferta no Oriente Médio — região relevante na produção de amônia e enxofre.

O aumento do custo do gás natural e dos fretes marítimos também contribui para a pressão sobre os preços.

Apesar disso, o impacto imediato no Brasil tende a ser mais limitado no curto prazo, já que a maior parte das aquisições de fertilizantes ocorre no segundo semestre.

Margens do açúcar ficam próximas do equilíbrio

Para a safra 2026/27, a StoneX estima o custo de produção do açúcar VHP no Centro-Sul em R$ 1.730 por tonelada na base usina e R$ 1.875/t no modelo FOB.

Com o câmbio variando entre R$ 5,20 e R$ 5,30 por dólar, o ponto de equilíbrio do açúcar no contrato #11 oscila entre US¢ 15,40 e 17,01 por libra-peso. No fim de março, as cotações estavam pouco acima de US¢ 15,50/lb, indicando operação próxima ao equilíbrio.

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Ainda assim, alguns fatores podem aliviar parcialmente os custos, como ganhos de produtividade, menor investimento no canavial e a expectativa de queda no preço do ATR, abaixo de R$ 1,00/kg. A redução de 10,5% no custo da cana de terceiros também pode gerar economia adicional.

Mix de produção pode migrar para o etanol

Diante desse cenário, a tendência é de ajuste estratégico por parte das usinas, com maior direcionamento da cana para a produção de etanol.

A valorização do petróleo aumenta a competitividade dos biocombustíveis, enquanto o avanço do diesel pressiona os custos do açúcar, reduzindo suas margens.

Esse movimento reforça a dualidade do cenário atual: ao mesmo tempo em que sustenta receitas com etanol, o aumento dos custos operacionais limita a rentabilidade geral do setor.

Setor deve ajustar estratégias na safra 2026/27

Com custos mais elevados e margens pressionadas, o setor sucroenergético deve adotar uma postura mais cautelosa na safra 2026/27, priorizando eficiência operacional e decisões estratégicas sobre o mix de produção.

A evolução do conflito no Oriente Médio e seus desdobramentos sobre o petróleo e insumos seguirá sendo um dos principais fatores de risco para o desempenho do setor nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.

O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.

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Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.

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Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

Fonte: Pensar Agro

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