AGRONEGÓCIO
Aditivos em rações
Publicado em
12 de junho de 2024por
Da RedaçãoExistem diversos aditivos que podem ser adicionados na formulação de rações para animais, ou para complementar a alimentação por pastoreio no campo. Podem ser uma substância, micro-organismo ou produto formulado, adicionado intencionalmente aos produtos, que não é utilizado normalmente como ingrediente, que apresentam benefícios quando ingeridos pelos animais. Também servem para conservar, intensificar ou modificar as propriedades do alimento melhorando a nutrição, com desdobramentos na melhoria de sua saúde. Sua ação pode implicar no aumento do teor disponível ou na qualidade dos nutrientes, ou melhorar a eficiência de absorção e de seu aproveitamento pelos animais. Além desses benefícios, o uso de aditivos pode reduzir o custo da alimentação, devido ao melhor aproveitamento dos alimentos.
No caso dos animais ruminantes, a elevada eficiência de aproveitamento de pastagens é devida à microbiota presente em seu rúmen. São os microrganismos (bactérias, protozoários, fungos) que auxiliam na digestão, disponibilizando aos animais nutrientes básicos como carboidratos, aminoácidos e ácidos graxos, sendo a principal fonte de proteína a de origem microbiana.
Para bem exercer essa função, os microrganismos necessitam de nutrientes diversos como vitaminas e sais minerais, e um ambiente favorável em termos de pH e oxigênio, a fim de atingir máxima eficiência na digestão do alimento ingerido pelo animal. Os aditivos são úteis na fermentação ruminal, propiciando melhoria da eficiência da digestão do alimento. Além de beneficiar as bactérias úteis, os aditivos também atuam desfavorecendo ou eliminando bactérias que são prejudiciais ao processo digestivo dos ruminantes.
Melhoria nutricional
Para serem usados na alimentação animal, os aditivos necessitam ter registro no MAPA. Conforme a Instrução Normativa 13/04 (alterada pela Instrução Normativa n° 44/15) os aditivos, de acordo com suas funções e propriedades, podem ser classificados como tecnológicos, sensoriais, nutricionais, ou zootécnicos. Cada aditivo cumpre uma função, razão pela qual são adicionados de acordo com as necessidades específicas de cada situação.
Na classe de aditivos zootécnicos estão os probióticos, melhoradores de desempenho e enzimáticos, que auxiliam no crescimento e equilíbrio do microbioma ruminal, inclusive eliminando substâncias tóxicas, como sais do ácido lático e micotoxinas. Ao melhorar a degradação de produtos complexos até nutrientes assimiláveis, podem aumentar o potencial produtivo e reprodutivo dos animais e mitigar o efeito do estresse calórico. O uso de óleos essenciais, como um aditivo tecnológico, melhora a digestão das fibras e reduz a produção de metano pela fermentação, o que diminui a emissão de gases de efeito estufa.
Diversas vitaminas são utilizadas como aditivos nutricionais, em especial biotina (B7 ou H), niacina (B3 ou PP) e colina (B8). Essas duas últimas tem utilidade na redução da ocorrência de lipidose hepática ou síndrome do fígado gorduroso, que é um distúrbio metabólico comum aos ruminantes, provocada pelo desequilíbrio entre a captação hepática dos ácidos graxos e sua utilização. Em vacas com peso acima do normal, ao parir, ocorre mobilização da gordura estocada para atender a demanda energética do parto, sobrecarregando o fígado, situação em que aditivos à base de niacina e colina são úteis, inclusive prevenindo a ocorrência de cetose. A biotina é normalmente produzida pelos microrganismos do rúmen, sendo indicado como aditivo apenas em caso de deficiência.
Saúde dos animais
Em algumas situações os aditivos são utilizados para melhoria da saúde animal. Por exemplo, podem ser adicionados antibióticos chamados de ionóforos, como a monensina, cuja função é eliminar apenas as bactérias cuja presença no rúmen é prejudicial. Como exemplo, pode-se eliminar as bactérias que produzem ácido lático, ácido fórmico, hidrogênio e metano, reduzindo a acidose ruminal e melhorando a eficiência energética da fermentação. A monensima também seleciona as bactérias produtoras de ácido succínico e propiônico, que são desejáveis no processo fermentativo.
Os aditivos à base de sais aniônicos facilitam a absorção de cálcio no intestino, melhorando o teor desse elemento no sangue. Sua utilização no mês anterior à data prevista para o parto previne a hipocalcemia e retenção da placenta.
Ao alimentar o gado com silagem ou grãos, pode ocorrer a presença de fungos que produzem micotoxinas (fumonisinas, aflatoxinas, zearalenona, don, zearalenona, tricotecenos e ocratoxina A, entre outras). As toxinas prejudicam o ganho de peso, a produção leiteira e a capacidade reprodutiva, e no limite, podem provocar a morte dos animais. Existem substâncias denominadas adsorventes de micotoxinas, que possuem a capacidade de imobilizar quimicamente e eliminar essas toxinas.
Existe um teor de acidez (pH) ótimo para atingir o máximo de eficiência da digestão dos alimentos, promovida pelos microrganismos do rúmen. Foi observado redução do pH do rúmen quando o animal é alimentado continuamente com alimentos concentrados ou forragens com alta trituração. Nesses casos, tem sido usado o bicarbonato de sódio como aditivo tecnológico, para adequar o pH, evitando a acidose e seus impactos negativos na eficiência da digestão.
Pelo exposto verifica-se a importância dos aditivos para alimentação de animais ruminantes, melhorando o processo nutritivo, a saúde animal e reduzindo custos. Seu uso deve ser limitado as quantidades recomendadas, pautado pela necessidade e prescrito por profissionais habilitados, de conformidade com os objetivos de cada situação.
Décio Luiz Gazzoni é engenheiro agrônomo, membro do Conselho Científico Agro Sustentável e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica.
Heber Luiz Pereira é zootecnista, pós doutorando da UEM/Embrapa.
Fonte: CCAS
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
Published
20 horas agoon
15 de outubro de 2026By
Da Redação
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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