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Aditivos em rações

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Existem diversos aditivos que podem ser adicionados na formulação de rações para animais, ou para complementar a alimentação por pastoreio no campo. Podem ser uma substância, micro-organismo ou produto formulado, adicionado intencionalmente aos produtos, que não é utilizado normalmente como ingrediente, que apresentam benefícios quando ingeridos pelos animais. Também servem para conservar, intensificar ou modificar as propriedades do alimento melhorando a nutrição, com desdobramentos na melhoria de sua saúde. Sua ação pode implicar no aumento do teor disponível ou na qualidade dos nutrientes, ou melhorar a eficiência de absorção e de seu aproveitamento pelos animais. Além desses benefícios, o uso de aditivos pode reduzir o custo da alimentação, devido ao melhor aproveitamento dos alimentos.

No caso dos animais ruminantes, a elevada eficiência de aproveitamento de pastagens é devida à microbiota presente em seu rúmen. São os microrganismos (bactérias, protozoários, fungos) que auxiliam na digestão, disponibilizando aos animais nutrientes básicos como carboidratos, aminoácidos e ácidos graxos, sendo a principal fonte de proteína a de origem microbiana.

Para bem exercer essa função, os microrganismos necessitam de nutrientes diversos como vitaminas e sais minerais, e um ambiente favorável em termos de pH e oxigênio, a fim de atingir máxima eficiência na digestão do alimento ingerido pelo animal. Os aditivos são úteis na fermentação ruminal, propiciando melhoria da eficiência da digestão do alimento. Além de beneficiar as bactérias úteis, os aditivos também atuam desfavorecendo ou eliminando bactérias que são prejudiciais ao processo digestivo dos ruminantes.

Melhoria nutricional

Para serem usados na alimentação animal, os aditivos necessitam ter registro no MAPA. Conforme a Instrução Normativa 13/04 (alterada pela Instrução Normativa n° 44/15) os aditivos, de acordo com suas funções e propriedades, podem ser classificados como tecnológicos, sensoriais, nutricionais, ou zootécnicos. Cada aditivo cumpre uma função, razão pela qual são adicionados de acordo com as necessidades específicas de cada situação.

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Na classe de aditivos zootécnicos estão os probióticos, melhoradores de desempenho e enzimáticos, que auxiliam no crescimento e equilíbrio do microbioma ruminal, inclusive eliminando substâncias tóxicas, como sais do ácido lático e micotoxinas. Ao melhorar a degradação de produtos complexos até nutrientes assimiláveis, podem aumentar o potencial produtivo e reprodutivo dos animais e mitigar o efeito do estresse calórico. O uso de óleos essenciais, como um aditivo tecnológico, melhora a digestão das fibras e reduz a produção de metano pela fermentação, o que diminui a emissão de gases de efeito estufa.

Diversas vitaminas são utilizadas como aditivos nutricionais, em especial biotina (B7 ou H), niacina (B3 ou PP) e colina (B8). Essas duas últimas tem utilidade na redução da ocorrência de lipidose hepática ou síndrome do fígado gorduroso, que é um distúrbio metabólico comum aos ruminantes, provocada pelo desequilíbrio entre a captação hepática dos ácidos graxos e sua utilização. Em vacas com peso acima do normal, ao parir, ocorre mobilização da gordura estocada para atender a demanda energética do parto, sobrecarregando o fígado, situação em que aditivos à base de niacina e colina são úteis, inclusive prevenindo a ocorrência de cetose. A biotina é normalmente produzida pelos microrganismos do rúmen, sendo indicado como aditivo apenas em caso de deficiência.

Saúde dos animais

Em algumas situações os aditivos são utilizados para melhoria da saúde animal. Por exemplo, podem ser adicionados antibióticos chamados de ionóforos, como a monensina, cuja função é eliminar apenas as bactérias cuja presença no rúmen é prejudicial. Como exemplo, pode-se eliminar as bactérias que produzem ácido lático, ácido fórmico, hidrogênio e metano, reduzindo a acidose ruminal e melhorando a eficiência energética da fermentação. A monensima também seleciona as bactérias produtoras de ácido succínico e propiônico, que são desejáveis no processo fermentativo.

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Os aditivos à base de sais aniônicos facilitam a absorção de cálcio no intestino, melhorando o teor desse elemento no sangue. Sua utilização no mês anterior à data prevista para o parto previne a hipocalcemia e retenção da placenta.

Ao alimentar o gado com silagem ou grãos, pode ocorrer a presença de fungos que produzem micotoxinas (fumonisinas, aflatoxinas, zearalenona, don, zearalenona, tricotecenos e ocratoxina A, entre outras). As toxinas prejudicam o ganho de peso, a produção leiteira e a capacidade reprodutiva, e no limite, podem provocar a morte dos animais. Existem substâncias denominadas adsorventes de micotoxinas, que possuem a capacidade de imobilizar quimicamente e eliminar essas toxinas.

Existe um teor de acidez (pH) ótimo para atingir o máximo de eficiência da digestão dos alimentos, promovida pelos microrganismos do rúmen. Foi observado redução do pH do rúmen quando o animal é alimentado continuamente com alimentos concentrados ou forragens com alta trituração. Nesses casos, tem sido usado o bicarbonato de sódio como aditivo tecnológico, para adequar o pH, evitando a acidose e seus impactos negativos na eficiência da digestão.

Pelo exposto verifica-se a importância dos aditivos para alimentação de animais ruminantes, melhorando o processo nutritivo, a saúde animal e reduzindo custos. Seu uso deve ser limitado as quantidades recomendadas, pautado pela necessidade e prescrito por profissionais habilitados, de conformidade com os objetivos de cada situação.

Décio Luiz Gazzoni é engenheiro agrônomo, membro do Conselho Científico Agro Sustentável e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica.

Heber Luiz Pereira é zootecnista, pós doutorando da UEM/Embrapa.

Fonte: CCAS

Fonte: Portal do Agronegócio

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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

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A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

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A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

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A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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