AGRONEGÓCIO
Produtores agrícolas revelam dificuldades para contratar funcionários
Publicado em
16 de julho de 2026por
Da Redação
Dois em cada três produtores agrícolas de Mato Grosso classificam como alta a dificuldade para contratar funcionários. O índice chegou a 62,62%, enquanto outros 30,34% relataram dificuldade média. Apenas 7,04% disseram enfrentar baixa dificuldade no preenchimento das vagas.
Os números fazem parte da pesquisa Mão de Obra na Agricultura de Mato Grosso 2026, elaborada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT). Foram ouvidos 415 produtores de 87 municípios entre março e abril. A margem de erro é de cinco pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%, válidos para o resultado estadual. Veja a pesquisa completa.
O levantamento mostra que 83,82% dos produtores precisavam de trabalhadores no momento da entrevista. Entre eles, 63,77% buscavam operadores de máquinas agrícolas, função mais citada. Na sequência aparecem trabalhadores de serviços gerais, com 38,65%, técnicos agrícolas ou agrônomos, com 14,25%, monitores de pragas, com 10,87%, e gerentes ou encarregados, com 10,39%.
A lista ajuda a dimensionar a transformação do emprego no campo. A principal escassez já não está apenas em atividades braçais, mas em funções que exigem conhecimento de equipamentos, eletrônica embarcada, regulagem, manutenção, agricultura de precisão e interpretação de dados.
A falta de qualificação técnica foi apontada como principal obstáculo por 69,16% dos entrevistados. Outros 23,37% disseram que o perfil dos candidatos não corresponde às exigências das vagas. A dificuldade de manter o funcionário no cargo foi mencionada por 17,83%, seguida por problemas de relacionamento e convivência, com 13,49%.
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, avalia que, para funções braçais e operacionais específicas, “o risco de um apagão é real”. Segundo ele, além da tecnologia, há uma mudança geracional: filhos de trabalhadores e produtores que acompanharam as dificuldades enfrentadas pelos pais nem sempre enxergam a permanência na fazenda como projeto profissional. A avaliação foi divulgada na apresentação do estudo.
A pesquisa, no entanto, não permite concluir que a falta de qualificação seja a única causa do problema. O questionário foi respondido por produtores, não por trabalhadores, e não levantou salários pagos, jornadas, propostas recusadas nem os motivos apresentados por funcionários que deixaram as propriedades.
Referências a “níveis salariais mais elevados” aparecem apenas entre as respostas reunidas na categoria “outros”, que somou 7,47% e inclui também falta de experiência. Como essas respostas não foram separadas, não é possível calcular quantos produtores enfrentam dificuldades porque os candidatos consideram a remuneração insuficiente.
Os dados nacionais mostram que o salário pode fazer parte da explicação. Em maio de 2026, o salário médio de admissão na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura foi de R$ 2.201,85, segundo o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). O valor ficou 7,6% abaixo da média de todas as atividades, de R$ 2.384,10.
Também ficou abaixo dos salários de entrada da construção, de R$ 2.589,90, da indústria, de R$ 2.498,83, e dos serviços, de R$ 2.446,38. Por outro lado, superou as médias do comércio, de R$ 2.127,32, e de alojamento e alimentação, de R$ 1.980,77. Portanto, o agro não tem a menor remuneração de entrada, mas disputa trabalhadores com setores que, em média, pagam mais e oferecem empregos próximos às cidades.
Um levantamento do Portal Salário baseado nos registros do Caged indica que um peão agropecuário recebe, em média, R$ 2.353 mensais em Mato Grosso para jornada de 44 horas semanais. No país, a média do trabalhador agropecuário em geral é de R$ 1.947,86. Já o operador de máquinas agrícolas recebe, nacionalmente, R$ 2.734,70. Os valores consideram o salário-base registrado, sem bônus, horas extras e adicionais.
A comparação indica que os salários nominais de algumas ocupações rurais em Mato Grosso podem superar a média nacional da própria função. Isso, contudo, não significa que a remuneração seja suficiente para atrair e reter trabalhadores. Distância dos centros urbanos, separação da família, jornadas concentradas durante plantio e colheita, condições de alojamento e poucas perspectivas de progressão profissional também entram na decisão.
As próprias fazendas tentam compensar parte dessas dificuldades com benefícios. Alimentação é fornecida por 85,19% das propriedades pesquisadas e moradia ou alojamento, por 84,95%. Transporte aparece em 29,37%, plano de saúde em 12,62% e internet em 7,52%. Além disso, 85,92% dos produtores oferecem algum tipo de bonificação aos funcionários fixos, principalmente por produtividade.
A situação é diferente para os trabalhadores temporários, contratados por 86,47% das propriedades. Apenas 10,61% dos produtores oferecem bonificação aos safristas. Como plantio e colheita elevam a demanda por períodos curtos, a ausência de incentivos adicionais pode reduzir a capacidade de atrair profissionais experientes justamente nos momentos mais críticos.
Outro fator importante é o mercado de trabalho aquecido. A taxa de desemprego em Mato Grosso foi de apenas 3,1% no primeiro trimestre de 2026, a segunda menor do país e quase a metade da média brasileira, de 6,1%. A taxa de subutilização da força de trabalho também ficou em 6,7%, ante 14,3% no Brasil. Isso significa que há proporcionalmente menos pessoas disponíveis para ocupar novas vagas. Os indicadores são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE.
A agropecuária mato-grossense ainda ampliou a contratação no início do ano. Mais de 12 mil empregos formais foram criados em janeiro e fevereiro. Somente em janeiro, o Estado respondeu por 43% do saldo de vagas da agropecuária brasileira, com mais de 10 mil postos. A procura crescente pressiona um mercado que já tem pouca mão de obra disponível. Os números foram compilados a partir do Caged.
No país, o agronegócio empregou o recorde de 28,4 milhões de pessoas em 2025, o equivalente a 26,3% da população ocupada. O crescimento, porém, ocorreu principalmente nos agrosserviços, nos insumos e na agroindústria. Dentro da porteira, o número de trabalhadores recuou 1,1%, com queda de 1,8% na agricultura. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.
Esse movimento mostra que o agro continua criando empregos, mas uma parcela crescente das oportunidades está fora da produção primária e exige maior escolaridade. Nas fazendas, máquinas maiores, automação e agricultura digital reduzem a quantidade de trabalhadores necessária, ao mesmo tempo que aumentam a qualificação exigida de quem permanece.
Em Mato Grosso, 76,39% dos produtores não pretendem ampliar a equipe nas próximas três safras. Entre eles, 18,06% disseram ter optado por máquinas mais eficientes. A substituição de trabalhadores por tecnologia, contudo, não elimina a demanda. Ela concentra a necessidade em profissionais capazes de operar equipamentos cada vez mais caros e complexos.
Também há falhas na forma de buscar candidatos. Mais da metade das propriedades, 53,98%, não possui um responsável formal por recursos humanos. A indicação pessoal é utilizada por 91% dos entrevistados, enquanto canais digitais aparecem em 30,66%, agências de emprego em 10,95% e o Sistema Nacional de Emprego em apenas 0,97%. A dependência de redes informais limita o alcance das vagas e pode impedir o encontro entre trabalhadores disponíveis e fazendas distantes.
A capacitação avançou, mas ainda enfrenta obstáculos. Segundo a pesquisa, 81,20% dos produtores promovem treinamentos. A falta de tempo foi apontada por 35,59%, a ausência de cursos na região por 27,85% e o desinteresse dos funcionários por 25,42%. O Senar-MT é utilizado por 71,13% dos produtores que capacitam suas equipes, e 73,44% disseram ter percebido aumento de eficiência depois dos cursos.
O diagnóstico, portanto, não aponta uma causa isolada. Os salários de entrada do agro ficam abaixo da média geral brasileira e podem tornar algumas vagas menos atraentes, principalmente diante da distância e das condições de trabalho. Mas a escassez também decorre do desemprego muito baixo em Mato Grosso, da exigência crescente de qualificação, da dificuldade de retenção e de sistemas de recrutamento ainda baseados em indicações.
Para determinar o peso exato da remuneração, uma próxima pesquisa precisaria ouvir também os trabalhadores e levantar salário-base, benefícios, jornada, rotatividade, propostas recusadas e razões dos desligamentos. Sem essas informações, atribuir a dificuldade apenas à falta de qualificação transfere toda a responsabilidade aos candidatos e deixa de medir se as vagas oferecidas são competitivas.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Cuiabá recebe nesta sexta-feira o 1º Seminário Paralímpico com programação voltada à inclusão e capacitação
Published
1 hora agoon
16 de julho de 2026By
Da Redação
Cuiabá será palco, nesta sexta-feira, da abertura do 1º Seminário Paralímpico, iniciativa inédita realizada pelo Centro de Referência Paralímpico de Cuiabá, em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e a Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer. O evento prossegue no sábado e reunirá profissionais da educação, do esporte e demais interessados em ampliar conhecimentos sobre o esporte paralímpico e a inclusão de pessoas com deficiência. As atividades serão realizadas nos dias 17 e 18 de julho de 2026.
Com programação teórica e prática nas modalidades de atletismo e natação paralímpica, o seminário integra as ações de fortalecimento do paradesporto desenvolvidas pela Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer. A capacitação terá carga horária de 12 horas e será ministrada pelos professores Altemir Trapp, Laís Gabriela Cavalcanti e Rodrigo Canfora.
O secretário interino municipal de Esporte e Lazer, Mateus Silva Alves, destaca que o evento representa um marco para o município.
“Receber o primeiro Seminário Paralímpico reafirma o compromisso da gestão municipal com a inclusão e a formação de profissionais preparados para ampliar o acesso das pessoas com deficiência ao esporte. Essa parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro fortalece Cuiabá como referência no desenvolvimento do paradesporto”, afirma.
O secretário adjunto de Esporte e Lazer, Otávio Rodrigo Palácio, ressalta que a iniciativa amplia o alcance das ações desenvolvidas pelo Centro de Referência Paralímpico.
“Além de qualificar profissionais, o seminário contribui para disseminar conhecimento, fortalecer as políticas públicas de inclusão e ampliar as oportunidades de participação das pessoas com deficiência nas atividades esportivas do município”, destaca.
O seminário também reforça o trabalho desenvolvido pelo Centro de Referência Paralímpico de Cuiabá, inaugurado neste ano, que oferece modalidades esportivas adaptadas para crianças e adolescentes com deficiência, atua na formação de novos atletas e promove a capacitação de profissionais que trabalham com inclusão.
SERVIÇO PARA A IMPRENSA
1º Seminário Paralímpico de Cuiabá
Data: 17 e 18 de julho de 2026
Abertura
Data: Sexta-feira (17)
Horário: Manhã
Local: Auditório da Secretaria Municipal de Educação
Endereço: Rua Diogo Domingos Ferreira, nº 292, bairro Bandeirantes
Atividades práticas
Data: Sexta-feira (17)
Local: Ginásio Dom Aquino
Endereço: Avenida Carmindo de Campos, bairro Terceiro
Programação
Data: Sábado (18)
Local: Escola Cívico Militar Maria Dimpina Lobo Duarte
Endereço: Avenida Fernando Corrêa da Costa, nº 4.695, Chácara dos Pinheiros
Modalidades: Atletismo Paralímpico e Natação Paralímpica
Professores: Altemir Trapp, Laís Gabriela Cavalcanti e Rodrigo Canfora
Realização: Centro de Referência Paralímpico de Cuiabá, Prefeitura de Cuiabá e Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
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